quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O argumento cosmológico (resumido)


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "As Provas da Existência de Deus", de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download
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Outro argumento moderno para a existência de Deus é o Argumento Cosmológico Kalam, que segue princípios filosóficos de Tomás de Aquino, com a diferença de que ele é também confirmado pela ciência moderna. Há até poucos séculos atrás, cria-se que o Universo era eterno, infinito. Sendo eterno, não haveria a necessidade de um Criador, pois o Universo teria se auto-criado, seria a causa de si mesmo. O Universo seria estático e a matéria teria existido desde sempre. Desta forma, estavam usando os conhecimentos defasados da época para fortalecer o ateísmo.

Contudo, as mais recentes descobertas científicas provaram que o Universo teve um início. Que ele não é eterno, como criam os cientistas. Existem pelo menos quatro provas científicas disso. Se elas forem provadas verdadeiras e se isso for mesmo verdade, só podemos chegar à conclusão de que o Universo teve uma causa externa a ela, isto é: um agente criador eterno fora do Universo, que deu início a tudo aquilo que vemos hoje. Analisaremos este quatro pontos a seguir.

A segunda lei da termodinâmica. A segunda lei da termodinâmica afirma que processos que agem em um sistema fechado sempre tendem a um estado de equilíbrio. O Universo nada mais é do que um enorme sistema fechado, já que é tudo o que existe fisicamente. A segunda lei indica que, dado tempo suficiente, o Universo irá se encontrar em um estado de equilíbrio termodinâmico conhecido como morte térmica.

Em que isso ajuda a provar que o Universo teve um começo?

Simplesmente que, se o Universo fosse eterno, ele deveria já agora estar em morte térmica. Se ele ainda não está, é porque ele teve um início, assim como terá um fim um dia. Norman Geisler e Frank Turek exemplificam isso nas seguintes palavras:

A primeira lei da termodinâmica afirma que a quantidade e energia no universo é constante. Em outras palavras, o Universo possui apenas uma quantidade finita de energia (algo muito semelhante ao fato de o seu carro ter uma quantidade finita de combustível). Se o seu carro tem uma quantidade finita de combustível (a primeira lei) e ele está consumindo combustível durante todo o tempo em que está se movimentando (a segunda lei), seu carro estaria andando agora se você tivesse ligado a ignição há um tempo infinitamente distante? Não, é claro que não. Ele estaria sem combustível agora. Da mesma maneira, o Universo estaria sem energia agora se estivesse funcionando desde toda a eternidade passada. Mas aqui estamos nós: as luzes ainda estão acesas, o que significa dizer que o Universo deve ter começado em algum tempo no passado finito, ou seja, o Universo não é eterno - teve um começo[1]

O Universo em expansão. Em 1929, o telescópio espacial Hubble fez uma descoberta que mudaria os rumos de muitos cientistas. Um desvio para o vermelho na luz de galáxias distantes mostrou que o Universo está expandindo-se. Mas de que maneira isso prova que o Universo teve um início? Se ele está se expandindo hoje, é porque ele não é eterno, ele não existe desde sempre – se assim fosse, ele seria estático – mas teve um começo.

Se pudéssemos traçar a expansão de volta no tempo, o Universo se tornaria cada vez mais denso até que chegasse a um ponto de densidade infinita, do qual o Universo passou a se expandir. Geisler e Turek fazem a seguinte ilustração neste ponto:

Pense da seguinte maneira: se pudéssemos assistir a uma fita de vídeo da história do Universo ao contrário, veríamos toda matéria no Universo retomando para um único ponto. Esse ponto não teria o tamanho de uma bola de basquete, nem de uma bola de pingue-pongue, nem mesmo da cabeça de uma agulha, mas matemática e logicamente um ponto que é realmente nada (i.e., sem tempo, sem matéria). Em outras palavras, era uma vez um nada e, então, bang!, havia alguma coisa – o Universo passou a existir por meio de uma explosão! É por essa razão que conhecemos esse fenômeno como Big Bang ou grande explosão[2]

Radiação do Big Bang. Em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson detectaram uma estranha radiação na antena do Laboratório Bell, em Holmdel, nos Estados Unidos. Por mais que eles mudassem a direção da antena, aquela radiação permanecia. Primeiramente eles acharam que aquilo era resultado de dejetos de pombos, mas aquilo permanecia mesmo depois de limpada a antena, e vinha de todas as direções. Depois de muito trabalho, eles descobriram aquilo que seria uma das maiores descobertas científicas do século XX, que chegou a ganhar o Prêmio Nobel: eles tinham descoberto o brilho vermelho da explosão da bola de fogo do Big Bang.

Geisler e Turek discorreram sobre essa descoberta nas seguintes palavras:

Tecnicamente conhecida como radiação cósmica de fundo, esse brilho é realmente luz e calor emanados da explosão inicial. A luz não é mais visível porque o seu comprimento de onda foi esticado pela expansão do Universo para um tamanho pouco menor do que aquele que é produzido por um forno de microondas. Mas o calor ainda pode ser detectado. Voltando a 1948, três cientistas predisseram que, se o Big Bang realmente tivesse acontecido, essa radiação estaria em algum lugar. Mas, por alguma razão, ninguém havia tentado detectá-la antes de Penzias e Wilson terem tropeçado nela por acaso há cerca de 30 anos. Ao ser confirmada, essa descoberta lançou por terra qualquer sugestão de que o Universo esteja num estado eterno de passividade[3]

A teoria da relatividade de Einstein. A teoria da relatividade de Einstein implica em um início absoluto do tempo, espaço e matéria, que são correlacionados, o que significa que você nunca pode ter um sem os outros. Isso significa apenas duas coisas: ou o nada criou a matéria e tudo aquilo que existe hoje, ou alguém a criou. Como o nada não é nada e nem pode criar nada, é evidente que o Universo teve um Criador. 



Até aqui, um ateu poderia ler o livro e pensar: Se o Universo possui uma causa externa para a sua existência, por que Deus também não precisa possuir? Se alguém tem que ter criado o Universo, então quem criou Deus? Essa falácia, da necessidade de um ser atemporal ter sido criado, é a mais famosa nos círculos ateístas quando se deparam com as implicações do argumento cosmológico.

A verdade é que os ateus não entendem ou não querem entender a lei da causalidade. Essa lei, que é um princípio que permeia toda a ciência, não ensina que tudo o que existe tem uma causa, mas sim que tudo o que passa a existir tem uma causa. Ora, Deus nunca passou a existir – ele é eterno – e, portanto, ele não tem uma causa, mas é a causa de si mesmo, a Causa primeira.

Neste momento o ateu pode contestar: Mas se Deus pode ser eterno (a causa de si mesmo), por que o Universo não pode? Na verdade, ele pode, apenas não é. Todas as evidências científicas que acabamos de conferir apontam claramente que o Universo não pode ser eterno, mas teve um início. Portanto, o Universo não pode ser a causa de si mesmo (causa primeira), mas foi causado por uma Causa primeira externa a ele, que necessariamente deve ser atemporal e eterna. E é essa causa externa ao Universo, que causou (ou “criou”) tudo o que existe, que é eterna e atemporal, que chamamos Deus.

Essa Causa primeira, como já conferimos até aqui, é por necessariedade:

Atemporal. Não está limitada ao tempo e ao espaço do nosso Universo físico, é externa a ele.

Eterna. Somente algo eterno pode ser “a causa das causas não causada”, isto é, a Causa primeira, a causa de si mesmo. Se não fosse, teria sido causado por outro ser, o que implicaria em um processo infinito onde a potência sempre precederia o ato, e consequentemente não seria a Causa primeira.

Auto-existente. Uma implicação lógica do fato de ser a causa de si mesmo.

Imaterial. Por ser externa ao Universo físico.

Onipotente. Para criar todo o Universo a partir do nada. Se o próprio Universo foi criado por este algo, é certo de que não há nada no Universo que esse algo não possa fazer.

Ao chegarmos a este ponto, um ateu poderia protestar: Mas isso não significa que seja Deus! Pode ser, digamos, um super-computador que tenha todas essas características e que tenha sido o causa do Universo! De fato, esse argumento foi proposto por Wolpert em seu debate com William Lane Craig[4]. Ele só não esperava que Craig estivesse preparado para lidar com este tipo de resposta. Wolpert alegou:

Wolpert – Mas essa causa não precisa ser Deus.

Craig – Lembre-se que eu lhe dei um argumento para sustentar que essa causa é atemporal, não-espacial, imaterial, muito poderosa e pessoal.

Wolpert – Eu acho que é um computador.

Craig – Computadores são projetados por pessoas.

Wolpert Não, este computador se auto-projetou.

Craig – Isso é uma contradição de termos.

Wolpert – Por que é uma contradição?

Craig – Um computador para funcionar precisa de tempo.

Wolpert – Esse é um computador especial!

Craig – Certo, mas precisa ser logicamente coerente.

Wolpert – É logicamente coerente. Este computador é fantástico!

Craig – Além disso, é preciso ser um ser pessoal. O computador é um objeto físico.

Wolpert – Não. Este computador não.

Craig – Veja, o que você está chamando de computador é, na verdade, Deus. Não-físico, eterno, atemporal, auto-existente, onipotente, pessoal...

Toda a plateia aplaudiu e Wolpert ficou sem respostas. A verdade é que esse algo, que os ateus podem chamar de qualquer coisa (até mesmo de um super-computador!) é exatamente aquilo que os teístas chamam de Deus. Mas um ateu poderia alegar: Como é que estes argumentos provam que Deus é um ser pessoal? Ele não poderia ser simplesmente uma força superior cósmica?

Os deístas pensam assim. Para eles, existe um Deus, isto é, uma força inteligente fora do Universo que criou tudo o que existe, pois chegam a essa conclusão através dos argumentos teleológico e cosmológico. Mas eles negam que esse Deus possa ser algo pessoal, para ser identificado com Jesus Cristo, Alá ou Mitra. Esse Deus que os deístas creem é meramente algo impessoal. Tal visão é um avanço em relação ao ateísmo, que não crê nem em um Deus pessoal nem em um Deus impessoal, mas ainda é falha. Isso porque o próprio argumento cosmológico indica que esse Deus seja pessoal. Craig diz:

Se a causa fosse simplesmente um conjunto mecânico e operacional de condições suficientes e necessárias que existem desde a eternidade, então por que o efeito não existiria também desde a eternidade? Por exemplo, se a causa da água ser congelada é a temperatura abaixo de zero grau, então se a temperatura estivesse abaixo de zero grau desde a eternidade, qualquer água presente estaria congelada desde a eternidade. O único meio de se obter uma causa eterna com um efeito temporal seria se a causa fosse um agente pessoal que livremente escolhe criar um efeito no tempo. Por exemplo, um homem sentado na eternidade pode querer se levantar; portanto, um efeito temporal pode surgir de um agente eternamente existente. De fato, o agente pode criar da eternidade um efeito temporal tal que nenhuma mudança no agente necessite ser concebida. Portanto, somos trazidos não somente à primeira causa do universo, mas ao seu Criador pessoal[5]

Portanto, o próprio argumento cosmológico indica que Deus é um ser pessoal, por optar em converter um estado de nulidade em um Universo tempo-espaço-matéria, e uma força impessoal não tem capacidade de tomar decisões.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "As Provas da Existência de Deus")


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[1] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
[2] ibid.
[3] ibid.
[4] Essa parte do debate pode ser conferida em vídeo no YouTube neste endereço: <http://www.youtube.com/watch?v=dqutxrGIQ3Q>. Acesso em: 10/11/2013.

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