quinta-feira, 2 de abril de 2015

A igualdade entre o homem e a mulher na Bíblia


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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Já abordamos este tema no capítulo 8, mas cabe ressaltar, agora com base neotestamentária, o papel fundamental do Cristianismo na igualdade entre o homem e a mulher. Isso começa no cuidado das mais novas até as mais velhas. As viúvas acima de 60 anos que não tinham recursos eram cuidadas e sustentadas pela igreja (1Tm.5). A mesma Bíblia que prega que a mulher deve se sujeitar ao marido (Ef.5:22) também diz que o marido deve honrar a mulher:

“Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida” (1ª Pedro 3:7)

A palavra grega utilizada na Bíblia para a “sujeição” da mulher ao marido é hupotasso, que, de acordo com a Concordância de Strong, “em uso não militar era uma atitude voluntária de ceder, cooperar, assumir responsabilidade, e levar um carga”[1]. Tinha, portanto, o sentido de respeitar o marido (ao invés de ser desbocada ou malcriada), e não o de ser “escrava” ou “proprietária” dele, como os neo-ateus caluniosamente afirmam. Onze versos depois de dizer que a esposa deve se sujeitar ao marido, Paulo explica que essa sujeição é um profundo respeito:

“Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito (Efésios 5:33)   

Em compensação, a Bíblia usa a palavra grega time para o tratamento que os homens devem ter para com as mulheres (1Pe.3:7), que, de acordo com a mesma Concordância de Strong, significa “honra, deferência, reverência”[2]. Portanto, não há qualquer preconceito ou desigualdade na relação entre o homem e a mulher. A Bíblia prescreve a cooperação e respeito da mulher para com o homem, da mesma forma que prescreve a honra e reverência do homem para com a mulher.

Eu desafio qualquer ateu a mostrar um único documento histórico, de qualquer religião não-bíblica que seja (ou até mesmo de irreligiosos), que tenha dito o mesmo nesta mesma época (em torno de 60 d.C), ou em qualquer data anterior, ou até mil anos mais tarde. Os ateus vão encontrar o elo perdido antes de encontrar isso. A verdade é que o Cristianismo revolucionou o trato para com as mulheres, e que mesmo os ateus mais “iluminados” só passaram a dizer algo parecido muitos séculos depois da Bíblia afirmar isso explicitamente e servir como base.

Outra evidência de que a Bíblia trata homens e mulheres em igualdade é o fato de dizer que o marido deve cumprir seus deveres conjugais para com sua esposa da mesma forma que a esposa para com o marido, ao invés disso ser algo unilateral (como seria caso a esposa fosse considerada “propriedade” do marido). Tudo devia ser feito por mútuo consentimento, ao invés de valer o parecer somente do homem:

“O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio” (1ª Coríntios 7:3-5)       

Tanto a mulher é santificada por meio do marido, quanto o marido era santificado por meio da mulher. Ambos eram considerados igualmente “sagrados”, aos olhos de Deus:

“Pois o marido descrente é santificado por meio da mulher, e a mulher descrente é santificada por meio do marido. Se assim não fosse, seus filhos seriam impuros, mas agora são santos” (1ª Coríntios 7:14)       

O dever de amar a esposa era sempre ressaltado, e a obediência do filho era para com os “pais” (no plural), e não somente para com o homem da casa:

“Maridos, amem suas mulheres e não as tratem com amargura. Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor. Pais, não irritem seus filhos, para que eles não se desanimem” (Colossenses 3:19-21)     

O mais impressionante é quando Paulo é mais específico e fala do tipo de amor que o homem deve ter para com a mulher. Paulo diz que o marido deve amar sua esposa da mesma forma que Cristo amou a igreja e se entregou por ela. Ou seja: até a morte. Da mesma forma que Jesus morreu por nós, temos que dar a vida pela nossa esposa, se for necessário. Este ensinamento profundo às vezes pode parecer chocante até para os nossos dias, então imagine naquela época!  

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos (Efésios 5:25-28)    

As mulheres exerceram desde sempre um papel importante e proeminente no Cristianismo, incomparavelmente superior a qualquer outro sistema ou cultura da época. No Novo Testamento vemos uma mulher (chamada Júnias) sendo chamada de apóstola (Rm.16:7), vemos também Priscila (que tinha uma igreja em sua casa – 1Co.16:19) doutrinando Apolo (At.18:26), vemos também uma mulher exercendo o cargo de diaconisa (Rm.16:1), sendo que na igreja primitiva os diáconos tinham o costume de pregar e de exercer cargos ministeriais na igreja (basta ver os diáconos Estêvão e Filipe). As quatro filhas de Filipe eram profetizas (At.21:9), e os profetas profetizam na igreja (1Co.12:28), e não dentro de casa!

Quando Paulo escreveu dizendo que as mulheres deveriam ficar caladas na igreja (1Co.14:34) não tinha nada a ver com não poder pregar ou não falar nada (visto que a igreja da época tinha apóstolas, diaconisas, pastoras e profetizas). O que ocorria era que algumas mulheres naquela igreja de Corinto tinham o costume de interromper o culto com conversas paralelas inconvenientes, e era isso o que Paulo estava combatendo, e não a pregação em si.

Alguns, no entanto, tem o costume de pegar o texto fora do contexto para fazer parecer que Paulo estava proibindo que a mulher ensinasse, quando foi ele mesmo quem disse que era para as mulheresensinarem aquilo que é bom” (Tt.2:4) e que podiam profetizar na igreja (1Co.11:5)! Como uma mulher poderia profetizar na igreja, se não podia nem falar na igreja? Está óbvio que aquela “proibição” era meramente circunstancial. Todo o contexto da citação é circunstancial e específico – Paulo estava ao longo do capítulo discorrendo sobre os excessos na igreja, ao invés de combater uma coisa como um todo (veja 1Co.14:28, em que Paulo proíbe até os homens de falarem na igreja em certo contexto!).

Infelizmente, com a ascensão da Igreja Católica Romana as mulheres perderam influência e destaque na igreja, limitando-se ao papel de freiras ou leigas, embora ainda fossem melhor tratadas do que fora da igreja, no resto do mundo. Os movimentos evangélicos, no entanto, trataram de recolocar a mulher em sua posição de destaque, a qual é estimada e ressaltada ao longo de todo o evangelho. Simplesmente não há documentos antigos que coloquem tanta ênfase positiva na mulher quanto a Bíblia faz – a começar pelo fato de que as mulheres foram escolhidas para ser as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus (Mt.28:1-10; Jo.20:10-18)!

Por Cristo e por Seu Reino,

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


        




[1] Concordância de Strong, 5293.
[2] Concordância de Strong, 5092.

4 comentários:

  1. Muito bom texto! Meus parabéns! Mas eu acho que você ficou só no novo testamento! Seria interessante se você falasse mais do antigo, como as mulheres era tratadas.

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    1. Do AT eu falo aqui:

      http://ateismorefutado.blogspot.in/2015/04/o-valor-da-mulher-na-biblia.html

      Abs!

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