quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

As provas históricas da existência de Jesus


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "As Provas da Existência de Deus", de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download
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Muitos céticos, agnósticos e ateus questionam a veracidade de Jesus à luz da história. Se Jesus realmente não existiu, não há qualquer razão para ser cristão. De fato, o Cristianismo poderia ser considerado um belo modelo de conduta moral, mas totalmente falso, pregando o amor àquele que não existe, que alguém que nunca existiu deu a vida por nós e que nunca houve sua ressurreição dos mortos. Assim sendo, tudo aquilo que envolve expiação pelos pecados, salvação e justificação pela fé seria completamente aniquilado.

Por outro lado, se Jesus realmente existiu, já temos um primeiro importante passo para a veracidade da fé cristã. Isso provaria que os apóstolos não inventaram uma história em torno de Jesus Cristo. Que alguém realmente acreditou ser o Verbo encarnado, que se fez homem, que habitou entre nós, que morreu e que – pelo menos de acordo com esses discípulos – teria ressuscitado dos mortos. Mas os ateus têm base histórica para negar a existência de Jesus?

Não, eles não têm. Alguns citam um texto falsamente atribuído ao papa Leão X, que teria dito:

“A fábula de Cristo é de tal modo lucrativa que seria loucura advertir os ignorantes de seu erro”

Essa frase é espalhada aos montões pelos sites ateus, como se fosse verdadeira. Na verdade, ela não passa de uma falsificação descarada, que sites sem um mínimo de credibilidade repassam sem nem ao menos citarem a fonte, porque ela não existe. Os poucos que citam alguma fonte mostram como sendo da 14ª edição da Enciclopédia Britânica, volume 19, página 217. Essas páginas não só não mencionam a tal citação, como nem mesmo aparecem no volume do artigo do papa Leão X!

A verdade por detrás dessa falsa citação que circula nos sites ateus é que ela foi feita por John Bale, que era um dramaturgo e satírico do século XVI. Ele escreveu muitas paródias, dentre elas uma obra satírica chamada de O Cortejo dos Papas, que é a verdadeira fonte da citação em questão. James Patrick Holding, em seu artigo intitulado: “Será que o papa Leão X realmente disse que Cristo era uma fábula”, elaborou cinco pontos simples que nenhum ateu que cita esse texto é capaz de responder:

Quando é que Leão X fez esta declaração? (o ano é suficiente)

Para quem fez este comentário, e quem ouviu?

Qual era o contexto que levou Leão fazer esta afirmação?

Em que documentos que aqueles que o ouviram as relatou?

Em que obras contemporâneas tudo isso é relatado?

A verdade é que, na inexistência de declarações históricas que contestem a existência de Cristo ou que atestem alguma farsa em torno da “criação” de um “mito” chamado Jesus, eles precisam desesperadamente apelar para a falsificação de textos. Isso porque a verdade histórica é incontestável: Jesus Cristo realmente existiu. E é isso o que veremos a partir de agora, citando autores não-cristãos que viveram no primeiro século e testemunharam da existência de Jesus Cristo.


• Flávio Josefo (37 – 100 d.C)

Josefo foi o mais importante historiador judeu do século I, e seus escritos são bastante utilizados nas mais diversas áreas que envolvem a história daquela época, mais especialmente à guerra entre Jerusalém e Roma em 70 d.C, narrada por Josefo com detalhes. Como judeu e historiador, ele não deixou de expor aquilo que notoriamente ocorreu na Palestina pouco antes de ele nascer: o homem chamado Jesus. Vejamos alguns trechos de seu texto mais conhecido e analisemos com outras cópias encontradas:

“Naquela época vivia Jesus, homem sábio, se é que o podemos chamar de homem. Ele realizava obras extraordinárias, ensinava aqueles que recebiam a verdade com alegria e fez-se seguir por muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. E quando Pilatos o condenou à cruz, por denúncia dos maiorais da nossa nação, aqueles que o amaram antes continuaram a manter a afeição por ele. Assim, ao terceiro dia, ele apareceu novamente vivo para eles, conforme fora anunciado pelos divinos profetas a seu respeito, e muitas coisas maravilhosas aconteceram. Até a presente data subsiste o grupo dos cristãos, assim denominado por causa dele”[1]

Alguns ateus, na inexistência de qualquer contra-argumento satisfatório a este texto, afirmam que ele foi simplesmente falsificado, e que essa descrição de Jesus não passa de mera interpolação feita por algum escriba cristão primitivo. Ocorre, contudo, que a obra de Josefo nem cristã era. Josefo era judeu, não cristão. Sua obra não estava na posse dos cristãos com exclusividade. Elas eram dirigidas à comunidade judaica da Mesopotâmia, escritas em língua aramaica, posteriormente traduzida em outros idiomas.
Como é, então, que os judeus não-cristãos da Mesopotâmia (a quem suas obras eram dirigidas) iriam falsificar a obra de Josefo colocando o nome de Jesus ali? O que é que eles ganhariam com essa falsificação, se eles não eram cristãos? Ora, como todo escrito antigo, temos diversas cópias (manuscritos) da obra de Josefo, nas mais diversas línguas. Mas em nenhuma delas vemos a omissão da descrição de Jesus!

Se os judeus, para quem sua obra foi endereçada, não iriam fazer cópias falsificadas de seus escritos colocando Jesus ali (já que eles não teriam nada a ganhar com isso), então onde estão as cópias dos manuscritos judaicos de Josefo que omitem a menção a Jesus? Esperaríamos encontrar muitas delas, provavelmente a maioria, mas, ao invés disso, não encontramos nada!

Além disso, eruditos como Harnack, C. Burkitt e Emery Barnes, após longos e minuciosos estudos estilísticos e filológicos da obra de Josefo, afirmaram que o texto de Josefo sobre Jesus é autêntico em sua totalidade. Até mesmo quando os escribas traduziam sua obra para outros idiomas e tinham o “pé atrás” quanto a uma citação tão explícita sobre Jesus, eles não omitiam toda a passagem, mas a simplificavam. É por isso que o texto árabe da obra de Josefo diz:

“Naquela época vivia Jesus, homem sábio, de excelente conduta e virtude reconhecida. Muitos judeus e homens de outras nações converteram-se em seus discípulos. Pilatos ordenou que fosse crucificado e morto, mas aqueles que foram seus discípulos não voltaram atrás e afirmaram que ele lhes havia aparecido três dias após sua crucificação: estava vivo. Talvez ele fosse o Messias sobre o qual os profetas anunciaram coisas maravilhosas”

Se analisarmos as diferenças, são apenas estas: um diz que ele era o Cristo, o outro diz que talvez ele fosse; um diz que ele ressuscitou e apareceu vivo, outro diz que os seus discípulos acreditavam em tal fato. De qualquer modo, a existência histórica de Jesus é incontestável. Um sábio israelita, Shlomo Peres, estudou esses diferentes manuscritos e considera ter atingido a “versão mínima” de Flávio Josefo:

“Nesse tempo vivia um sábio chamado Jesus. Comportava-se de uma maneira correta e era estimado pela sua virtude. Muito foram os que, tanto Judeus como pessoas de outras nações, se tornaram seus discípulos. Pilatos condenou-o a ser crucificado e a morrer. Mas aqueles que se tinham tornado seus discípulos não deixaram de seguir a sua doutrina: contaram que ele lhes tinha aparecido três dias depois da sua crucifixão e que estava vivo. Provavelmente ele era o Messias sobre quem os profetas contaram tantas maravilhas”

Portanto, vemos que até mesmo quando traduzida por escribas em outros idiomas e por outros povos, que não eram cristãos e não tinham nada a ganhar falsificando um texto para provar a existência de Jesus, ainda assim vemos a existência histórica de Jesus Cristo sendo confirmada irrefutavelmente.

Mas essa não foi a única menção de Josefo acerca de Jesus. Ele também disse:

“Mas o jovem Anano, que, como já dissemos, assumia a função de sumo-sacerdote, era uma pessoa de grande coragem e excepcional ousadia; era seguidor do partido dos saduceus, os quais, como já demonstramos, eram rígidos no julgamento de todos os judeus. Com esse temperamento, Anano concluiu que o momento lhe oferecia uma boa oportunidade, pois Festo havia morrido, e Albino ainda estava a caminho. Assim, reuniu um conselho de juízes, perante o qual trouxe Tiago, irmão de Jesus chamado Cristo, junto com alguns outros, e, tendo-os acusado de infração à lei, entregou-os para serem apedrejados”[2]

Temos aqui não apenas outra referência de Josefo sobre Jesus, mas também a confirmação de que tinha um irmão chamado Tiago que, obviamente, não era bem visto pelas autoridades judaicas. Não há sequer uma única pista que este outro texto possa ser forjado, tornando tais objeções dos ateus como mera tentativa de negar o óbvio que está diante dos seus olhos.

Na verdade, a Igreja Católica papal medieval não teria nenhuma razão para adulterar este texto, muito pelo contrário, pois ele diz claramente que Tiago era irmão, e não primo de Jesus, como a Igreja Católica alega. A Igreja Católica ensina o dogma da virgindade perpétua de Maria, segundo o qual os irmãos de Jesus não eram irmãos, mas primos. Portanto, que razão teria a Igreja Católica em adulterar um texto que iria contra os seus próprios dogmas? Quando muito, se tivesse falsificado algo teria obviamente dito “primo” de Jesus, e não “irmão” dele, o que vai contra os seus próprios dogmas!

Como os ateus respondem a mais essa evidência? Muitos afirmam que esse Tiago não é o irmão de Jesus, pois ele teria sido morto pela espada muito antes daquele acontecimento (At.12:2). Seria verdade? Pois bem, vejamos o que Paulo tem a nos dizer sobre isso:

“Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:18,19)

Na narração citada em Atos, Paulo ainda não era convertido ao Cristianismo, e ele não chegou a conhecer Tiago, que foi o primeiro apóstolo mártir da Igreja. Mas como esse Tiago poderia ser o irmão de Jesus, se depois de sua conversão Paulo se encontrou com ele? Na verdade, eles tentam aplicar esse fato a outro Tiago, que é irmão de João, e não o irmão de Jesus. Mas, como vimos, o Tiago que Flavio Josefo se refere é mesmo o irmão de Jesus. Portanto, vimos aqui mais uma das provas dentro da história narrado por um judeu não-cristão, um historiador respeitado no mundo todo até hoje, e que vai totalmente de acordo com as narrativas dos evangelhos e das epístolas paulinas.

Norman Geisler e Frank Turek complementam:

“Por que Josefo não fez mais referências a Jesus? Podemos conjecturar que, como historiador do imperador, Josefo tinha de escolher os temas e as palavras com muito cuidado. De modo mais patente, Domiciano suspeitava de tudo o que pudesse ser associado a sedição. Esta nova seita chamada cristianismo poderia ter sido considerada sediciosa porque os cristãos tinham esse novo e estranho sistema de crenças e recusavam-se a adorar César e os deuses romanos. Como resultado disso, Josefo certamente não queria alarmar ou irritar seu chefe ao escrever um grande número de comentários favoráveis sobre o cristianismo”[3]

Todavia, essas duas referências confirmam a existência de Jesus e de Tiago e corrobora os relatos do Novo Testamento. Ademais, temos também várias menções de Josefo a outro personagem bíblico importante nas narrativas bíblicas, aquele que “abriu o caminho” para o ministério de Jesus Cristo na terra. Trata-se de João Batista, outro que é considerado um mito para os ateus. Primeiro há uma referência indireta a ele, podendo, com toda a probabilidade, tratar-se de João Batista:

“Vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produz; para se conservar casto banhava-se várias vezes por dia e de noite, na água fria; resolvi imitá-lo!”[4]

O texto em pauta faz irresistivelmente pensar em João Batista. A semelhança com João, o Batista, da Bíblia Sagrada, é notável:

“Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia [...] Usava João vestes de pêlos de camelo e cintos de couro; a sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre” (Mateus 3:1,4)

Mas não para por aqui. Josefo também faz uma referência direta a João Batista, quando diz:

“Vários julgaram que aquela derrota do exército de Herodes era um castigo de Deus, por causa de João, cognominado Batista. Era um homem de grande piedade, que exortava os judeus a abraçar a virtude, a praticar a justiça e a receber o batismo, depois de se terem tornado agradáveis a Deus, não se contentando em só não cometer pecados, mas unindo a pureza do corpo à pureza da alma. Assim como uma grande multidão de povo o seguia para ouvir a sua doutrina, Herodes, temendo que o poder que ele tinha sobre eles viesse a suscitar alguma rebelião, porque eles estavam sempre prontos a fazer o que ele lhes ordenasse, julgou dever prevenir o mal para não ter motivo de se arrepender por ter esperado muito para remediá-lo. Por esse motivo mandou prendê-lo numa fortaleza de Maquera, de que acabamos de falar, e os judeus atribuíram essa derrota de seu exército a um castigo de Deus por um ato tão injusto”[5]

Qual seria a razão para João Batista ser um personagem real e exatamente conforme o relato bíblico diz sobre ele: um homem no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produz, que exortava os judeus ao arrependimento e que os batizava, se Jesus é um mito? Se a Bíblia é falsa e Jesus é um mito criado por charlatões, obviamente João Batista, que preparou o caminho para Cristo e que é um personagem fatídico e crucial para a existência dele também seria um mito. Mas, se ele realmente existiu, temos todas as evidências para crer que aquele que é o personagem central da história de João Batista também existiu: Jesus Cristo.


• Tácito (55 – 120 d.C)

Públio Cornélio Tácito foi governador da Ásia, pretor, cônsul, questor, historiador romano e orador. Em seus “Anais da Roma Imperial” mencionou Cristo e os cristãos de seus dias. No ano de 64 d.C, o imperador Nero mandou incendiar Roma e colocou a culpa em cima dos cristãos. Isso culminou na primeira grande perseguição aos cristãos, que levou ao martírio milhares deles, incluindo Paulo e Pedro.

Durante os três séculos seguintes, vários imperadores promoveram perseguições, inclusive com os espetáculos de circo, onde os cristãos eram atirados para serem devorados pelas feras. Porém, quanto mais eram perseguidos e martirizados, mais aumentavam em número, como bem destacou Tertuliano (séc.II): sanguis martyrum est sêmen christianorum“o sangue dos mártires é semente para fazer novos cristãos”.

Tácito narra a perseguição aos cristãos no primeiro século nas seguintes palavras:

“Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Reprimida incontinenti, essa detestável superstição repontava de novo, não mais somente na Judeia, onde nascera o mal, mas anda em Roma, pra onde tudo quanto há de horroroso e de vergonhoso no mundo aflui e acha numerosa clientela”[6]

Tácito não era cristão. Ele considerava o Cristianismo uma “detestável superstição”, como muitos o consideram hoje. Mas ele admitia sua existência histórica já naqueles dias. Em seus Anais, ele descreve o martírio desses cristãos nas seguintes palavras:

“Uma grande multidão foi condenada não apenas pelo crime de incêndio, mas por ódio contra a raça humana. E, em suas mortes, eles foram feitos objetos de esporte, pois foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna”[7]

Em todo este quadro, vemos como é incontestável a existência histórica de Jesus e dos cristãos, bem como da perseguição a estes, ainda no primeiro século da era cristã. A importância deste último livro de Tácito (Anais) e a sua autoridade são hoje reconhecidas no mundo inteiro. No 15º livro dos Anais, a partir do parágrafo XXXVIII, Tácito começa a narrar o terrível incêndio que quase destruiu totalmente Roma no ano 64 d.C. A seguir a citação integral do relato de Tácito:

“Mas nem todos os socorros humanos, nem as liberalidades do imperador, nem as orações e sacrifícios aos deuses podiam diminuir o boato infamatório de que o incêndio não fora obra do acaso. Assim Nero, para desviar de si as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor desse seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava a alastrar-se não só por toda Judeia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do Universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento. Em primeiro lugar se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois, pelas denúncias destes, uma multidão inumerável, os quais, além de terem sido acusados como responsáveis pelo incêndio, foram apresentados como inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem como archotes e tochas ao público. Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo dava-se os jogos do Circo, misturado com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carroças. Desta forma, ainda que culpados e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não eram imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um bárbaro”[8]

À luz de mais essa confirmação do Jesus histórico, o grande historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794) confessou:

“A crítica mais cética deve respeitar a verdade desse fato extraordinário e a integridade desse tão famoso texto de Tácito”[9]

Afirmar que todas essas citações de Tácito sobre Cristo e os cristãos ainda em pleno século I foram falsificadas é não apenas argumentar no vazio, sem nenhum fundamento para tanto, mas também desprezar todo o contexto. As citações aos cristãos permeiam todo o contexto, não são interpolações acrescentadas posteriormente, o que obviamente quebraria a sequencia lógica de ideias.

Tácito deixou também em seu livro outro importante registro relacionado ao Cristianismo quando falou do julgamento de uma mulher pertencente à alta sociedade romana, chamada Pompônia Grecina. Essa mulher foi acusada de ter passado a fazer parte do número de pessoas que praticavam “uma superstição importada”:

“Pompônia Grecina, dama da alta sociedade (esposa de Aulo Plácio, que fez jus, como já mencionado, à vocação com sua campanha contra a Grã-Bretanha), foi acusada de aderir a uma superstição importada; o próprio marido a entregou; segundo precedentes antigos, apresentou aos membros da família o caso que envolvia a condição legal e dignidade da esposa. Esta foi declarada inocente. Pompônia, porém, passou a transcorrer sua longa vida em constante melancolia; morta Júlia, filha de Druso, viveu ainda quarenta anos trajando luto e fartando-se de tristeza. Sua absolvição, ocorrida em dias de Cláudio (Nero), veio a ser-lhe motivo de glória”[10]

Tácito, neste texto, não fala explicitamente que essa religião era a cristã, mas ele se refere a ela como sendo uma “superstição importada”, que foi exatamente a mesma palavra que ele usou naquele mesmo livro para se referir aos cristãos, quando disse que o Cristianismo era uma “superstição” que começou na Judeia e na sua época já havia se espalhado pelo mundo, por isso o termo “superstição importada” (i.e, que veio de fora).
   
Prova ainda mais forte que a sua conversão de Pompônia Grecina (de que trata o texto) foi realmente a fé cristã é o fato de que a arqueologia comprova que ela realmente se converteu ao Cristianismo. Foram descobertas nas Catacumbas de Roma inscrições datadas do século III, fazendo referência à família Pompônia (gens pomponia) com vários de seus membros convertidos ao Cristianismo, o que nos revela que esta referência indireta da parte de Tácito trata-se de mais uma menção da existência dos seguidores de Jesus já no primeiro século da era cristã.


• Luciano de Samosata (125 – 181 d.C)

Luciano de Samosata foi um satirista grego, que costumava satirizar e criticar duramente os costumes e a sociedade da época. Em uma de suas obras, conhecida como A Passagem do Peregrino, ele zomba de Cristo e dos cristãos:

“Foi então que ele [Proteus] conheceu a maravilhosa doutrina dos cristãos, associando-se a seus sacerdotes e escribas na Palestina. (...) E o consideraram como protetor e o tiveram como legislador, logo abaixo do outro [legislador], aquele que eles ainda adoram, o homem que foi crucificado na Palestina por dar origem a este culto (...) Os pobres infelizes estão totalmente convencidos que eles serão imortais e terão a vida eterna, desta forma eles desprezam a morte e voluntariamente se dão ao aprisionamento; a maior parte deles. Além disso, seu primeiro legislador os convenceu de que eram todos irmãos, uma que vez que eles haviam transgredido, negando os deuses gregos, e adoram o sofista crucificado vivendo sob suas leis[11]

Luciano diz que Peregrino (100 – 165 d.C), após ter fugido de sua cidade natal por causa de uma acusação de assassinato, se uniu aos cristãos e logo se tornou um profeta, presbítero e chefe de sinagoga. Na Palestina, ele é preso e lá recebe o cuidado de seus amigos cristãos, que, de acordo com Luciano, “tudo fizeram para livrá-lo, mas como isso não foi possível, dispensaram assistência constante para com ele”[12].

Luciano também afirma em “A Morte do Peregrino”:

“Os cristãos, vocês sabem, adoram um homem neste dia – a distinta personagem que lhes apresentou suas cerimônias, e foi crucificado por esta razão”[13]

Isso indica que, naquela época, já era bem conhecido o fato de que os cristãos cultuavam ao “homem crucificado”, o que nos mostra que já existia culto cristão em andamento já no primeiro e segundo século, fato este confirmado por fontes históricas cristãs e não-cristãs, sendo, portanto, inócuo crer que Jesus seja um “mito”, uma vez que não se cria um “mito” em tão pouco tempo.

Os ateus em sua incredulidade alegam (sem inteiramente prova nenhuma) que o “mito” Jesus nasceu no quarto século, contrariando todas as provas históricas cristãs e não-cristãs que provam não somente a existência de Cristo por pessoas do primeiro e segundo século, como também do próprio culto cristão primitivo já em vigor neste período.

Luciano de Samosata também fala de um certo “profeta” de Asclepius, no Ponto, fazendo uso de uma cobra domesticada. Quando os rumores estavam por desmascarar sua fraude, ele diz de forma sarcástica:

“Ele promulgou um edito com o objetivo de assustá-los, dizendo que o Ponto estava cheio de ateus e cristãos que tinham a audácia de pronunciar os mais vis perjúrios sobre ele; a estes, ele os expulsaria com pedras, se quisessem ter seu deus gracioso”[14]

A existência dos cristãos, seguidores de Jesus Cristo, ainda no segundo século, é uma prova irrefutável contra aqueles que pregam que Jesus é um mito histórico. Isso porque, se Cristo fosse um mito, precisaria de muito mais tempo para ser desenvolvido. Os céticos ateus que questionam a existência do Jesus histórico apelam que Cristo é uma invenção do terceiro ou quarto século e, portanto, não poderiam existir cristãos (seguidores de Cristo) já no início do segundo século. Sendo assim, mesmo entre aqueles que zombavam de Cristo e de seus seguidores, a existência destes era indiscutível.


• Plínio, o Jovem (61 – 114 d.C)

Caio Plínio Cecílio Segundo, mais conhecido simplesmente como “Plínio, o Jovem”, foi um orador, jurídico e governador imperial na Bitínia. Em suas cartas ele confessa que já tinha matado muitos homens, mulheres e crianças, e, em função dessa grande carnificina, tinha dúvidas se deveria continuar matando. E aqui entra o detalhe que é a razão de todo o nosso foco: essas pessoas estavam sendo mortas por se dizerem cristãs.

Seu único erro, de acordo com Plínio, era terem o costume de se reunirem antes do amanhecer num certo dia determinado, cantando hinos a Cristo, tratando-o como Deus, e prometendo solenemente uns aos outros a não cometerem maldade alguma, não defraudarem, não roubarem, não adulterarem, não mentirem e não negarem a Cristo. Os cristãos estavam sendo incitados a amaldiçoarem a Cristo e a se prostrarem diante das imagens do imperador romano Trajano:

“Os fez amaldiçoarem a Cristo, o que não se consegue obrigar um cristão verdadeiro a fazer”[15]

Em suas 122 cartas trocadas com este imperador, ele aborda várias vezes o assunto sobre como lidar com a fé dos cristãos, e diz:

“É meu costume, meu senhor, referir a ti tudo aquilo acerca do qual tenho dúvidas... Nunca presenciei a julgamento contra os cristãos... Eles admitem que toda sua culpa ou erro consiste nisso: que se reúnem num dia marcado antes da alvorada, para cantar hino a Cristo como Deus... Parecia-me um caso sobre o qual devo te consultar, sobretudo pelo número dos acusados... De fato, muitos de toda idade, condição e sexo, são chamados em juízo e o serão. O contágio desta superstição invadiu não somente as cidades, mas também o interior; parece-me que ainda se possa fazer alguma coisa para parar e corrigir”[16]

Vale lembrar que naquela região em que Plínio governava estavam os “eleitos que são forasteiros da dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1Pe.1:1), a quem Pedro destinou sua primeira epístola. Este décimo volume de Plínio, em que ele fala sobre os cristãos e o Cristianismo, pode ser conferido em sua totalidade nas linhas que se seguem:

“Adotei, senhor, como regra inviolável recorrer às vossas luzes em todas as minhas dúvidas; pois quem mais apto a remover os meus escrúpulos ou a guiar-me nas minhas incertezas do que vossa pessoa? Nunca tendo assistido aos julgamentos de cristãos, ignoro o método e os limites a serem observados no processo e punição deles: se, por exemplo, alguma diferença deva ser feita com respeito à idade ou, ao contrário, nenhuma distinção se observe entre o jovem e o adulto; se o arrependimento admite perdão; se a um indivíduo que foi cristão aproveita retratar-se; se é punível a mera confissão de pertencer ao Cristianismo, ainda que sem nenhum ato criminoso, ou se só é punível o crime a ele associado. Em todos esses pontos tenho grandes dúvidas.
Por enquanto, o método por mim observado para com aqueles que me foram denunciados como cristãos tem sido o seguinte: pergunto-lhes se são cristãos; se confessam, repito duas vezes a pergunta, acrescentando uma ameaça de punição capital; se perseveram, mando executá-los; pois estou convencido de que, qualquer que seja a natureza do seu credo, uma obstinação contumaz e inflexível certamente merece castigo. Outros fanáticos dessa espécie me têm sido trazidos que, por serem cidadãos romanos, remeto para Roma. Essas acusações, pelo simples fato de estar sendo o assunto investigado, começaram a estender-se, e várias formas do mal vieram à luz.
Afixaram um cartaz sem assinatura, denunciando pelo nome grande número de pessoas. Aqueles que negaram ser ou ter sido cristãos, que repetiram comigo uma invocação aos deuses e praticaram os ritos religiosos com vinho e incenso perante a vossa estátua (a qual para este propósito mandei buscar juntamente com as dos deuses), e finalmente amaldiçoaram o nome de Cristo (o que não se pode arrancar de nenhum verdadeiro cristão), julguei acertado absorver. Outros que foram denunciados pelo informante confessaram-se a princípio cristãos, depois o negaram; de fato, haviam sido cristãos, mas abandonaram a crença (uns faz três anos, outros há muito mais tempo, sendo que alguns há cerca de vinte e cinco anos).
Todos prestaram culto à vossa estátua e às imagens dos deuses, e amaldiçoaram o nome de Cristo. Afirmaram, contudo, que todo o seu crime ou erro se reduzia a terem se encontrado em determinado dia antes do nascer do sol, cantando então uma antífona (pequeno versículo cantado, antes ou depois de um salmo) como a um Deus, ligando-se também por solene juramento de não cometer más ações, e de nunca mentir e de nunca trair a confiança neles depositada; depois do que, era costume se separarem, e então se reunirem novamente para tomarem em comum algum alimento – alimento de natureza inocente (inofensiva). Todavia, até esta última prática haviam abandonado após a publicação do meu edito, pelo qual, de acordo com as vossas ordens, proibira eu as reuniões políticas.
Julguei necessário empregar a tortura para ver se arrancava toda a verdade de duas escravas chamadas diaconisas. Nada, porém, descobri, senão excessiva superstição. Julguei por isso de bom aviso adiar qualquer resolução nesta matéria, a fim de pedir o vosso conselho. Porque o assunto merece a vossa atenção, especialmente se levar em conta o número de pessoas em risco: indivíduos de todas as condições e idades, e dos dois sexos, estão e serão envolvidos no processo. Pois esta contagiosa superstição não se confina nas cidades somente, mas espalha-se pelas aldeias e pelos campos.
Todavia parece-me ainda possível detê-la e curá-la. Os templos, pelo menos, que andavam quase desertos, recomeçaram agora a ser frequentados, e as solenidades sagradas, após uma longa interrupção, são de novo revividas; e há geral procura de animais para os sacrifícios, para os quais até bem pouco tempo poucos compradores apareciam. Por aí é fácil imaginar a quantidade de pessoas que se poderão salvar do erro, se deixarmos a porta aberta ao arrependimento”

Esta carta de Plínio a Trajano prova não apenas a existência dos cristãos no primeiro século d.C, como também nos fala a respeito de seu culto e retrata fielmente a perseguição que eles já sofriam desde aquela época, sendo tratados como ateus por não aceitarem o culto ao imperador romano.


• Imperador Trajano (53 – 117 d.C)

O mais interessante nesta carta de Plínio é que ela não ficou sem resposta. Em resposta à carta de Plínio, o imperador romano Trajano deu as seguintes orientações sobre como punir os cristãos:

“Nenhuma pesquisa deve ser feita por essas pessoas, quando são denunciados e culpados devem ser punidos, com a restrição, porém, que quando o partido nega-se a ser um cristão, e deve dar provas de que ele não é (que é adorando nossos deuses), ele será absolvido no chão de arrependimento, embora ele possa ter anteriormente efetuadas suspeitas”[17]

Essa correspondência também nos mostra a antiga perseguição aos cristãos, que escapariam da punição somente “quando se nega a ser um cristão” e dava provas de que ele adorava os deuses romanos. Como tal condição era completamente contrária à prática cristã, muitos deles eram mortos e perseguidos por causa de sua fé, já no primeiro século.

Todos esses documentos apresentados até agora são mais do que suficientes para fazer silenciar todas as insinuações de que Jesus Cristo nunca existiu. Que mito, que fantasma, que figura lendária seria capaz de levar milhares de pessoas a morrerem por não negarem o seu nome? Os judeus daquela época teriam criado uma lenda, a fim de morrerem por ela? De modo algum!

Outras partes da resposta do imperador romano à carta de Plínio podem ser lidas nas linhas abaixo:
   
“No exame de denúncias contra feitos cristãos, querido Plínio, tomaste o caminho acertado. Não cabe formular regra dura e inflexível, de aplicação universal. Não se pesquise. Mas se surgirem outras denúncias que procedam, aplique-se o castigo, com essa ressalva de que se alguém negar ser cristão e, mediante a adoração dos deuses, demonstrar não o ser atualmente, deve ser perdoado em recompensa de sua emenda, por muito que o acusem suspeitas relativas ao passado. Não merecem atenção panfletos anônimos em causa alguma; além do dever de evitarem-se antecedentes iníquos, panfletos anônimos não condizem absolutamente com os nossos tempos”[18]
   
Se Cristo não tivesse sido uma pessoa real, histórica, estas duas cartas não existiriam hoje, pois não haveria cristãos no mundo para motivá-las!


• Suetônio (69 – 141 d.C)

Caio Suetónio Tranquilo, ou simplesmente Suetônio, foi um grande escritor latino que nasceu em 69 da era cristã, em Roma. Suetônio era o historiador romano oficial da corte de Adriano, escritor dos anais da Casa Imperial. Ele também faz referencia a Cristo e aos seus seguidores. Na Vida dos Doze Césares, publicada nos anos 119-122, diz que o imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma por causa de um certo Cresto [Cristo]:

Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma expulit. Quer dizer: “O Imperador Cláudio expulsou de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto”.

“Cresto” é uma variante de “Cristo”, e também era um erro ortográfico comum naqueles dias. Também em outro texto, Suetônio cita a perseguição aos cristãos de sua época, que eram destinados ao suplício:

“Os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício”[19]

E escreve novamente naquela mesma obra:

“Nero infligiu castigo aos cristãos, um grupo de pessoas dadas a uma superstição nova e maléfica”[20]

Tal ocasião se deu exatamente no reinado do imperador romano Nero, que sucedeu a Cláudio. Suetônio era outro que já mencionava a perseguição aos seguidores de Cristo em sua época, isto é, no primeiro século. Isso confirma os escritos bíblicos sobre a perseguição sofrida pelos cristãos já no primeiro século, e mostra-nos uma surpreendente semelhança com os relatos bíblicos sobre tais fatos:

Em Suetônio (escritor não-cristão)
Na Bíblia
“O imperador Cláudio expulsou de Roma os judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto (Cristo)”
“E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles” (Atos 18:2)
“Os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício”
“Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa” (Mateus 24:9)


• Talo (55 d.C)

Talo foi um antigo historicista samaritano que escreveu entre os anos de 50 e 55 d.C, sendo um dos primeiros escritores não-cristãos a mencionar Cristo. Isso é reconhecido por Julio Africano[21], Lactâncio[22], Teófilo[23], Tertuliano[24] e Justino[25]. Talo também é citado pelo judeu Flávio Josefo[26]. No entanto, seus escritos se perderam, e deles temos conhecimento somente através de pequenas citações feitas por outros escritores. Um desses autores que faz menção aos escritos de Talo é Julio Africano, quando fala da escuridão que cobriu a terra durante a crucificação de Cristo:

“Talo, no terceiro dos seus livros que escreveu sobre a história, explica essa escuridão como um eclipse do sol – o que me parece ilógico”[27]

Como vemos, os não-cristãos da época de Cristo procuravam oferecer explicações naturalmente razoáveis para as trevas que ocorreram sobre a terra na morte de Jesus. Ao invés de simplesmente dizerem que esse Cristo que era adorado pelos cristãos “nunca existiu”, eles sabiam da existência histórica de Jesus e daquilo que aconteceu na cruz.

De acordo com o relato bíblico, “já era quase a hora sexta e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona” (Lc.23:44; Mt.27:45; Mc.15:33). Esse fenômeno que causou a escuridão como um dos fatos intrigantes da morte de Cristo é aludida até por aqueles que não eram cristãos. Paul Maier fala sobre esse período de trevas que cobriram a terra durante aquelas três horas:

“Esse fenômeno, evidentemente, foi visível em Roma, Atenas e outras cidades do Mediterrâneo. Segundo Tertuliano foi um evento cósmico ou mundial. Flegão, um outro grego da Cária, escreveu uma cronologia pouco depois de 137 dC em que narra como no quarto ano das Olimpíadas de 202 (ou sejam 33dC), houve um grande eclipse solar, e que anoiteceu na sexta hora do dia, de tal forma que até as estrelas apareceram no céu. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas saíram fora de lugar em Niceia”[28]


• Flêgão (Século I)

Outro historiador do primeiro século que teve suas crônicas perdidas com o tempo e que teve partes de suas obras preservadas em citações de outros autores foi Flêgão, um escritor romano nascido em 80 d.C. Ele, assim como Talo, confirmou a escuridão que tomou conta da terra durante três horas no dia da crucificação de Cristo. Ao comentar sobre a ilógica da escuridão, Julio Africano cita Flêgão:

“Durante o tempo de Tibério César, ocorreu um eclipse do sol durante a lua cheia”

“E sobre essas trevas... Flêgão meciona-as em Olimpiadas (o título do livro que escreveu)”[29]

“Flêgão mencionou o eclipse que aconteceu durante a crucificação do Senhor Jesus Cristo e não algum outro eclipse; está claro que ele não tinha conhecimento, a partir de suas fontes, de qualquer eclipse (semelhante) que tivesse anteriormente ocorrido... e isso se vê nos próprios relatos históricos sobre Tibério César”

Assim, vemos que o relato dos evangelhos acerca das trevas que se abateram sobre a terra por ocasião da crucificação de Cristo era bem conhecido, e exigia uma explicação naturalista por parte dos descrentes que haviam testemunhado o acontecimento. Vários autores não-cristãos fizeram menção a este acontecimento. Além de Talo e Flêgão, temos também Phlegon de Lydia, que observou na época de Tibério um eclipse do sol que ocorreu durante a lua cheia.

Todas essas provas históricas nos mostram que, no dia da morte de Cristo, houve um evento cósmico que foi conhecido em várias partes do mundo antigo, exatamente como no relato bíblico, que os escritores não-cristãos sabiam da crucificação de Cristo e que tentavam oferecer explicações razoáveis e naturalistas para não inferir em alguma alegação de veracidade à fé cristã, e nenhum deles argumentou que era impossível que isso fizesse menção a Cristo porque Cristo “não existe”: eles sabiam da existência dele, razão pela qual eram obrigados a oferecerem diferentes explicações para explicar aquele fenômeno.

Outra citação de Flêgão sobre Cristo está em suas Crônicas, onde ele diz:

“Jesus, enquanto vivo, não foi de qualquer ajuda para si mesmo, mas, quando ressuscitou depois da morte, exibiu as marcas de sua punição, e mostrou de que maneira suas mãos foram perfuradas pelos pregos”

Tais citações de modo algum fariam sentido caso Jesus não tivesse sido uma pessoa real, comprovada historicamente. A existência de Jesus e as suas aparições depois de morto eram verdadeiras e exigiam uma resposta à altura das autoridades romanas, que, no caso, inventaram que os discípulos roubaram o corpo (Mt.28:13-15).


• Mara Bar-Serapião (73 d.C)

Mara Bar-Serapião foi um escritor sírio e filósofo estoico, que se tornou conhecido por uma carta que escreveu a seu filho, onde fornece uma das primeiras referências não-judaicas e não-cristãs sobre Jesus. No Museu Britânico está preservado um de seus manuscritos, sobre o qual F. F. Bruce assinala:

“No museu britânico um interessante manuscrito que preserva o texto de uma carta escrita um pouco depois de 73 A.D., embora não possamos precisar a data. Esta carta foi enviada por um sírio de nome Mara Bar-Serapião a seu filho Serapião. Na época Mara Bar-Serapião estava preso, mas escreveu para incentivar o filho na busca de sabedoria, tendo ressaltado que os que perseguiram homens sábios foram alcançados pela desgraça. Ele dá o exemplo de Sócrates, Pitágoras e Cristo”[30]

Na carta, ele compara Jesus Cristo aos filósofos Sócrates e Pitágoras. Ele escreveu para incentivar o filho na busca da sabedoria, tendo ressaltado que os que perseguiram homens sábios foram alcançados pela desgraça:

“Que vantagens os atenienses obtiveram em condenar Sócrates à morte? Fome e peste lhes sobrevieram como castigo pelo crime que cometeram”

“Que vantagem os habitantes de Samos obtiveram ao pôr fogo em Pitágoras? Logo depois sua terra ficou coberta de areia”

“Que vantagem os judeus obtiveram com a execução de seu sábio Rei? Foi logo após esse acontecimento que o reino dos judeus foi aniquilado”

E ele continua, dizendo:

«Com justiça Deus vingou a morte desses três sábios:

•  Os atenienses morreram de fome;
•  Os habitantes de Samos foram surpreendidos pelo mar;
• Os judeus, arruinados e expulsos de sua terra, vivem completamente dispersos.

Mas...

•  Sócrates não está morto; ele sobrevive nos ensinos de Platão.
•  Pitágoras não está morto; ele sobrevive na estátua de Hera.
•  Nem o sábio Rei está morto; Ele sobrevive nos ensinos que deixou.»

Essa relíquia de 73 d.C é outra prova da existência histórica de Jesus Cristo, e negá-la seria o mesmo que negar a existência histórica dos outros dois mestres citados por ele: Sócrates e Pitágoras. Uma vez que os ateus aceitam a existência destes últimos dois, por que deveriam negar a de Jesus, que é citado naquele mesmo contexto?

Alguns ateus dizem que este “Sábio Rei” poderia se tratar de outro que não fosse Jesus. Porém, qual a possibilidade de que até aquela época (73 d.C) tivesse surgido um outro homem que também:

• Foi executado.
• Era sábio.
• Morreu pouco antes da destruição de Jerusalém.
• Morreu antes da dispersão dos judeus.
• Teve os judeus como responsáveis pela sua morte.
• Ainda sobrevive por meio dos ensinos que deixou.
• Foi referido como rei.

Os ateus podem pesquisar à vontade a biografia de qualquer outro ser humano que se auto-proclamava “Messias” naqueles dias que não encontrará nenhum que preencha perfeitamente todos esses requisitos, como Jesus faz. A alusão de que os judeus foram destruídos “logo depois” da morte do Sábio Rei se encaixa perfeitamente dentro da descrição bíblica da morte de Jesus no primeiro século e na destruição de Jerusalém ainda dentro daquela geração.

Por isso, as propostas de que o Rei Sábio citado por Mara Bar-Serapião se trate de outro que não fosse Jesus, tais como Onias III e o essênio Judas, não possuem qualquer respaldo histórico. Se Onias fosse a referência, a dispersão dos judeus e a destruição de Jerusalém teria ocorrido 240 anos depois de quando realmente ocorreu (70 d.C), e se fosse o essênio Judas seria 170 depois. Portanto, a conclusão mais razoável é aquela que Habermas sugere:

“Dessa passagem aprendemos: (1) que Jesus era considerado um homem virtuoso; (2) Ele é apresentado duas vezes como um Rei Judeu, possivelmente em referência aos próprios ensinos de Cristo sobre si mesmo, ao qual os seguidores mencionavam, ou ainda da frase escrita sobre sua cabeça na crucificação; (3) Jesus foi executado injustamente pelos judeus que pagaram por seus atos errados sofrendo brevemente o julgamento posteriormente, provavelmente uma referência a queda de Jerusalém para o exército romano; (4) Jesus vive nos ensinamentos dos cristãos primitivos, que é um indicativo de que Mara Bar Serapião não era  cristão”[31]


• Talmude

O Talmude é outra fonte de origem judaica que confirma a existência histórica de Jesus. Ele é uma coleção de doutrinas e comentários sobre a lei dos judeus, que começou a ser escrita a partir do primeiro século d.C, por rabinos que decidiram colocar por escrito as tradições que eram pregadas oralmente pelos anciãos. Apesar de os judeus tratarem Jesus com mentiras e hostilidades, eles não negavam sua existência histórica. Uma dessas citações sobre Jesus (Yeshua) diz que ele foi pendurado na cruz na véspera da páscoa:

“Na véspera da páscoa, eles penduraram Yeshua (de Nazaré), sendo que o arauto esteve diante dele por quarenta dias anunciando (Yeshua de Nazaré) vai ser apedrejado por ter praticado feitiçaria e iludido e desencaminhado o povo de Israel. Todos os que sabiam alguma coisa em sua defesa vieram e suplicaram por ele. Mas nada encontraram em sua defesa e ele foi pendurado à véspera da páscoa”[32]

Para que esse Yeshua do Talmude seja outro Jesus que não o que conhecemos, teria que:

• Também ter vivido na mesma época de Jesus Cristo.
• Ter sido conhecido como “Yeshua de Nazaré” (Jesus de Nazaré).
• Ter praticado “feitiçaria” (que era como os judeus consideravam os milagres de Cristo).
• Ter sido condenado pelos romanos.
• Ter sido pendurado (na cruz) na véspera da páscoa.

É evidente que o Jesus de Nazaré que o texto trata é o mesmo Jesus de Nazaré que conhecemos. O Talmude não iria se referir a Jesus como sendo “Cristo”, pois tais judeus não criam que o Messias era Jesus. Mas a descrição de “Jesus de Nazaré” e todos os acontecimentos que o rodeiam já é mais que o suficiente para identificarmos Jesus Cristo no Talmude.

O Talmude Babilônico se refere a Jesus como “Ben Pandera” e “Jesus ben Pandera”, o que muitos estudiosos afirmam que é um jogo de palavras, pois “pandera” vem da palavra grega “panthenos”, que significa “virgem”. Em outras palavras: estaria chamando Jesus de “o filho da virgem”. O judeu Joseph Klauser afirmou que o nascimento ilegítimo de Jesus era uma ideia corrente entre os judeus. Ademais, o diálogo entre dois judeus registrado no Talmude também fala da existência de Jesus:

“Mestre, tu deves ter ouvido uma palavra de minuth (heresia); essa palavra deu-te prazer, e foi por isso que foste preso. Ele (Eliezer) respondeu: Akiba, tu fizeste-me recordar o que se passou. Um dia que eu percorria o mercado de Séforis, encontrei lá um dos discípulos de Jesus de Nazaré; Tiago de Kefar Sehanya era o seu nome. Ele disse-me: está escrito na vossa lei (Deuteronômio 23.18): Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à casa do Senhor teu Deus por qualquer voto. Que fazer dele? Será permitido usá-lo para construir uma latrina para o Sumo Sacerdote? E eu não respondi nada. Disse-me ele: Jesus de Nazaré ensinou-me isto: o que vem de uma prostituta, volte à prostituta; o que vem de um lugar de imundícies, volte ao lugar de imundícies. Esta palavra agradou-me, e foi por tê-la elogiado que fui preso como Minuth (herege)”

Sobre o texto acima, Klausner comenta:

“Não resta dúvida de que as palavras ‘um dos discípulos de Jesus de Nazaré’ e ‘assim Jesus de Nazaré me ensinou’ são, nesta passagem, de uma data bem antiga e também são fundamentais no contexto da história relatada”

Estas referências no Talmude, assim como outras (como o Sanhedrim 43ª que menciona os discípulos de Jesus), mostram que nem mesmo os judeus que não eram cristãos questionavam a existência histórica de Cristo. Eles sabiam que ele era conhecido por “Jesus de Nazaré”. Eles sabiam que Jesus operava milagres, embora atribuíssem tais atos a “magia” ou “feitiçaria”. Eles sabiam que Jesus foi pendurado numa cruz na véspera da páscoa. Eles sabiam que ele tinha um discípulo chamado Tiago. E eles sabiam que qualquer um que o seguisse seria preso ou morto pelas mesmas razões que Yeshua de Nazaré foi.


• Rei Abgar V

Abgar V ou Abgarus V de Edessa reinou entre 4 a.C a 50 d.C no reino de Osroene, tendo por capital Edessa, na Mesapotâmia.  Durante escavações de arqueólogos no sul da Turquia foi encontrada uma biblioteca do início da era cristã e fragmentos da carta de Anan, secretário do rei Abgar, a Jesus Cristo de Jerusalém. Pastro fala sobre essa importante descoberta arqueológica nas seguintes palavras:

“No século XIX, arqueólogos ingleses e franceses descobriram uma biblioteca no sul da Turquia datada dos primeiros anos da era cristã. Entre muitos textos, foram encontrados fragmentos de cartas do escrivão Labubna relatando viagens de Anan, secretário do rei Abgar V, que reinou do ano 13 ao 50 d.C. na cidade de Edessa, atual Urfa, na Turquia”[33]

Tal documento diz:

“Abgar, toparca da cidade de Edessa, a Jesus Cristo, o excelente médico que surgiu em Jerusalém, salve! Ouvi falar de ti e das curas que realizas sem remédios. Contam efetivamente que fazes os cegos ver, os coxos andar, que purificas os leprosos, expulsas os demônios e os espíritos imundos, curas os oprimidos por longas doenças e ressuscitas os mortos. Tendo ouvido falar de ti tudo isso, veio-me a convicção de duas coisas: ou que és Filho daquele Deus que realiza estas coisas, ou que és o próprio Deus. Por isso escrevi-te pedindo que venhas a mim e me cures da doença que me aflige e venhas morar junto a mim. Com efeito, ouvi dizer que os judeus murmuram contra ti e te querem fazer mal. Minha cidade é muito pequena, é verdade, mas honrada e bastará aos dois para nela vivermos em paz”[34]

O historiador eclesiástico do século IV, Eusébio de Cesareia, também registrou em sua História Eclesiástica (325 d.C) a correspondência trocada entre Abgar de Edessa e Jesus. Eusébio estava convicto que as cartas originais, escritas em síriaco, estavam arquivadas em Edessa, e inclui na sua obra o texto das duas cartas. Eusébio também afirma que Jesus enviou a Abgar um dos setenta e dois discípulos, conhecido por Tadeu de Edessa, em 29 d.C, e que Abgar teria se convertido à fé cristã.


• O ossuário do irmão de Jesus

Essa foi a primeira descoberta arqueológica referente a Jesus e Sua família. O ossuário de Tiago, irmão de Jesus, data do século I e traz a inscrição em aramaico: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” (Ya'akov bar Yosef achui d'Yeshua). O ossuário foi comprado há muito tempo por um colecionador judeu que nem suspeitava da importância daquele artefato. Mas quando, em Abril de 2002, o renomado estudioso francês André Lemaire o viu em uma urna, escrito na língua falada por Jesus, logo descobriu a sua importância.

Esse valioso achado arqueológico foi logo desacreditado pelos ateus, que alegaram falsificação. Por isso, ele foi submetido a testes pelo Geological Survey of State of Israel e, depois de muita investigação, foi declarado autêntico. De acordo com o The New York Times, “essa descoberta pode muito bem ser o mais antigo artefato relacionado à existência de Jesus”. Submetido a análises de datação histórica, foi constatado que ele remetia a aproximadamente 63 d.C, que, curiosamente, é exatamente a época em que o irmão de Jesus foi martirizado, de acordo com a tradição cristã!

O julgamento definitivo, que foi feito em 2012, provou a autenticidade do ossuário do irmão de Jesus. A matéria da revista norte-americana Biblical Archeological Review abordou o caso nas seguintes palavras:

«Depois de um julgamento de mais de cinco anos com 138 testemunhas, mais de 400 exposições e uma transcrição do julgamento de 12.000 páginas, o Juiz Aharon Farkash do Tribunal Distrital de Jerusalém inocentou os réus de todas as acusações de falsificação. Sua opinião no caso, proferido em 14 de Março, tem 474 páginas. Os acusados Oded Golan e Robert Deutsch foram inocentados de todas as acusações de falsificação.

Dos cinco réus indiciados originalmente em 2004, apenas dois permaneceram no caso: Oded Golan, um colecionador de antiguidades com uma das coleções mais importantes em Israel (ele foi considerado culpado da acusação menor de negociação de antiguidades sem licença); e Robert Deutsch, o mais proeminente negociante de antiguidades, em Israel, que também ensinou na Universidade de Haifa, serviu como supervisor em escavação arqueológica de Megiddo e é autor de livros acadêmicos, sozinho e com outros estudiosos de renome internacional.

O mais famoso dos objetos acusados de serem falsificações é uma inscrição em um Ossuário ou caixa de ossos em que se lê: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Ele recebeu sua primeira publicação na revista Biblical Archeological Review (Revista de Arqueologia Bíblica) em 21 de outubro de 2002. No dia seguinte, ele estava na primeira página de quase todos os jornais do mundo, incluindo o New York Times e Washington Post.

Análises Paleográficas e a existência de antiga pátina sugeriram que a inscrição é autêntica. A primeira parada em qualquer investigação sobre esta questão seria na porta dos paleógrafos – estudiosos que podem datar e autenticar as inscrições de certos períodos históricos específicos com base no estilo e na posição das letras. Neste caso, a inscrição foi autenticada por duas das maiores autoridades mundiais em Paleografia da atualidade, Andre Lemaire da Sorbonne e Ada Yardeni da Universidade Hebraica de Jerusalém.

O que é ainda mais significativo é que nenhum paleógrafo de qualquer reputação mesmo sugeriu que esta inscrição pode ser uma falsificação. Não há nenhum “outro lado da questão”, falando em termos de Paleografia.

Há outras razões, mais simples, para se crer que a inscrição não é uma falsificação. Oded Golan possuía o Ossuário de Tiago desde a década de 1970. Ele provou isso com fotografias antigas autenticadas por um ex-agente do FBI nas quais é usado um tipo de papel que não é mais usado em uma data posterior. E Golan nunca tentou vender o ossuário ou divulgar a inscrição. Ele afirma veementemente que nem sabia que o Novo Testamento menciona Tiago como o irmão de Jesus, ou como ele disse, “eu nunca soube que Deus poderia ter um irmão”. Ainda mais compreensivelmente, ele não tinha ideia que o nome Ya’acov (como está escrito no ossuário) e Jacob (para qualquer israelita) foi traduzido como “James” no Novo Testamento em Inglês.

A imprensa mundial não deu atenção ao veredicto deste caso. Desde o dia 14 de março último, quase nada foi noticiado pelos canais de televisão internacionais ou nacionais, ou nos jornais ou revistas (com exceção da BAR)»

A razão pela qual praticamente toda a grande mídia silenciou completamente com essa grandessíssima descoberta da autenticidade do ossuário de Tiago, o irmão de Jesus, mesmo diante de todas as alegações contrárias e de um tribunal constituído por 138 testemunhas, mais de 400 exposições e uma transcrição do julgamento de 12.000 páginas, é muito simples: suas implicações.

Não há qualquer vantagem em uma mídia predominantemente ateísta e católica divulgar a autenticidade de um ossuário que prova que Jesus teve um irmão de sangue (o que contraria o dogma católico da virgindade perpétua de Maria) e que ele realmente existiu (o que contraria as pretensões da parte secular e anticristã da mídia). Para a mídia, faz muito mais sentido fazer o maior alarde com um pedaço de dente que pessoas com uma imaginação muito fértil dizem ter sido de um ancestral humano para “provar” a teoria da evolução (ainda que esse achado seja contestado e refutado posteriormente pelos próprios cientistas!).

A verdade, contudo, não depende da divulgação da grande mídia secular, depende das provas históricas, científicas e arqueológicas, que em tudo corroboram com as crenças cristãs, inclusive, é lógico, com a existência histórica de Jesus Cristo: que só não é incontestável para quem tem medo das implicações óbvias que esse fato nos leva.


• Constantino e o Concílio de Niceia

A despeito de todas as provas históricas apresentadas aqui de autores não-cristãos atestando a existência histórica de Cristo e de seus seguidores já no primeiro século da era cristã, os conspiracionistas não desistem. Eles gostam muito de citar Constantino e o Concílio de Niceia em todas as suas teorias conspiratórias.

Se você acha que Jesus é um mito, mas não tem qualquer prova ou evidência disso, é muito simples: diga que foi inventado no Concílio de Niceia. Se você acha que alguém começou a inventar o “mito de Jesus”, mas não sabe quem foi nem tem a mínima ideia de quem possa ter feito isso, não desista tão rápido de sua teoria conspiratória para enganar os incautos e os ignorantes: é muito mais simples citar o nome de Constantino.

E já que essas pessoas a quem você (conspiracionista) se dirige são tão ou mais ignorantes quanto você mesmo, e tão ou mais preguiçosas de irem averiguar a verdade quanto você, obviamente elas não vão nem ao menos se darem ao trabalho de no mínimo lerem os cânones de Niceia. Aceitam passivamente qualquer teoria da conspiração por mais ridícula que seja, tamanha a vontade delas em refutarem a fé cristã. E infelizmente tais teorias conspiracionistas tem tido bastante sucesso em nosso meio, porque as pessoas geralmente não se preocupam em se informar, mas creem cegamente em tudo o que lhes é dito – contanto que seja algo contra a fé cristã.

Quando estava no segundo ano da faculdade, a professora passou na sala o filme de Zeitgeist (um documentário famoso que tenta provar que Jesus Cristo é um mito que nunca existiu e que é um plágio de mitos pagãos), e alguns alunos começaram a omitir opiniões sobre o vídeo. Impressionou-me o número de comentários dizendo que “Constantino criou a Bíblia”, “o Concílio de Niceia inventou Jesus”, dentre tantos outros comentários semelhantes. Eu pensei: “Meu Deus, esse pessoal nunca deve ter lido um único cânon de Niceia sequer”!

E estava certo. 

Quando tomei a palavra, primeiro questionei se alguém dali já tinha lido algum cânon de Niceia. Nenhuma resposta afirmativa. Apenas tinham lido teorias da conspiração sobre Niceia. Não Niceia.

Depois, passei a expor-lhes rapidamente como que autores cristãos citaram a Bíblia e Jesus muito antes de Niceia. Clemente, Justino, Tertuliano, Inácio, Policarpo, Atenágoras, Orígenes, dentre muitos outros. Como também que autores não-cristãos citaram Jesus e os cristãos muito antes de Niceia e ainda no século I ou início do II, como Josefo, Tacito, Flêgão, Suetônio, Mara Bar-Serapião, Talo, Luciano de Samosota, Plínio, o Talmude e tantos outros. E, por fim, como que pelo menos cinco mil manuscritos gregos antigos do Novo Testamento já existiam antes de Niceia, de data bem antiga. Por alguma razão misteriosa, a professora mudou de assunto e continuou a aula.

A verdade é que tais conspiracionistas nunca leram uma única linha de história antiga, nem um único cânon de qualquer concílio da Igreja, seja o de Niceia ou qualquer outro. Inferir que Jesus foi uma criação de Constantino no Concílio de Niceia é completamente ridículo. De onde eles encontraram 318 bispos para se reunirem em Niceia se não existiam cristãos naquela época? E os outros concílios que existiram antes de Niceia, como o Concílio de Cartago (257)? E os escritores cristãos que existiram muitos séculos antes de Niceia, e escreveram centenas de obras antigas de enorme valor histórico?

Apenas para citar alguns do século I e II:

Policarpo (69 - 155). Foi bispo de Esmirna e foi discipulado pelo apóstolo João. Foi martirizado em 155 d.C e escreveu uma epístola aos Filipenses[35].

Clemente de Roma (35 - 97). Foi bispo de Roma e escreveu pelo menos uma carta aos coríntios ainda no final do primeiro século[36].

Inácio de Antioquia (35 - 107). Foi bispo de Antioquia e nasceu ainda na primeira era apostólica, conviveu com vários apóstolos e escreveu sete epístolas a várias igrejas da época, ainda no primeiro século. Foi martirizado pelos romanos no início do segundo século[37].

• Justino de Roma (100 - 165). Foi um filósofo convertido ao Cristianismo que escreveu várias obras e tratados sobre a fé cristã, dentre elas duas Apologias e um Diálogo com Trifão sobre o judaísmo. Viveu em meados do segundo século[38].

Hermas (Séc.I). Escreveu o livro do Pastor de Hermas ainda no final do primeiro século, que em algumas comunidades fez parte do cânon bíblico junto ao Apocalipse[39].

Aristides de Atenas (Séc.II). Autor cristão grego do século II que escreveu a Apologia de Aristides em favor dos cristãos[40].

Atenágoras de Atenas (133 – 190). Apologista cristão do segundo século. Escreveu a Petição em Favor dos Cristãos e uma obra Sobre a Ressurreição dos Mortos[41].

• Papias de Hierápolis (70 – 155). Bispo de Hierápolis e escritor eclesiástico, discípulo do apóstolo João e companheiro de Policarpo, foi martirizado junto a este[42].

• Irineu de Lyon (130 – 202). Bispo, teólogo e escritor cristão que ficou famoso por sua obra Contra as Heresias, onde refuta as teses gnósticas[43].

• Teófilo de Antioquia (120 - 186). Outro filósofo cristão, foi bispo de Antioquia e escreveu três cartas a Autólico ainda no século II[44].

Existem muitos outros exemplos de muitos outros cristãos famosos no primeiro e no segundo século, que escreveram várias obras cristãs, tratados filosóficos, teológicos e exortações às diversas comunidades cristãs da época. Nada disso faria sentido se tivesse sido somente em Niceia, ou seja, no quarto século depois de Cristo, que surgiram os primeiros cristãos. Tal conspiracionista é, no mínimo, um completo ignorante de história antiga. Para ele, toda a História foi corrompida, a única coisa que não foi corrompida é a mente de alguém que imagina que centenas de escritores cristãos e seculares escreveram sobre Jesus e os cristãos muito antes de Niceia sendo que eles ainda não existiam!


• Considerações Finais

Apenas com aquilo que possuímos de documentação histórica de autores não-cristãos, podemos seguramente afirmar que Jesus:

(1) Foi morto e crucificado, mas os discípulos estavam realmente certos de que ele havia ressuscitado (Josefo)

(2) Tinha um irmão chamado Tiago (Josefo)

(3) Os seguidores foram feitos objetos de esporte, foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna (Tácito)

(4) Os cristãos (seus seguidores) foram destinados ao suplício (Suetônio)

(5) Os judeus foram expulsos de Roma por causa de Cristo (Suetônio)

(6) Introduziu uma nova seita no mundo (Luciano de Samosata)

(7) Seus seguidores continuam se reunindo regularmente para lhe prestar culto como a Deus (Plínio)

(8) Seus discípulos se recusavam a prestar culto aos deuses romanos (Luciano de Samosata)

(9) Seus seguidores se recusavam a amaldiçoá-lo, mesmo sob tortura (Plínio)

(10) Eram castigados em caso de não se arrependerem e começassem a adorar os deuses pagãos (Imperador Trajano)

(11) Na sua morte ocorreu um eclipse do sol durante a lua cheia (Flêgão)

(12) É comparado a Sócrates e Pitágoras pela sua sabedoria (Mara Bar-Serapião)

(13) Morreu crucificado (Josefo)

(14) Pregava em Nazaré (Talmude)

(15) Ressuscita os mortos e cura os enfermos (Rei Abgar V)

(16) Foi crucificado na véspera da páscoa (Talmude)

(17) Pouco depois de sua morte, os judeus foram dispersos e destruídos (Mara Bar-Serapião)

(18) Era adorado pelos seus seguidores (Luciano de Samosata)

(19) Foi crucificado na Palestina (Luciano de Samosata)

(20) Tinha um irmão chamado Tiago e um pai chamado José (Ossuário do Irmão de Jesus)

(21) Fazia os cegos verem, os coxos andarem, purificava os leprosos, expulsava os demônios e os espíritos imundos, curava os oprimidos por longas doenças e ressuscitava os mortos (Rei Abgar V)

(22) Foi chamado de “Cristo” (Josefo)

(23) Praticou “magia”, conduzindo Israel a novos ensinamentos (Talmude)

(24) Afirmou ser Deus e que retornaria (Eliezer)

(25) Morreu na época da lua cheia da Páscoa (Talo)

(26) Foi condenado por Pôncio Pilatos no governo de Tibério César (Tácito)

(27) Trevas e um terremoto aconteceram quando ele morreu (Talo)

(28) Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença (Plínio)

(29) Foi pendurado a véspera da Páscoa (Sinédrio da Babilônia)

(30) Era considerado o “Filho de Deus” (Rei Abgar V)

As evidências para a existência histórica de Cristo são tão esmagadoras que para alguém negar honestamente a existência de Jesus teria que fazer o mesmo com toda a história antiga, já que ele é citado muito mais vezes do que a grande maioria dos outros nomes que conhecemos hoje. Nomes como Sócrates, Pitágoras, Platão, Aristóteles, Alexandre o Grande e Tibério César possuem muito menos documentação histórica da época do que Jesus, e mesmo assim os mais céticos e ateus costumam crer na existência histórica destes personagens.

Com Alexandre o Grande, por exemplo, que conquistou grande parte do mundo de sua época e se tornou famoso e mundialmente reconhecido (não só pelos gregos, mas por todas as nações), não temos uma única fonte histórica da época em que ele vivia ou pouco após a sua morte. Ao contrário: temos apenas fragmentos de duas obras escritas mais de cem anos depois de sua morte. A maioria dos registros sobre os feitos de Alexandre são de 300 a 500 anos depois de sua época, mas os ateus não questionam Alexandre, questionam Jesus, que possui muito mais evidência histórica.

Outro exemplo: o imperador romano da época do próprio Jesus, Tibério César. Enquanto temos no mínimo 15 fontes não-cristãs de conhecidos escritores mencionando Jesus em um período de até 150 anos depois de sua morte, para Tibério temos apenas nove fontes não-cristãs que abrangem essa mesma época! Então, mesmo se nem levássemos em conta os escritos cristãos, os que mencionaram Jesus superam aqueles que mencionaram Tibério. E, se contássemos as fontes cristãs desta mesma época, os que mencionam Jesus superam de goleada os que mencionam Tibério, em uma proporção de 43 para 10!

Por tudo isso, para alguém suspeitar da historicidade de Cristo teria que, no mínimo, duvidar de toda a história antiga. Teria que abandonar todo o conhecimento histórico que aprendeu na escola, no colégio e na faculdade, teria que jogar no lixo todos os livros de História e duvidar de todos os grandes nomes do passado. Isso, obviamente, nenhum ateu faz, porque só são incrédulos em relação a Jesus, e extremamente crédulos em todo o resto da história antiga – mesmo que isso seja um tremendo de um contra-senso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "As Provas da Existência de Deus")


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[1] Antiguidades, VIII, III.
[2] Antiguidades, 20.9.1.
[3] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
[4] História dos Hebreus, p. 476.
[5] Antiguidades Judaicas. Livro XVIII. Capítulo VII. Parágrafo 781.
[6] Tácito, Anais, XV, 44 trad. 1 pg. 311; 3.
[7] Tácito, Anais, XV.44.
[8] Tácito, Anais. Tradução de J.L. Freire de Carvalho. W.M. Jackson Inc. Rio de Janeiro. 1950. pp 405-409.
[9] Dialogus de Oratoribus.
[10] Anais. Livro XIII. Parágrafo XXXII.
[11] A Passagem do Peregrino, 11 e 13.
[12] A Passagem do Peregrino, 12.
[13] A Morte do Peregrino, 11-13.
[14] Luciano de Samosata, Alexandre, o monge-oráculo, pp. 223-224.
[15] Epístolas X, 96.
[16] Epístola X, 97.
[17] Plínio, o Jovem, L, 10:97.
[18] “Documentos da Igreja Cristã”, p.30.
[19] Suetônio, Vida dos doze Césares, n. 25, p. 256-257.
[20] ibid.
[21] Fragments, XII.
[22] Divine Institutes, XIII.
[23] To Autolycous, III, XXIX.
[24] Apology, X.
[25] Horatory to address to the greeks, IX.
[26] História dos Judeus – CPAD, 2000, pp.424.
[27] MACDOWELL, Josh, Evidências que exigem um veredito, Cadeia, 1992, pp.107.
[28] MAIER, Paul, Pontius Pilate, p.366; IN: STROBEL, Lee, Em defesa de Cristo, Vida, 1998, 111.
[29] De opif.mund.II 21.
[30] BRUCE, F.F., Merece Confiança o Novo Testamento, Vida Nova, 1965, pp.148.
[31] HABERMAS, Gary. Historical Jesus, College Press, 1996; pp.208.
[32] Sinédrio da Babilônia, 43ª.
[33] PASTRO, Arte Sacra, p.182.
[34] GHARIB, Os Ícones de Cristo, p.43.
[38] Suas obras podem ser conferidas no seguinte endereço: http://www.newadvent.org/fathers/
[43] Essa obra pode ser conferida no seguinte endereço:  http://www.newadvent.org/fathers/0103.htm

1 comentários:

  1. Parabéns pelo post, somente uma observação , o citado yeshu, do Talmud não é Yeshua ha Mashiach , o Talmud nunca falou dele.

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