quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O argumento teleológico (resumido)


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "As Provas da Existência de Deus", de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download
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Se Tomás de Aquino estivesse vivo hoje, provavelmente ele iria acrescentar à sua Suma Teológica muitos argumentos que foram e estão sendo provados pela ciência moderna. Um deles é o Argumento Teleológico, que segue as seguintes premissas:

Todo projeto tem um projetista.
O Universo possui fortes evidências de que foi projetado.
Portanto, o Universo teve um Projetista.

Quando vemos um coração na areia da praia com duas iniciais dentro não pensamos que aquilo foi obra do acaso, pois sabemos que aquilo foi projetado por uma mente inteligente. Quando vemos alguma escultura no formato de um ser humano (como o da foto abaixo) sabemos que aquilo não foi obra do acaso por uma incomum formação das rochas, mas foi criado por uma mente inteligente. Ou, se estivermos perdidos em uma floresta e nos depararmos com um relógio no chão, não iremos concluir que a natureza sozinha criou aquele relógio após muitos milhares ou milhões de anos: saberemos que um houve um ser projetista daquele relógio.

A mesma coisa ocorre com o Universo, mas em um nível de perfeição muito maior: todo ele atesta para a existência de um Projetista inteligente. No livro: “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler e Frank Turek expõem pelo menos dez princípios antrópicos sem os quais seria impossível existir vida na terra:

Se a força centrífuga do movimento planetário não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada poderia ser mantido numa órbita ao redor do Sol.

Se o Universo tivesse se expandido numa taxa um milionésimo mais lento do que o que aconteceu, a expansão teria parado, e o Universo desabaria sobre si mesmo antes que qualquer estrela pudesse ser formada. Se tivesse se expandido mais rapidamente, então as galáxias não teriam sido formadas.

Qualquer uma das leis da física pode ser descrita como uma função da velocidade da luz (agora definida em 299.792.458 m por segundo). Até mesmo uma pequena variação na velocidade da luz alteraria as outras constantes e impediria a possibilidade de vida no planeta Terra.

Se os níveis de vapor d'água na atmosfera fossem maiores do que são agora, um efeito estufa descontrolado faria as temperaturas subirem a níveis muito altos para a vida humana; se fossem menores, um efeito estufa insuficiente faria a Terra ficar fria demais para a existência da vida humana.

Se Júpiter não estivesse em sua rota atual, a Terra seria bombardeada com material espacial. O campo gravitacional de Júpiter age como um aspirador de pó cósmico, atraindo asteróides e cometas que, de outra maneira, atingiriam a Terra.

Se a espessura da crosta terrestre fosse maior, seria necessário transferir muito mais oxigênio para a crosta para permitir a existência de vida. Se fosse mais fina, as atividades vulcânica e tectônica tornariam a vida impossível.

Se a rotação da Terra durasse mais que 24 horas, as diferenças de temperatura seriam grandes demais entre a noite e o dia. Se o período de rotação fosse menor, a velocidade dos ventos atmosféricos seria grande demais.

A inclinação de 23º do eixo da Terra é exata. Se essa inclinação se alterasse levemente, a variação da temperatura da superfície da Terra seria muito extrema.

Se a taxa de descarga atmosférica (raios) fosse maior, haveria muita destruição pelo fogo; se fosse menor, haveria pouco nitrogênio se fixando no solo.

10º Se houvesse mais atividade sísmica, muito mais vidas seriam perdidas; se houvesse menos, os nutrientes do piso do oceano e do leito dos rios não seriam reciclados de volta para os continentes por meio da sublevação tectônica (sim, até mesmo os terremotos são necessários para sustentar a vida como a conhecemos!).

E eles complementam:

O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes – 122 ao todo pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso (i.e., sem um projeto Divino). Partindo da ideia de que existem 10 elevado a 22 planetas no Universo (um número bastante grande, ou seja, um número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma chance em 10 elevado a 138, isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros! Existem apenas 10 elevado a 70 átomos em todo Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista inteligente por trás de tudo![1]

No livro: “Um ateu garante: Deus existe”, Antony Flew, que foi um dos maiores filósofos do século XX e ateu durante a maior parte de sua vida, tendo deixado o ateísmo poucos anos antes de morrer, acrescenta outras três constantes antrópicas:

11º O princípio da relatividade especial – ou restrita – assegura que forças como o eletromagnetismo tenham efeito invariável, não importando se agem em ângulos retos na direção de um sistema, ou se viajam. Isso permite que códigos genéticos funcionem e que planetas se mantenham unidos enquanto giram.

12º Leis quânticas impedem que os elétrons girem para dentro do núcleo atômico.

13º O eletromagnetismo tem uma única força que permite que aconteçam múltiplos processos essenciais: permite que estrelas brilhem de modo constante por bilhões de anos; que o carbono se sintetize em estrelas; assegura que léptons não substituam quarks, o que tornaria os átomos impossíveis; é responsável por não deixar que os prótons se desintegrem depressa demais ou que se repilam mutuamente com força exagerada, o que tornaria a química impossível. Como é possível que essa mesma força única satisfaça tantos requisitos diferentes, quando parece que seria necessária uma força diferente para cada um desses processos?

Ainda há outras constantes antrópicas que poderíamos citar, como, por exemplo, o nível de oxigênio. Na Terra, ele corresponde a 21% da atmosfera. Se ele representasse 25% haveria incêndios espontâneos; se fosse de 15% nós ficaríamos sufocados. Se a atmosfera fosse menos transparente, não haveria radiação solar suficiente sobre a superfície terrena; se fosse mais transparente, seríamos bombardeados com radiação solar.

Ainda, se a interação gravitacional que a Terra tem com a lua fosse maior do que é hoje, afetaria seriamente as marés dos oceanos, a atmosfera e o tempo de rotação. Se fosse menor, as mudanças orbitais trariam instabilidades ao clima. Não existiria vida na Terra. Se o nível de dióxido de carbono fosse maior do que ele é atualmente, teríamos um enorme efeito estufa, e todos nós estaríamos queimados; se fosse menor, as plantas não poderiam manter uma fotossíntese eficiente, e todos nós morreríamos sufocados.

Provavelmente a mais impressionante constante antrópica é a gravidade. Se ela fosse alterada em 0,00000000000000000000000000000000000001% (um zero seguido de outros 37 zeros) nosso Sol não existiria e, logicamente, nós também não. O professor Paul Davies escreveu na revista New Scientist uma matéria sobre outra constante antrópica, sobre a força dos núcleos:

Poucos são os cientistas que não se impressionam com a quase inconcebível simplicidade e elegância dessas leis... Até mesmo mínimas variações nos valores de algumas delas alterariam drasticamente a aparência do Universo. Por exemplo, Freeman Dyson enfatizou que, se a força entre os núcleos (prótons e nêutrons) fosse apenas alguns por cento mais forte, o Universo ficaria sem hidrogênio. Estrelas, como o sol – para não mencionar a água – talvez não existissem. A vida, como a conhecemos, seria impossível. Brandon Carter mostrou que mudanças muitíssimo menores na constante G transformariam todas as estrelas em gigantes azuis ou anãs vermelhas, com consequências igualmente funestas sobre a vida

Não podemos deixar de mencionar a constante antrópica presente na própria criação do Universo, no Big Bang. Em 1989, a NASA lançou um satélite chamado COBE levando ao espaço equipamentos capazes de ver as oscilações que existiram na radiação do Big Bang, e a descoberta foi considerada por Michael Turner (astrofísico da Universidade de Chicago) o “Santo Graal da cosmologia” e por Stephen Hawking “a mais importante descoberta do século, ou de todos os tempos”. Isso porque o satélite descobriu as oscilações que procuravam e puderam ver também sua exata precisão.

Nas palavras de Geisler e Turek, as oscilações mostravam que a explosão e a expansão do Universo foram precisamente calculadas de modo não apenas a fazer a matéria se reunir em galáxias, mas também a ponto de não fazer o próprio Universo desmoronar sobre si mesmo. Qualquer pequena variação para um lado ou para o outro, e nenhum de nós estaria aqui para contar a história. O fato é que as oscilações são tão exatas (com uma precisão de um sobre 100 mil) que Smoot as chamou de marcas mecânicas da criação do Universo e impressões digitais do Criador’”[2].

Finalmente, reproduzo o argumento de Antony Flew sobre a complexidade do DNA, que excluiu as possibilidades de que tenha se formado por acaso, levando Flew a acreditar na existência de Deus:

O material do DNA mostra, pela quase inacreditável complexidade das combinações necessárias para produzir a vida, que uma inteligência deve estar envolvida no processo de fazer com que esses extraordinariamente diversos elementos funcionem em conjunto. É extrema a complexidade do número de elementos, e enorme a sutileza com que eles funcionam juntos. A chance de essas duas partes encontrarem-se no momento certo, por puro acaso, é simplesmente insignificante. É tudo uma questão da enorme complexidade pela qual os resultados foram alcançados, o que me parece obra de uma inteligência[3]

Ele também discorre sobre a possibilidade de a vida ter se formado por acaso, refutando uma analogia muito usada nos círculos darwinistas: a do “teorema do macaco”:

«Fiquei especialmente impressionado com a refutação minuciosa de Gerry Schroeder ao que chamo de teorema do macaco. Essa ideia, apresentada de formas variadas, defende a possibilidade de a vida ter surgido por acaso, usando a analogia de uma multidão de macacos batendo nas teclas de um computador e, em dado momento, acabarem por escrever um soneto digno de Shakespeare. Em primeiro lugar, Schroeder referiu-se a um experimento conduzido pelo Conselho de Artes Nacional Britânico.

Um computador foi colocado numa jaula que abrigava seis macacos. Depois de um mês martelando o teclado – e também usando-o como banheiro! –, os macacos produziram cinquenta páginas digitadas, nas quais não havia uma única palavra formada. Schroeder comentou que foi isso o que aconteceu, embora em inglês haja duas palavras de uma só letra, o a (um, uma) e o I (eu). O caso é que essas letras só são palavras quando isoladas de um lado e de outro por espaços.

Se levarmos em conta um teclado de trinta caracteres usados na língua inglesa – vinte e seis letras e outros símbolos –, a probabilidade de se conseguir uma palavra de uma letra, martelando as teclas a esmo, é de 30 vezes 30 vezes 30, ou seja, vinte e sete mil. Então, há uma chance em vinte e sete mil de se conseguir uma palavra de uma letra. Schroeder, então, aplicou as probabilidades à analogia do soneto. Começou perguntando qual seria a chance de se conseguir escrever um soneto digno de Shakespeare antes de continuar: todos os sonetos são do mesmo comprimento.

São, por definição, compostos de catorze versos. Escolhi aquele do qual decorei o primeiro verso, que diz: Devo comparar-te a um dia de verão?. Contei o número de letras. Há 488 letras nesse soneto. Qual é a probabilidade de, digitando a esmo, conseguirmos todas essas letras na exata sequência em todos os versos? Conseguiremos o número 26 multiplicado por ele mesmo, 488 vezes, ou seja, 26 elevado à 488ª potência. Ou, em outras palavras, com base no 10, 10 elevado à 690ª potência. Agora, o número de partículas no Universo – não grãos de areia, estou falando de prótons, elétrons e nêutrons – é de 10 à 80ª.

Dez elevado à octagésima potência é 1 com 80 zeros à direita. Dez elevado à 690ª é 1 com 690 zeros à direita. Não há partículas suficientes no universo com que anotarmos as tentativas. Seríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Se tomássemos o Universo inteiro e o convertêssemos em chips de computador – esqueçam os macacos –, cada chip pesando um milionésimo de grama e sendo capaz de processar 488 tentativas a, digamos, um milhão de vezes por segundo, produzindo letras ao acaso, o número de tentativas que conseguiríamos seria de 10 à 90ª. Mais uma vez, seríamos derrotados por um fator de 10 à 600ª. Nunca criaríamos um soneto por acaso. O Universo teria de ser maior, na proporção de 10 elevado à 600ª potência.

No entanto, o mundo acredita que um bando de macacos pode fazer isso todas as vezes. Após ouvir a apresentação de Schroeder, eu lhe disse que ele estabelecera, de maneira perfeitamente satisfatória e decisiva, que o teorema do macaco era uma bobagem, e que fora muito bom demonstrar isso apenas com um soneto. O teorema é, às vezes, proposto através do uso de obras de Shakespeare, ou de uma única peça, como Hamlet. Se o teorema não funciona com um simples soneto, é simplesmente absurdo sugerir que a origem da vida, um feito muito mais elaborado, possa ter acontecido por acaso»[4]

Essas constantes antrópicas, que incluem as condições necessárias para se formar vida na Terra, não deixam dúvidas de que o Universo foi cuidadosamente planejado muito mais do que o coração na areia da praia, o rosto humano esculpido na pedra ou o relógio encontrado na floresta. E, assim como eles, atesta fortemente para a existência de um Projetista inteligente do Universo, a quem chamamos Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "As Provas da Existência de Deus")


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[1] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
[2] ibid.
[3] FLEW, Antony. Um ateu garante: Deus existe. São Paulo: Ediouro, 2008.
[4] ibid.

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