quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O darwinismo de mãos dadas com a eugenia


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O trecho abaixo é extraído do livro: "As Provas da Existência de Deus", de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download
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Oliver Wendell Holmes, juiz da suprema corte dos EUA, compreendeu que o darwinismo teria “derrubado” a crença religiosa tradicional dos seres humanos serem criados à imagem e semelhança de Deus, e, desta maneira, os valores morais são normalmente reduzidos a nada, pois, sendo os seres humanos uma coleção de átomos e um conjunto de instintos sem significado ou um propósito maior, nem a responsabilidade pessoal e nem mesmo o valor intrínseco da vida humana possuem qualquer posição de destaque.

Clarence Darrow, que defendera o ensino do darwinismo nas escolas públicas no famoso julgamento do macaco de Scopes, em um caso anterior, no julgamento de Leopold e Loeb, em 1924, usou o darwinismo em sua defesa de uma dupla de assassinos de crianças. Neste julgamento, Darrow argumentou que os assassinos eram vítimas de sua herança evolutiva violenta:

“A natureza é forte e cruel. Ela trabalha à sua própria maneira misteriosa, e nós como suas vítimas. Nós mesmos não temos muito a ver com isso. A natureza toma essa incumbência nas mãos, e então desempenhamos os nossos papéis”

Se cada ser humano é vítima da natureza e se o DNA é o destino, um assassino é apenas uma peça no jogo da vida, ninguém pode ser considerado culpado e nem pode ser punido. Holmes defendeu limitar a propagação pelos indesejáveis e matar recém-nascidos que não passassem no teste, e colocou seu pensamento em prática em 1927, no caso de Buck versus Bell.

A mãe de Carrie Buck tinha sido classificada como “débil mental”, um termo aplicado às mulheres pobres e das minorias, independente de elas realmente serem deficientes mentais. Carrie foi colocada em um lar adotivo e ficou grávida de um filho ilegítimo, e sua família adotiva prontamente entregou Carrie à Colônia do Estado da Virgínia para os epiléticos e débeis mentais.

O superintendente, Dr. Albert Sidney Priddy, declarou que ela era “incorrigível”, e se enquadrava na definição legal para débeis mentais. Alegando que a mãe da menina também tinha sido sexualmente imoral e imbecil, ele argumentou que Carrie era uma ameaça genética para a sociedade, e votou em favor da esterilização obrigatória dos deficientes mentais, a fim de melhorar o pool genético das gerações futuras.

A sentença para esterilizar foi dada, mas Carrie Buck, que não era nada débil, lutou contra a decisão até chegar à Suprema Corte, mas infelizmente tanto a Corte quanto Holmes decidiram contra ela em uma votação de 8 a 1. O chefe da Justiça Holmes assinou a decisão da maioria:

“Nós já vimos mais de uma vez que o bem-estar público pode recorrer aos melhores cidadãos por suas vidas. Seria estranho se ele não pudesse apelar para aqueles que já sugaram a força do Estado para esses sacrifícios menores, muitas vezes nem sentidos como tal pelos envolvidos, a fim de evitar sermos inundados pela incompetência. É melhor para todo o mundo que, em vez de esperar para executar os descendentes degenerados por crimes, ou deixá-los morrer de fome por sua imbecilidade, que a sociedade impeça, àqueles que são manifestamente inadequados, de dar continuidade à sua espécie. O princípio que sanciona a vacinação compulsória é amplo o suficiente para cobrir com corte das trompas de Falópio... Bastam três gerações de imbecis”[1]

Para detalhes sobre o caso Buck e mais sobre a história de esterilização e eugenia nos Estados Unidos, ver West, “Breeding Our Way out of Poverty”, em “Darwin Day in America”.

O Estado esterilizou Carrie em 19 de outubro de 1927. Carrie se casou mais tarde e viveu uma vida produtiva ajudando os outros. Ela gostava de ler, escrever cartas e era ativa em sua Igreja Metodista. No momento de sua morte, em 1980, ela não foi considerada deficiente mental. Sua filha, Vivian, que também foi esterilizada, foi para escola durante dois anos e esteve até no rol de honra em certo ponto. Ela morreu quando tinha 8 anos.

Mais tarde ficou provado que Carrie tinha ficado grávida, não porque fosse promíscua, mas porque o sobrinho de sua mãe adotiva a estuprou. Assim sendo, ela pode ter sido acusada de promiscuidade e internada num asilo simplesmente para salvar a reputação de sua família adotiva. Talvez, esse fosse um dos motivos do porquê ela ser considerada como “incorrigível” após o tratamento.

O trágico caso de Carrie não foi um “incidente” isolado. Do início de 1990 até 1958, mais de sessenta mil americanos foram considerados materiais de qualidade inferior e involuntariamente esterilizados, sendo que as minorias e os pobres eram alvos especiais, e muitas das vítimas não seriam consideradas deficientes mentais atualmente. Embora isso mais se pareça com cenas de filmes escabrosos de ficção científica, para nossa profunda tristeza é a mais dura realidade, mas tudo isso ocorreu graças ao movimento eugênico, que possui suas raízes na teoria da evolução.

Por: Emmanuel Dijon.

(Trecho extraído do livro: "As Provas da Existência de Deus")


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[1] Oliver Wendell Holmes, “Buck vs. Bell”, Cornell University Law School: Supreme Court Collection. Disponível em: www.law.cornell.edu/supct/html/historics/USSC_CR_0274_0200_ZO.html

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