sábado, 27 de dezembro de 2014

Os evangelhos são historicamente confiáveis? (Parte 2) - Norman Geisler e Frank Turek


Demonstrou-se que Lucas é confiável e, por implicação, Mateus e Marcos também são , mas o que dizer de João? Os críticos afirmam que João é uma obra muito posterior que expressa uma teologia inventada sobre a divindade de Cristo, e, assim, não se pode confiar nela para obter-se informação histórica precisa. Mas se os críticos estiverem errados e se João for preciso, então temos outra testemunha independente para concluir que a história básica do NT é verdadeira. Desse modo, quão preciso é João? O que as evidências dizem?

Provavelmente, João parece ser uma testemunha ocular porque inclui detalhes específicos sobre diversas conversas particulares de Jesus (v. Jo 3,4,8-10, 13-17). Mas o fato é que existem muitas outras evidências decisivas atestando que João é uma testemunha ocular evidências praticamente do mesmo caráter das que vimos no livro de Atos.

De maneira similar ao projeto de Colin Hemer com o livro de Atos, Craig Blomberg fez o mesmo estudo detalhado do evangelho de João. A obra de Blomberg chamada The Historical Reliability of John's Gospel [A confiabilidade histórica do evangelho de João] examina o evangelho de João versículo por versículo e identifica uma enorme quantidade de detalhes históricos.

Uma vez que João descreve fatos restritos à terra santa, seu evangelho não contém tantos itens geográficos, topográficos e políticos como Atos. Todavia, como estamos prestes a ver, uma quantidade bastante grande de detalhes historicamente confirmados ou historicamente prováveis estão contidos no evangelho de João. Muitos desses detalhes foram confirmados como históricos por arqueólogos e/ou escritores não-cristãos, e alguns deles são historicamente prováveis porque muito dificilmente seriam invenções de um escritor cristão. Esses detalhes iniciam-se no segundo capítulo de João e compõem a lista a seguir:

1. A arqueologia confirmou o uso de jarros de água feitos de pedra nos tempos do NT (Jo 2.6);

2. Dada a antiga tendência cristã ao ascetismo, é muito pouco provável que o milagre do vinho seja uma invenção (2.8);

3. A arqueologia confirma o lugar correto do poço de Jacó (4.6);

4. Josefo (História da Guerra Judaica 2.232) confirma que havia hostilidade significativa entre judeus e samaritanos durante os tempos de Jesus (4.9);

5. O termo "desce" (RA e RC) descreve com precisão a topografia da Galiléia ocidental (existe uma queda significativa da elevação de Caná para Cafarnaum; 4.46,49,51);

6. O termo "subiu" descreve perfeitamente a subida a Jerusalém (5.1);

7. A arqueologia confirma a correta localização e a descrição de cinco entradas no tanque de Betesda (5.2). Escavações realizadas entre 1914 e 1938 revelaram o tanque, e ele era exatamente como João o havia descrito. Uma vez que essa estrutura não mais existia depois de os romanos terem destruído a cidade no ano 70 d.e, é improvável que qualquer outra testemunha não ocular pudesse tê-lo descrito com tal nível de detalhes. Além do mais, João diz que essa estrutura "está" ou "existe" em Jerusalém, implicando que está escrevendo antes do ano 70);

8. É improvável que o fato de o próprio testemunho de Jesus não ser válido sem o Pai seja uma invenção cristã (5.31); o redator posterior desejaria muito destacar a divindade de Jesus e provavelmente faria que seu testemunho fosse autenticado por si mesmo;
9. O fato de as multidões quererem fazer Jesus rei reflete o bastante conhecido fervor nacionalista de Israel do século I (6.15);

10. Tempestades repentinas e severas são comuns no mar da Galiléia (6.18);

11. A ordem de Cristo para que comessem sua carne e bebessem seu sangue não seria inventada (6.53);

12. É improvável que a rejeição a Jesus por parte de muitos de seus discípulos também seja uma invenção (6.66);

13. As duas opiniões predominantes sobre Jesus uma de que ele é "um bom homem" e outra de que ele "está enganando o povo" não seriam as duas opções que João escolheria se estivesse inventando uma história (7.12); um escritor cristão posterior provavelmente teria inserido a opinião de que Jesus era Deus;

14. É improvável que a acusação de Jesus estar possuído por demônios seja uma invenção (7.20);

15. O uso do termo "samaritano" para ofender Jesus encaixa-se na hostilidade entre judeus e samaritanos (8.48);

16. É improvável que o desejo dos judeus que haviam crido nele de apedrejá-lo seja uma invenção (8.31,59);

17. A arqueologia confirma a existência e a localização do tanque de Siloé (9.7);

18. Ser expulso da sinagoga pelos fariseus era um temor legítimo dos judeus. Perceba que o homem curado professa sua fé em Jesus somente depois de ter sido expulso da sinagoga pelos fariseus (9.13-39), momento em que ele não tinha mais nada a perder. Isso transpira autenticidade;

19. O fato de o homem curado chamar Jesus de "profeta', e não outra designação mais elevada, sugere que o incidente é uma história sem retoques (9.17);

20. Durante uma festa no inverno, Jesus caminhou pelo Pórtico de Salomão, que era o único lado da área do templo protegido do vento frio vindo do leste durante o inverno (10.22,23); essa área é mencionada diversas vezes por Josefo;

21. Três quilômetros (15 estádios) é a distância exata entre Betânia e Jerusalém (11.18);

22. Devido à animosidade posterior entre cristãos e judeus, é improvável que a descrição de que os judeus confortaram Marta e Maria seja uma invenção (11.19);

23. Os panos usados para sepultar Lázaro eram comuns nos sepultamentos judaicos do século I (11.44); é improvável que um autor ficcional incluísse esse detalhe irrelevante no aspecto teológico;

24. A descrição precisa da composição do Sinédrio (11.47): durante o ministério de Jesus, ele era composto basicamente pelos principais sacerdotes (em grande parte saduceus) e pelos fariseus;

25. Caifás realmente era o sumo sacerdote naquele ano (11.49); aprendemos com Josefo que Caifás permaneceu no ofício entre 18 e 37 d.C.;

26. A pequena e obscura vila de Efraim (11.54), perto de Jerusalém, é mencionada por Josefo;

27. A limpeza cerimonial era comum na preparação para a Páscoa (11.55);

28. Às vezes os pés de um convidado especial eram ungidos com perfume ou óleo na cultura judaica (12.3); é improvável que o ato de Maria em secar os pés de Jesus com os cabelos seja uma invenção (isso poderia facilmente ter sido visto como uma provocação sexual);

29. A agitação de ramos de palmeiras era uma prática judaica comum para celebrar as vitórias militares e dar boas-vindas aos governantes nacionais (12.13);

30. A lavagem dos pés na Palestina do século I era necessária por causa da poeira e dos calçados abertos. É improvável que o relato de Jesus executando essa tarefa tão servil seja uma invenção (essa é uma tarefa que nem mesmo os escravos judeus eram obrigados a fazer) (13.4); a insistência de Pedro para que recebesse um banho completo também se encaixa com sua personalidade impulsiva (certamente não havia propósito em inventar esse pedido);

31. Pedro faz um sinal a João para que este faça uma pergunta a Jesus (13.24); não há razão para inserir esse detalhe se ele fosse uma ficção, pois o próprio Pedro poderia ter feito a pergunta diretamente a Jesus;

32. É improvável que a frase "o Pai é maior do que eu" seja uma invenção (14.28), especialmente se João quisesse produzir a divindade de Cristo (como os críticos afirmam que ele fez);

33. O uso de vinho como uma metáfora tem sentido em Jerusalém (15.1); os vinhedos estavam na proximidade do templo, e, de acordo com Josefo, os portões do templo tinham uma vinha dourada entalhada neles;

34. O uso da metáfora do nascimento de uma criança (16.21) é plenamente judaico; foi encontrado nos Manuscritos do mar Morto (lQH 11.9,10);

35. A postura-padrão judaica para as orações era olhar "para o céu" (17.1);

36. A confirmação de Jesus de que suas palavras vieram do Pai (17.7,8) não seria incluída se João estivesse inventando a idéia de que Jesus era Deus;

37. Nenhuma referência específica a uma passagem das Escrituras já cumprida é dada no que se refere à predição da traição de Judas; um escritor ficcional ou um redator cristão posterior provavelmente teria identificado os textos do AT aos quais Jesus estava se referindo (17.12);

38. É improvável que o nome do servo do sumo sacerdote (Malco) que teve sua orelha cortada seja uma invenção (18.10);

39. A correta identificação do sogro de Caifás, Anás, que foi o sumo sacerdote entre os anos 6 e 15 d. e. (18.13) o comparecimento diante de Anás é crível por causa da ligação familiar e do fato de que os ex-sumos sacerdotes preservavam uma grande influência;

40. A afirmação de João de que o sumo sacerdote o conhecia (18.15) parece histórica; a invenção dessa afirmação não serve a propósito algum e exporia João a ser desacreditado pelas autoridades judaicas;

41. As perguntas de Anás em relação aos ensinamentos e aos discípulos de Jesus fazem sentido no aspecto histórico; Anás estaria preocupado com a possibilidade de um tumulto civil e uma diminuição da autoridade religiosa judaica (18.19);

42. A identificação de um parente de Malco (o servo do sumo sacerdote que teve sua orelha cortada) é um detalhe que João não teria inventado (18.26); ele não tem nenhuma importância teológica e apenas poderia afetar a credibilidade de João se estivesse tentando fazer uma ficção se passar por verdade;

43. Existem boas razões históricas para acreditar na relutância de Pilatos de lidar com Jesus (18.285): Pilatos precisava equilibrar-se numa linha muito tênue, mantendo felizes tanto os judeus quanto Roma; qualquer perturbação civil poderia custar-lhe a posição (os judeus sabiam de suas preocupações com uma competição quando o desafiaram, dizendo: "Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei opõe-se a César", 19.12; o filósofo judeu Fílon registra que os judeus fizeram uma pressão bem-sucedida sobre Pilatos de maneira similar para que tivessem suas exigências satisfeitas (A Caio 38.301,302);

44. Uma superfície similar ao Pavimento de Pedra foi identificada próxima da fortaleza de Antônia (19.13) com marcas que podem indicar que os soldados entretinham-se ali com jogos (como no caso de tirar sortes para decidir quem ficaria com as roupas de Jesus em 19.24);

45. O fato de os judeus exclamarem "Não temos rei, senão César" (19.15) não seria inventado, dado o ódio judaico pelos romanos, especialmente se o evangelho de João tivesse sido escrito depois do ano 70 d.C. (isso seria o mesmo que os moradores de Nova York de hoje proclamarem "Não temos rei, senão Osama bin Laden!");

46. A crucificação de Jesus (19.17-30) é atestada por fontes não-cristãs como Josefo, Tácito, Luciano e o talmude judaico;

47. As vítimas de crucificação normalmente levavam sua própria travessa  (19.17);

48. Josefo confirma que a crucificação era uma técnica de execução empregada pelos romanos (História da Guerra Judaica 1.97; 2.305; 7.203); além disso, um osso do tornozelo de um homem crucificado, perfurado por um prego, foi encontrado em Jerusalém em 1968;

49. É provável que a execução tenha acontecido fora da antiga Jerusalém, como diz João (19.17); isso garantiria que a cidade sagrada judaica não fosse profanada pela presença de um corpo morto (Dt 21.23);

50. Depois de a lança ter perfurado o lado de Jesus, saiu aquilo que parecia ser sangue e água (19.34). Hoje sabemos que a pessoa crucificada pode ter uma concentração de fluidos aquosos na bolsa que envolve o coração, chamada de pericárdio. João não saberia dessa condição médica e não poderia ter registrado esse fenômeno a não ser que tivesse sido testemunha ocular dele ou tivesse acesso ao depoimento de uma testemunha ocular;

51. É improvável que José de Arimatéia (19.38), o membro do Sinédrio que sepultou Jesus, seja uma invenção (leia mais sobre isso no capítulo seguinte);

52. Josefo (Antiguidades Judaicas 17.199) confirma que especiarias (19.39) eram usadas em sepultamentos reais. Esse detalhe mostra que Nicodemos não estava esperando que Jesus ressuscitasse dos mortos e também demonstra que João não estava inserindo fé cristã posterior em seu texto;

53. Maria Madalena (20.1), uma mulher que fora possuída por demônios (Lc 8.2), não seria inventada como a primeira testemunha do túmulo vazio. O fato é que as mulheres em geral não seriam apresentadas como testemunhas numa história inventada (leia mais sobre isso a seguir);

54. O fato de Maria confundir Jesus com um jardineiro (20.15) não é um detalhe que um escritor posterior teria inventado (especialmente um escritor buscando exaltar Jesus);

55. "Rabôni" (20.16), o termo aramaico para "mestre", parece um detalhe autêntico porque é outra improvável invenção para um escritor tentando exaltar o Jesus ressurreto;

56. O fato de Jesus afirmar que ele está voltando "para meu Pai e Pai de vocês" (20.17) não se encaixa com um escritor posterior inclinado a criar a idéia de que Jesus era Deus;

57. O total de 153 peixes (21.11) é um detalhe teologicamente irrelevante, mas perfeitamente coerente com a tendência dos pescadores de quererem registrar e depois se gabar de suas grandes pescarias;

58. O medo dos discípulos de perguntarem a Jesus quem ele era (21.12) é uma trama improvável. Ele demonstra a natural surpresa humana diante do Cristo ressurreto e talvez o fato de que havia alguma coisa diferente em relação a seu corpo ressurreto;

59. A enigmática declaração de Jesus sobre o destino de Pedro não é clara o suficiente para tirar-se dela certas conclusões teológicas (21.18); então, por que João a inventaria? Isso é outra invenção improvável.

Quando reunimos o conhecimento que João tinha das conversas pessoais de Jesus a esses quase 60 detalhes historicamente confirmados e/ou historicamente prováveis, existe alguma dúvida de que João tenha sido uma testemunha ocular ou que, pelo menos, tenha tido acesso ao depoimento de testemunhas oculares? Certamente nos parece que é preciso ter muito mais fé para não acreditar no evangelho de João do que para acreditar nele.


Marcos Históricos

Vamos revisar o que descobrimos até aqui. Analisando apenas alguns documentos do NT (João, Lucas e metade do livro de Atos), descobrimos mais de 140 detalhes que parecem ser autênticos, a maioria dos quais tendo confirmação histórica e alguns deles sendo historicamente plausíveis. Se investigarmos outros documentos do NT, provavelmente encontraremos mais fatos históricos. O tempo e o espaço não nos permitem embarcar nessa investigação. Mas é certo que aquilo que descobrimos somente com João, Lucas e Atos é suficiente para estabelecer a historicidade da narrativa básica do NT (a vida de Jesus e a história inicial da igreja).

Existem, porém, ainda mais evidências de historicidade. Os autores do NT colocaram marcos históricos em seus relatos ao referirem-se a personagens históricas reais e aos seus feitos. Ao todo, existem pelo menos 30 personagens no NT que foram confirmadas como históricas pela arqueologia ou por fontes não-cristãs. Mateus, por exemplo, menciona personagens históricas confirmadas independentemente, dentre as quais Herodes, o Grande (2.3), e seus três filhos:

Herodes Arquelau (2.22), Herodes Filipe (14.3) e Herodes Antipas (14.1-11). Mateus também descreve o homem morto por Herodes Antipas, João Batista (cap. 14, apresentado no capo 3), juntamente com as duas mulheres que instigaram sua morte, Herodias e sua filha. Marcos nos conta a mesma história sobre Herodes Antipas e João Batista. Lucas estende as citações bíblicas da linhagem herodiana ao mencionar o neto de Herodes, o Grande, Agripa I o rei que matou Tiago, o irmão de João (At 12) e seu bisneto, Agripa II o rei diante de quem Paulo testemunhou (At 25.13-26.32).

Pilatos é uma figura proeminente em todos os quatro evangelhos e é citado por Paulo. Esse mesmo Pilatos aparece em diversas ocasiões em duas das obras de Josefo (Antiguidades Judaicas e História da Guerra Judaica) e é identificado numa inscrição antiga como chefe da prefeitura ou governador da Judéia. Essa descoberta arqueológica foi feita na cidade costeira israelense de Cesareia, em 1961.

Mateus, Lucas e João mencionam especificamente, além de Pilatos, outro líder que figurou de maneira proeminente na morte de Jesus: o sumo sacerdote Caifás, que sentenciou Jesus à morte. Caifás não apenas é mencionado por Josefo, mas seus ossos foram descobertos numa fantástica investigação arqueológica em 1990. Essa descoberta foi possível graças a uma antiga prática de sepultamento dos judeus.

Entre 20 a.C. e 70 d.C., os judeus tinham o costume de exumar o corpo de uma pessoa importante cerca de um ano depois de sua morte e colocar os seus restos em uma pequena caixa de pedra calcária chamada ossuário. Vários desses ossuários foram descobertos numa tumba localizada ao sul de Jerusalém, um dos quais continha a inscrição em aramaico "Yehosefbar Kayafà” (José, filho de Caifás). Dentro da caixa, havia ossos de toda uma família: quatro jovens, uma mulher adulta e um homem de cerca de 60 anos de idade. O homem era muito provavelmente o ex-sumo sacerdote José Caifás o mesmo homem que Josefo identificou como sumo sacerdote1? E a mesma pessoa que o NT diz ter sentenciado Jesus à morte. Desse modo, temos agora não apenas referências escritas não cristãs ao sumo sacerdote do julgamento de Jesus, mas também os seus ossos!

Existem várias outras personagens do NT confirmadas fora do NT. Dentre elas, temos Quirino, Sérgio Paulo, Gálio, Félix, Festa, César Augusto, Tibério César e Cláudio. O que mais poderiam ter feito os autores do NT para provar que foram testemunhas oculares e que não estavam inventando uma história?

Por: Norman Geisler e Frank Turek. 

(Extraído do livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”)


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