quinta-feira, 2 de abril de 2015

A "moral" humanista secular (Parte 1)


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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Já vimos e comentamos muito sobre a moral cristã, que moldou a civilização ocidental por séculos e formou aquilo que há de mais elevado em termos éticos e morais, revolucionando os antigos valores no mundo da época. Falamos muito sobre isso neste capítulo e ainda mais no capítulo 8. Também tocamos no humanismo secular no capítulo anterior, onde vimos que os humanistas ateus massacraram mais pessoas em um século do que todos os regimes teocráticos juntos já mataram em toda a história. Agora vamos adentrar melhor nos pontos que ainda são divergência entre nós e eles. Deixarei para trás os pontos que temos em comum (os quais eles herdaram de nós) e abordarei especificamente aqueles que são motivo de debate nos dias atuais. 

Uma das principais diferenças entre o Cristianismo e o humanismo secular ateu é que este não vê quase problema nenhum naquilo que os cristãos entendem por imoralidade, e que, como vimos, a Bíblia salienta muito. É a visão cristã, e somente a visão cristã, que vê problemas intrínsecos na pornografia, no adultério, na fornicação, no sexo antes do casamento, no divórcio, no alcoolismo, no tabaco, no homossexualismo, no incesto e em outras várias formas de promiscuidade, que para os seculares it’s ok. É verdade que de vez em quando vemos algum humanista se manifestando contra alguma dessas coisas e que há formas de imoralidade que a maioria deles ainda discorda – como a pedofilia – mas mesmo estas exceções estão prestes a desaparecer.

O mesmo Cristianismo que revolucionou o mundo moralmente durante séculos, que acabou com a escravidão, que elevou às mulheres a uma posição digna, que se posicionou contra todas as formas de racismo ao dizer que todos são iguais perante Deus e criados à semelhança dEle, que valorizou a vida das crianças até os mais velhos e que transformou as sociedades não-cristãs que antes praticavam desde canibalismo até sacrifício infantil, vêm perdendo influência nas últimas décadas e abrindo cada vez mais espaço ao secularismo, que está ganhando cada vez mais voz na mídia.

Como consequência disso, já é nítida uma queda perceptível nos padrões morais e um avanço na imoralidade que nunca antes foi visto desde Sodoma e Gomorra. A grande mídia, dominada principalmente por eles, dá cada vez mais espaço a neo-ateus que detestam o Cristianismo e que minam as bases da sociedade moderna. O resultado disso é uma destruição dos valores morais, desde o indivíduo em particular, passando pela família e terminando na sociedade como um todo. 

Nunca antes na história o adultério foi visto como algo “normal”. Mesmo nas sociedades mais adúlteras, o adultério em si sempre foi considerado errado, como uma prática abominável. A mídia secular, no entanto, tem conseguindo (principalmente através das novelas e filmes) transmitir a ideia de que o adultério é algo comum, normal e, em alguns casos, até mesmo bom. Não é difícil pensar no roteiro de uma novela que não tenha um mocinho que se apaixona por uma mulher comprometida e que vivem em romance a novela inteira (ou o contrário, quando é a mocinha que se apaixona por um homem casado e se tornam “amantes”). Na verdade, o difícil mesmo é pensar em uma novela que não tenha nada disso!

Os adúlteros vão sendo retratados como os “mocinhos”, que estão “somente em busca da felicidade”, e os que são contra este relacionamento adúltero são quase sempre retratados como os “vilões”, que são “contra a felicidade” alheia. Famílias são destruídas, lares são arrasados, filhos sofrem a amargura do divórcio dos pais, parceiros são traídos, mas o que vale é a felicidade egoísta, custe o que custar. Os valores estão se invertendo. Os mocinhos viraram vilões, e os vilões viraram mocinhos. O mundo está, cada vez mais, de pernas pro ar. Os valores cristãos que moldaram a nossa sociedade estão se perdendo, sendo trocados por outros valores seculares que cultuam o que há de pior.

Um leigo desatento pode pensar que não há problema em uma novela retratar as coisas deste jeito. “Não gosta disso, então não assista!”. Mas não é preciso ser um observador muito atento para notar que a mídia tem um poder impressionante de alienação e de lavagem cerebral na cabeça dos mais fracos e instáveis. O problema não é uma novela ou um programa. O problema são muitas novelas e muitos programas. Tudo isso vai, aos poucos, fazendo cada vez mais a cabeça do indivíduo comum e moldando seu raciocínio à imagem e semelhança do que lhe é apresentado na televisão. No começo, ele pode pensar que aquilo é repugnante. Com o passar do tempo, vai passando a ver a coisa como normal. Mais tarde, como bom.

Na concepção secular do mundo, uma jovem que se apaixona por um homem comprometido e foge de casa para viver “uma história de amor” com este homem é algo encantador, lindo, maravilhoso. Eles não fazem muita questão de mostrar o lado do sofrimento dos pais que perderam a filha, o sofrimento da esposa do homem adúltero, ou o “simples” fato de o adultério ser em si mesmo algo abominável, que se considerado “normal” pelas pessoas resultaria na maior onda de caos moral, de desconfiança e de transtorno que este mundo já viu. Mas é isso o que passa na televisão. É com isso que os seculares nos “educam”.

Quantos programas realmente educativos existem na televisão hoje? Eu não estou falando de “educativo” no sentido de fazer algum bem, mas simplesmente de não fazer nenhum mal. Mesmo assim, são poucos os que se salvam. A maioria do que passa são novelas imorais com valores promíscuos, atrações sensacionalistas repletas de baixaria, programas apelativos que tem a necessidade de retratar as mulheres da forma mais vulgar possível para garantir a audiência, isso sem falar de toda a lavagem cerebral esquerdista que domina o âmbito político dos telejornais, que censuram aqueles que tentam dizer a verdade. Antes, programa “educativo” era aqueles da TV Cultura. Hoje, qualquer programa esportivo já pode ser considerado “educativo”, comparado ao nível dos outros programas.

Para ter uma ideia do quão ruim que as coisas estão, o programa de maior audiência em nosso país é uma porcaria de um Big Brother Brasil, que, além de não ensinar nada e de não fazer nada de útil, promove apenas imoralidade, sexo irresponsável, alcoolismo, discussões, baixarias, brigas, traições, ataques de histeria e uma necessidade doentia de se mostrar e de tramar contra o próximo, porque é um verdadeiro vale-tudo em busca dos 1,5 milhões de reais. É impressionante constatar que existem milhões e milhões de pessoas perdendo tempo com tanto lixo, desperdiçando em algo tão imprestável, tão deseducador, tão irrelevante e tão fútil.

O pior não é o programa em si. O pior é pensar que são programas como esses que atualmente estão configurando os traços de personalidade e a concepção de valores morais que os telespectadores têm sobre o mundo. Em um mundo em que os valores do BBB substituem os valores da Bíblia, não poderíamos esperar mesmo um progresso em termos morais. O que está aí é o que merecemos. Colhemos o que plantamos. Há até sites na internet especializados em adultério(!), e o governo jamais pensou em processar algum deles. Será que ninguém enxerga o grau de demência social que é permitir uma coisa dessas?

Mas o adultério é somente a ponta do iceberg. Existe muito mais embaixo. Somos constantemente bombardeados por uma mídia secular que está insistentemente propagando os valores humanistas anticristãos, principalmente no que diz respeito a sexo fácil e irresponsável. A psicóloga cristã Marisa Lobo escreveu um excelente artigo sobre isso, intitulado de “A mídia esconde a verdadeira causa do aumento da AIDS no Brasil”, onde afirma:

“A verdade é que a incidência entre jovens aumentou assustadoramente por que os jovens fazem sexo pelo sexo de forma irresponsável; sem amor, sem respeito e sem cuidado com o outro. Estes jovens ignoram os riscos, esta geração não acredita nos riscos e é obcecada pela busca do prazer sexual que a mídia tanto noticia. São escravos dessa busca e estão pagando o preço com suas vidas”[1]

Ela também discorre:

“Grupos de controle sociais tentem deslocar a responsabilidade para a família dizendo que esta não conseguiu dar a educação. Me pergunto: como assim? Não é este governo e esta sociedade que estão, nos últimos anos, ‘sexualizando’ as crianças dentro das escolas? Não é essa a sociedade que idolatra o sexo, dizendo ser ele a razão de toda felicidade humana? Não é essa a mídia que promove a erotização através de seus programas de TV? E não são esses os grupos que hoje querem, por força de lei, impor como cultura a reorientação social e sexual, tirando de forma repulsiva o poder e a influência dos pais na sexualidade de seus filhos?”[2]

Os jovens são também invariavelmente influenciados pelas músicas seculares que incentivam formas de vida imorais, e entenda, eu não estou falando contra todas as músicas seculares (não-cristãs), mas especificamente sobre aquelas que incentivam o sexo irresponsável, o consumo desenfreado de bebidas alcoólicas, as drogas e o tráfico, o tabaco, a prostituição, a criminalidade e todo um conjunto de temas que causam desgraças sociais e que tornam o mundo caído como está hoje. Um artigo da Veja sobre isso afirma:

“Um levantamento feito por pediatras americanos constatou que a música popular dos Estados Unidos está inundada de letras que fazem referências ao consumo de drogas, álcool e tabaco. De acordo com uma equipe de pediatras da faculdade de medicina da Universidade de Pittsburgh, das 279 canções mais populares no país (as mais tocadas e vendidas, segundo a parada da Billboard) em 2005, 93 – ou um terço – falavam explicitamente do tema. Outras 117 – 42% – tocavam no assunto de alguma forma. Que a música pop mundial está repleta de referências ao consumo de entorpecentes não é exatamente uma novidade. O que ninguém tinha feito antes era colocá-las no papel. Os doutores descobriram que não só 93 músicas falavam sobre o tema, como dois terços das vezes em que as drogas eram citadas, apareciam como algo positivo, associado a sexo, festas e humor. Supondo que um adolescente americano, com entre 15 e 18 anos de idade, ouve por volta de duas horas e vinte minutos de música por dia, os médicos calcularam que os jovens escutam 84 citações diárias de uso de drogas. Por ano, são mais de 30.000[3]

Só alguém extremamente ingênuo ou mal-intencionado para pensar que isso não traz influência nenhuma na sociedade, a começar por aqueles que se alimentam deste tipo de música. Eles dão veneno ao povo, fazem o povo gostar deste veneno, e depois hipocritamente aparecem com cara “triste” ao ver as consequências que isso traz, lavando as mãos como Pilatos fez, como se não tivessem nada a ver com isso.

Eles incentivam o adultério, mas se a mulher deles adultera acham isso errado. Eles incentivam uma vida promíscua, mas se a filha deles pega alguma DST [doença sexualmente transmissível] eles se desesperam. Eles incentivam o consumo de drogas, mas se o filho deles se perde no mundo das drogas eles pranteiam. Eles incentivam a bebedeira, mas se algum bêbado atropela alguém da sua família e a mata, você já sabe como eles vão reagir. Eles incentivam a prostituição, mas não gostariam que a filha deles fosse uma mulher “dada” e “fácil”. Eles incentivam e fazem apologia a tudo o que há de ruim no mundo, mas depois que isso realmente acontece eles lamentam os efeitos colaterais do que sucede na vida deles ou de outras pessoas próximas.

A verdade é que estas músicas, cada vez mais presentes na cabeça dos jovens, vão aos poucos configurando aquilo que eles pensam e a forma com que agem, e o aumento constante do consumo de drogas, da criminalidade e da promiscuidade não é “coincidência”. Eles estão apenas colocando em prática aquilo que o subconsciente deles “curte”.

O próprio consumo de pornografia é tratado com a maior naturalidade do mundo pelos doutrinadores humanistas ateus. O apelo é sempre o mesmo: “é uma necessidade fisiológica”; “deixe ele(a) ser feliz!”, etc. A questão aqui, no entanto, não se trata de proibir que alguém se vicie em pornografia, mas sim em considerar isso bom ou ruim. O pedófilo também tem uma compulsão pela pedofilia, e realmente sente uma atração doentia por crianças, mas nem por isso devemos entender a pedofilia como algo bom.

Da mesma forma que nenhum cristão vai impedir que alguém adultere, também nenhum cristão vai impedir que outra pessoa tome suas próprias escolhas em relação à pornografia. Mas a questão principal não é a decisão individual que cabe a cada um, mas sim se esta decisão é positiva ou negativa, se contribui para o bem ou para o mal. Essa é a questão. Os humanistas seculares param por aí. “Cada pessoa é livre”, e ponto. Não importa se isso em questão contribui para o bem ou para o mal.

Os cristãos, por outro lado, reiteram que “cada pessoa é livre”, mas também atentam para o outro lado da moeda: a consequência de se escolher o mau caminho. E não, eu não estou falando do inferno. Estou falando de consequências terrenas e bem perceptíveis a qualquer pessoa comum. As estatísticas sobre a pornografia são de assustar qualquer um. Vejamos alguns dados[4]:

• A media de exposição inicial à pornografia é de apenas 11 anos.

• 17% das mulheres dizem que lutam contra o vício em pornografia.

• Cerca de 200 mil americanos foram classificados como “viciados em pornografia” por passarem 11 horas ou mais por semana online acessando pornografia.

• Mais de 50% das pessoas envolvidas por interações sexuais virtuais perderam o interesse na relação sexual.

• Ver pornô repetidamente pode afetar negativamente o desejo sexual: um terço de seus parceiros tinha perdido o interesse também.

• Vício em pornografia levou 40% dos viciados em sexo a perderem seus cônjuges.

• Vício em pornografia levou 58% a sofrerem perdas financeiras consideráveis.

• Um terço dos viciados em pornografia perdeu seu emprego.

• O uso da pornografia aumenta a taxa de infidelidade conjugal em mais de 300%.

• 55% dos casos de divórcio envolveram uma pessoa com interesse obsessivo em sites pornográficos.

• Casos de depressão grave foram relatados duas vezes mais frequentes entre os usuários de pornografia na internet em comparação aos não-usuários.

• Em um grupo de 24 pessoas, 23 são compulsivos e viciados sexuais e afirmam: “Descobrir a pornografia foi a pior coisa que já aconteceu em minha vida!”.

O interessante é que estes dados não são de “fontes da igreja”, mas da CNN, da Time e de outros portais não-cristãos de notícias. São de domínio público, facilmente acessível tanto para cristãos quanto para não-cristãos. Um estudo feito por cientistas alemães e divulgado em artigo pelo “O Globo” revelou ainda que “o aumento da pornografia gratuita é responsável pela diminuição do número de casamentos”[5].

Os cientistas concluíram que a rápida ascensão da pornografia na internet ocorreu no mesmo período em que o casamento perdeu popularidade, pois, “tradicionalmente, uma das razões para se casar é a satisfação sexual. Mas conforme as opções de satisfação sexual fora do casamento cresceram, a necessidade de se casar para atender a essa necessidade está diminuindo”[6]. O mesmo estudo revelou que “os consumidores de pornografia, em geral, frequentam menos a igreja e têm mais chances de trair o parceiro, ou de pagar por sexo”[7]. Isso tudo é somente o que deveríamos esperar de um mundo aonde os valores seculares vão constantemente ofuscando os valores cristãos.

A neurociência já provou que a pornografia está literalmente deteriorando o cérebro, tornando-o mais infantil. Matt Fradd escreveu sobre isso nas seguintes palavras:

“Cientistas estão percebendo agora que a exposição contínua à pornografia causa no cérebro uma euforia artificial – algo que ele literalmente não pode suportar – e eventualmente o cérebro se exaure. O professor de anatomia e fisiologia Gary Wilson observa que esse é o mesmo padrão identificado quando há abuso de drogas: o cérebro fica dessensibilizado. Mais doses da droga ou drogas mais pesadas são necessárias para atingir a mesma euforia, e a espiral descendente começa. Wilson afirma que isso provoca mudanças significativas no cérebro – tanto para os viciados em droga quanto para os usuários de pornografia.
Uma dessas mudanças é a erosão do córtex pré-frontal – aquele importantíssimo centro de controle executivo. Quando essa região do cérebro enfraquece, quando o desejo por pornografia aparece, há pouca força de vontade presente para regular o desejo. Os neurocientistas chamam esse problema de hipofrontalidade, quando a pessoa perde lentamente o controle sobre os impulsos e o domínio sobre suas paixões. O ponto é o seguinte: aquilo que, no cérebro, é a marca da idade adulta e da maturidade é a coisa que é destruída quando vemos mais pornografia. É como se o cérebro estivesse retrocedendo, tornando-se mais infantil. O entretenimento ‘adulto’, na verdade, nos torna mais infantis”[8]

Um site de internautas cristãos, por sua vez, elenca outros motivos pelos quais devemos parar de ver pornografia, incluindo razões teológicas e não-teológicas. Para o propósito deste livro, deixarei de lado os aspectos teológicos e transcreverei aqui apenas os que afetam até o ateu e aqueles que não dão a mínima para Deus[9]:

1. Cega você para as consequências. Temporariamente te desliga de seus relacionamentos com sua esposa, seus filhos e outros. Te cega sobre o que te acontecerá física, emocional, mental, social, vocacional e relacionalmente.

2. Cria expectativas irrealistas. Os homens começam a pensar que toda mulher deveria se parecer com aquelas e que esse tipo de relação é como seu relacionamento com sua esposa deve ser.

3. Distorce sua visão do sexo. A pornografia te faz acreditar que o sexo é somente para o prazer do homem e que as mulheres são simplesmente objetos a serem usados, ao invés de criações de Deus que devem ser honradas e respeitadas.

4. Nunca é o bastante. A pornografia tem um efeito crescente. Como uma droga, você precisa de mais e mais para satisfazer a lascívia. Ela te leva rapidamente a um caminho de destruição e para bem longe da paz, alegria, e relacionamentos saudáveis.

5. Liberdade sobre o que você pensa e faz é perdida. Você se torna escravo de seus pensamentos pecaminosos que levam a atos pecaminosos.

6. A culpa depois que você vê pornografia. Mas a culpa não é o suficiente para te prevenir de fazer na próxima vez.

7. A sexualidade saudável é obscurecida pela pornografia. Sexo saudável é somente o sexo marital, que inclui sexo regular, sexo altruísta e sexo amoroso.

8. Te isola e faz você se sentir totalmente sozinho e como o único que luta contra a pornografia e a lascívia.

9. Ameaça seu relacionamento com sua esposa ou futura esposa (se você é solteiro) e tudo em sua vida que é importante para você. Você põe tudo em risco pela pornografia.

10. Te mantém em um ciclo de autodestruição. A pornografia parece medicar a dor em sua vida, mas somente adiciona mais dor à dor. A pornografia te leva a fazer coisas que você nunca pensou que faria. O pecado te levará para mais longe que você gostaria. Ele te manterá mais longe que você gostaria. E te custará mais do que você gostaria de pagar.

11. Lascívia – lascívia sexual pecaminosa – te leva a atos sexuais pecaminosos. Pornografia posta em sua mente é como colocar gasolina no fogo do desejo sexual errôneo, resultando em pensamentos e ações destrutivas.

12. Mascara a verdadeira ferida. Você está procurando a cura e torna as coisas piores.

13. Objetifica as mulheres. A pornografia as transforma em objetos sexuais. Ela sequestra a capacidade do homem de ver uma mulher mais velha como uma figura materna, uma mulher da mesma idade como uma irmã e uma mulher mais nova como a figura de uma filha.

14. Permanece em sua mente para sempre. Aquela imagem aparece repetindo em sua mente para criar um ciclo de luxúria pecaminosa e te levar de volta à pornografia. Você se torna ligado a uma imagem, não a uma pessoa.

15. A vergonha entra em sua vida. Culpa é sentir-se mal por algo que você fez. A vergonha, no entanto, é baseada em sentir-se mal por quem você é. A pornografia traz vergonha.

16. A confiança é perdida com as pessoas que você mais ama e respeita.

17. Abre a porta para todo pecado sexual. A pornografia é um portal, uma entrada que traz nada de bom e tudo de doloroso, como masturbação compulsiva, desejos, práticas sexuais perigosas, visita a lugares adultos, uso de prostituição, práticas sexuais pervertida e abuso sexual.

18. Viola mulheres. Como? Você está colocando seu selo de aprovação em uma indústria que degrada e desumaniza mulheres.

19. Um convite para olhar para outras mulheres.

20. Extingue a verdade. A pornografia promove a mentira. Você mente para os outros e mente para si mesmo. Você mente mais para cobrir velhas mentiras. Você se torna uma mentira viva.

21. Te liga a uma imagem. Você fica preso e ligado à imagem ao invés de sua esposa ou futura esposa se você é solteiro.

De todos estes pontos, o pior deles (e imperceptível aos humanistas) é o 17 (“abre a porta para todo pecado sexual”). Você pode perceber que praticamente toda traição, em especial entre os homens, vem de uma pessoa que teve durante a juventude um problema com a pornografia e que não conseguiu superar este problema na juventude, mas o trouxe consigo à fase adulta. Então ele pensa estar “livre” deste problema apenas porque temporariamente está satisfeito com sua esposa, mas este vício ainda está ali, escondido em algum lugar, até que um dia vem à tona de novo, desta vez não mais na forma de imagem, mas de pessoa. É aí que a carne fica fraca e que o adultério ocorre.

Os humanistas ateus não percebem isso, porque eles não creem no conceito cristão sobre a “carne” (a natureza humana inclinada ao pecado). Eles pensam o melhor sobre o homem, apesar de tudo o que vemos à nossa volta. Este conceito bíblico nada mais é senão a constatação por escrito de algo que de fato ocorre com os seres humanos, sejam eles crentes ou não. Nós possuímos uma natureza inclinada ao pecado, ao mal. Isso é fato. Mas nós nem sempre praticamos o mal, porque freamos estes nossos instintos pecaminosos, tal como alguém que tem vontade de enforcar o motorista barbeiro que o cortou no trânsito, mas se controla para não perder a calma, pensando nas consequências.

Ocorre que é possível controlar e ter domínio, pelo menos até certo ponto, sobre esta “carne”, sobre estes instintos carnais. Não totalmente. Você sempre irá se irritar com aquele barbeiro, mas poderá ter mais domínio sobre este instinto, dependendo da forma com que você vive e da maneira com que você lida com estes instintos. Este é um conceito tão óbvio que até os monges budistas já sabem há milênios, e praticamente toda religião do mundo também. As religiões podem divergir entre si quanto à forma correta de se frear estes instintos, mas todas elas concordam que a “carne” pode ser “dominada”, que é o que difere um monge budista de um assassino sangue frio.

É aí que reside a diferença entre o adúltero e o fiel. O adúltero, quase sempre, é alguém que perdeu a batalha contra a carne quando mais jovem, e depois a trouxe consigo mais forte ainda para a fase adulta. É por isso que ele não consegue oferecer resistência a uma mulher oferecida qualquer, se ela for atraente. O fiel, por outro lado, é quase sempre alguém que venceu essa batalha quando jovem, já tendo domínio sobre sua própria carne e conseguindo frear melhor seus desejos carnais, tendo, portanto, muito mais chance de vencer também uma tentação mais “real” quando adulto. Alguém que não resiste a uma imagem, não vai resistir à pessoa retratada na imagem. A batalha começa nos pensamentos e evolui para a prática. Ela começa na juventude e traz resultados quando adulto. Você semeia quando jovem aquilo que vai ser quando mais velho.

Quanto antes você “matar” essa carne, melhor. Quanto mais tempo você perder e mais deixá-la exercer controle sobre si, mais difícil será vencê-la depois. Isso é bíblico, mas não somente bíblico: é real. É algo que pode ser constatado por você mesmo. Não é nem sequer um ponto de “fé”. O que a Bíblia faz é nos incentivar a cortar o mal pela raiz. Você vence as tentações menores, para depois conseguir vencer as maiores. Você é fiel no pouco, para depois Deus te colocar sobre o muito.

A Bíblia o incentiva, de todas as formas, a se manter afastado até mesmo das formas mais iniciais de imoralidade e dos menores vícios, porque ela sabe que se você for dominado por estes vícios menores eles irão avançar para estágios cada vez maiores, assim como um vírus que se alastra dentro de si, ganhando cada vez mais espaço. Se você der espaço ao pecado na sua vida, esse espaço só tende a crescer com o tempo, a evoluir a tal ponto que o deixará sem saída, totalmente perdido e arrasado em toda sorte de vícios. Aqueles que já estão neste estágio final dos vícios dariam de tudo para poder voltar lá atrás e acabar com o mal enquanto ainda tinham chance, enquanto o vício ainda parecia pequeno e inofensivo.

Quando o pecado começa, você pensa que está no controle. Com o tempo, percebe que isso é uma ilusão, que não satisfaz de verdade. Depois, se dá conta de que você mesmo é um escravo do pecado. Um escravo é alguém que não está em condições de deixar de ser o que é. Um escravo do pecado é alguém que não consegue mais deixar o pecado, mesmo depois de querer sair dali. Há uma ironia muito grande nisso. Você entra pensando que está fazendo aquilo porque “é livre”, e depois percebe que aquilo tirou sua própria liberdade sobre o seu próprio corpo. Você era livre e não sabia. Você se tornou escravo ao buscar a “liberdade”.

O que os humanistas ateus oferecem a você é essa falsa “liberdade”, uma liberdade de aparência, que conduz à mais dura e severa escravidão que um ser humano pode sofrer: a escravidão de si mesmo. O pior tipo de escravidão é aquele no qual o ser humano perde o controle sobre si próprio, e faz aquilo que não deseja fazer. Não conseguir fazer aquilo que quer fazer é uma das piores sensações possíveis. Alguém que deseja ser livre do vício das drogas, do álcool, do tabaco ou da pornografia e não consegue é um prisioneiro dentro do seu próprio corpo. É alguém com capacidade de livre-arbítrio severamente restringida.

É como se você estivesse jogando vídeo game e os jogadores controlados fizessem o contrário dos comandos que você dá. A diferença é que no vídeo game você pode sair e entrar de novo no jogo, enquanto na vida nós só temos uma chance. Ao perdermos o domínio próprio, perdemos nossa identidade, perdemos nossa liberdade, perdemos nossa vida. O Cristianismo conhece perfeitamente bem este ciclo, e por isso conclama a nem ao menos entrarmos neste ciclo. Paulo, sabiamente, disse para nos mantermos longe até da aparência do mal (1Ts.5:22).

Isso, à primeira vista, pode parecer uma restrição da liberdade, mas, paradoxalmente, é exatamente o oposto: é aquilo que nos garante ser livres. Ao decidirmos por livre e espontânea vontade ficar longe de toda forma (até mesmo inicial) de imoralidade, estamos evitando entrar em um ciclo vicioso do qual muitos não saíram, e que já destruiu a vida de muita gente – ciclo este que caminha cada vez mais em direção à escravidão, à liberdade cativa, à servidão ao pecado. É isso o que os humanistas não entendem. Eles não percebem que o adúltero não se torna adúltero do dia pra noite, que o ladrão de bancos não decide roubar um banco do dia pra noite, que o drogado não decide ingerir cocaína do dia pra noite.

O ladrão sempre começa roubando coisas pequenas, até começar a tomar gosto pelo roubo, ver que nada lhe acontece, e então parte para os roubos maiores. O drogado nunca começa se viciando em uma droga pesada. Ele começa com uma droga mais leve, como a maconha (que estão querendo legalizar), começa a gostar, e então decide experimentar drogas mais pesadas, especialmente quando as drogas mais leves começam a não satisfazer como antes, o que o leva a buscar horizontes maiores. E, da mesma forma, o adúltero não se torna adúltero do dia pra noite. Ele alimenta a sua natureza pecaminosa dia após dia, começando quando jovem, fazendo de tudo para que não consiga se manter fiel quando adulto, mesmo quando ama a sua parceira.

Os ateus não entendem que em tudo existe um processo, uma escada que precisa ser quebrada desde os seus primeiros degraus. É isso o que o Cristianismo faz. O Cristianismo diz “não” ao estágio inicial, pensando também no estágio final. O Cristianismo preza pela saúde física e espiritual de cada indivíduo. Nenhum cristão proíbe; cristãos instruem. Cristãos percebem a raiz do problema e atacam a causa, e não a consequência do mal.

Nossos governos seculares fazem exatamente o contrário. Eles não fazem absolutamente nada contra a raiz do problema – nem mesmo uma campanha de conscientização – e depois tem que torrar o dinheiro público (o nosso dinheiro) contratando milhares de policiais para prender um monte de criminoso que não existiria caso a política correta fosse implementada, onde o mal é atacado pela raiz, de forma que não cresça para estágios piores, transformando o cidadão em um bandido.

O Cristianismo prega contra toda forma de imoralidade para evitar que alguém encha a cara, traia a mulher, se enfie em prostíbulos, consuma drogas, destrua a sua vida e vá para o mundo do crime. Os humanistas fazem o caminho inverso. Eles não falam nada contra a imoralidade, contra a pornografia, contra o adultério, contra o alcoolismo, contra a prostituição ou contra as drogas “leves”, e depois que tais pessoas se tornam criminosas tem que torrar dinheiro público para prendê-las ou tratá-las em clínicas de reabilitação.

Os humanistas esperam a casa pegar fogo para chamar os bombeiros. Os cristãos previnem que o maluco toque fogo na casa, e assim não precisam chamar os bombeiros, nem precisam que uma casa fique destruída. Essa é a diferença. O mundo discute sobre como se limpar da lama, e nós simplesmente sugerimos não se lançar nela, e então não precisará se preocupar com o resto. É simples.

Imagine como o nosso mundo seria muito melhor se todos seguissem os padrões de Deus a respeito do sexo: um mundo sem mães solteiras, sem abortos, sem doenças sexualmente transmissíveis, sem gravidez indesejada, sem prostituição, sem divórcios, sem traições. A norma de conduta estipulada por Deus com relação à abstinência pré-matrimonial visa preservar e salvar vidas de mães e bebês, valorizando as relações sexuais em um mundo que cada vez mais trata as mulheres como mercadoria, como meros “corpos” para se passar uma noite. O Cristianismo, diferente do mundanismo, valoriza as mulheres.

O homem que realmente ama a sua mulher não vai se importar se o sexo é para ser feito depois do casamento, porque ele não está com ela pelo sexo, mas por amor. Aquele que só está com uma pessoa por aquilo que esta pessoa pode lhe oferecer sexualmente dá amostras de que não vale nem um centavo, quanto menos aquela pessoa. É por isso que a coisa mais comum do mundo atualmente é um homem conseguir o que ele quer – ter relações sexuais com a moça convencendo-a que “a ama” – e depois que a engravida desaparece ou se separa, deixando-a totalmente desolada e arrasada, além de ter de cuidar de um filho sozinha.

Essa é a dura consequência dos valores humanistas ofuscando os valores cristãos em nosso mundo, sob o aplauso dos seculares que não vêem mal nenhum nisso, preferindo atacar o Cristianismo do que resolver o problema – pois sabem que para resolver este problema é somente na base da prevenção, onde se veriam obrigados a apelar aos mesmos valores cristãos que eles tanto detestam. Pode parecer chocante saber que 40% dos nascimentos nos Estados Unidos vêm de mulheres solteiras, mas este dado não surpreende em nada quando vemos os valores cristãos sendo excluídos da vida privada e dando lugar aos infames valores seculares que a mídia tanto exalta. Está claro que somente a camisinha como método de prevenção não basta – é necessário apelar a verdadeiros princípios morais que só o Cristianismo oferece.

Uma pesquisa de 2012, realizada nos Estados Unidos, apontou que quase 30% dos adolescentes americanos já praticaram o sexting, que é quando se usa o smartphone para enviar mensagens contendo fotos em que aparece nu[10]. E este dado sequer contabiliza os envios pelo computador, mas somente os enviados pelo celular. Este dado alarmante é outro fruto do crescimento do secularismo e a consequente ofuscação dos valores morais cristãos, e, logicamente, também traz consigo seus efeitos colaterais. O artigo publicado pela Veja diz:

“Seja nos Estados Unidos ou no Brasil, as ocorrências mais alarmantes parecem seguir um roteiro: a garota manda suas fotos para o namorado, que, após o término do relacionamento, as repassa a amigos e inimigos, preferencialmente os colegas de escola. A protagonista da trama, é claro, é esmagada pelo constrangimento. Em 2008, a história teve desfecho trágico: a americana Jessica Logan se enforcou aos 18 anos após sua foto, feita na intimidade, passar pelos olhos de todos”[11]

Para tornar o ocidente “pós-cristão”, a mídia secular aposta alto na promoção dos valores anticristãos, tratando de hiper-sexualizar as mulheres. Um relatório encomendado pela organização feminista britânica End Violence Against Women Coalition constatou que “as mulheres, especialmente as negras, são constantemente retratadas de forma hiper-sexualizada nos clipes”[12]. O artigo da Veja, sobre isso, afirma:

“Segundo o levantamento, nos vídeos os homens são personagens que têm ‘poder e dominam’, enquanto as mulheres são ‘receptoras passivas’ do olhar deles. Além disso, os espectadores que assistem aos clipes estariam mais propensos a considerar o comportamento promíscuo masculino aceitável e o das mulheres, intolerável. As instituições pedem mudanças para alterar a representação da mulher em vídeos musicais e a adoção de classificação etária para todos eles. ‘Durante anos, jovens mulheres têm nos dito que não estão felizes em ver como a mulher é representada na cultura popular e isso inclui os clipes. Estamos felizes em finalmente apresentar um relatório que reflete o impacto nocivo do racismo e do sexismo em vídeos de música’, disse Lia Latchford da Imkaan ao jornal britânico The Guardian[13]

Há uma ironia muito grande aqui. As feministas, que incluem entre seus principais alvos de ataque a religião cristã, agora reclamam das consequências do secularismo, que substituiu os valores morais do próprio Cristianismo. Se isso não tivesse acontecido, elas não estariam reclamando. Primeiro elas protestam contra os valores cristãos, e depois apelam a valores cristãos na luta contra aquilo que consideram sexismo e racismo. O Cristianismo já se posiciona contra a pornografia, a imoralidade e a hiper-sexualização da mulher séculos antes de surgir a primeira “feminista” no mundo. Jesus repudiou toda forma de objetificação da mulher ao dizer:

“Eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mateus 5:28)

Quando foi que um humanista secular já protegeu as mulheres desta forma? Nunca. Mas o Cristianismo já o faz desde há dois mil anos!

A condição é ainda mais decadente no Brasil, onde mulheres dançando praticamente nuas nos auditórios dos programas televisivos é considerado “normal”. Não deveria ser. Uma turista americana que veio ano passado ao Brasil fez um relatório de coisas consideradas boas e ruins, e deu destaque para como as mulheres daqui são vistas como objetos sexuais. Ela escreve:

“Como é triste que eu apenas digite no Google: ‘beleza brasileira’, com a esperança de ver as fotos do belo país, e em vez disso eu vejo imagens de concorrentes em concursos de beleza, focando nas mulheres e seus traseiros. Sabemos que essa objetivação é uma questão global, mas percebo que é muito mais gritante no Brasil. Por exemplo, eu fiquei chocada com algumas coisas que eu vi na TV dali. Eu tento assistir a um programa de auditório comum de entrevistas, e no lugar é isso o que eu vejo: um apresentador segurando um microfone com suas ‘assistentes’, uma fila de mulheres em trajes sumários, apenas posando e sorrindo. É como um maldito concurso de beleza! Surreal. Como mulher, eu acho isso francamente ofensivo. Este tipo de comportamento absolutamente nunca seria permitido nos EUA, mas é totalmente normal por lá”[14]

Eu concordo com tudo o que ela disse, só considero premeditado demais dizer que isso “absolutamente nunca seria permitido nos Estados Unidos”. Do jeito que as coisas andam, com o avanço da [i]moralidade secular em substituição aos princípios cristãos, não vai demorar muito tempo para o mundo se “abrasileirar”. De fato, o problema chegou a tal ponto que até Demi Lovato – uma cantora secular que não se compromete a princípio com os valores cristãos – teve que dizer que “você não precisa tirar a roupa para provar a todos que é madura... isso não é algo que você vai me ver fazendo no futuro”[15].

Demi teria dito em entrevista à revista “Megazine” que, “diferente da maioria, ela nunca achou necessário ficar semi-nua nos palcos para chamar a atenção e mostrar que não é mais uma garotinha”[16]. O ocidente observou passivamente a gradual superação dos valores cristãos por valores seculares, e agora a situação chegou a tal ponto que até eles mesmos estão desesperados. E nós não sabemos o que será do mundo amanhã, só sabemos que existe muita gente disposta a empregar todos os seus esforços no fim da religião, quebrando de uma vez por todas com o que ainda resta de moralidade no mundo.

Os humanistas também zombam e desprezam o preceito cristão sobre evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Para eles, parece mais uma daquelas instruções bíblicas sem sentido, que os cristãos chamam de “pecado” porque são “caretas”. Novamente, peço que imaginem um mundo sem motoristas bêbados que por consequência atropelam pessoas de bem e as matam, ou as deixam paralíticas para o resto da vida. Peço que pensem nas esposas que tem que aturar um homem bêbado dentro da sua casa, ou na criança escandalizada, vendo seu pai nestas condições. Peço que pensem nas insanidades que uma pessoa é capaz de fazer quando fica embriagada e perde o controle de si mesma.

É comum ouvirmos que o pecado é somente a embriaguez, não a bebida. Mas já acabamos de ver que o Cristianismo não é a religião dos bombeiros que apagam o fogo, mas sim a dos precavidos que sabiamente se afastam da possibilidade da casa pegar fogo. O Cristianismo não é da turma do pós, é da turma do pré. Suas ações são preventivas desde o início, sabendo que é o início que leva, aos poucos, ao estágio final. Se você sabe que do lado outro do caminho há uma porta que leva à destruição, você não vai trilhar este caminho, se for alguém inteligente. Muito menos se este caminho, de certa forma, te atrair para cada vez mais perto da porta. Se há uma outra opção – um outro caminho – é ele que tem que ser seguido.

Cristãos não creem que o pecado seja somente atravessar a porta larga (Mt.7:14), mas também trilhar o caminho largo (Mt.7:14), que é aquilo que leva à porta. Cristãos aprendem desde cedo, com Noé, que mesmo os homens mais sóbrios e prudentes podem passar dos limites depois que iniciam o processo. Noé era o homem mais santo do mundo da época, mas bebeu tanto ao ponto de ficar bêbado e de ser ridicularizado na frente de seus filhos (Gn.9:21-25). Se isso aconteceu com o melhor homem da época, quanto mais pode acontecer com qualquer um de nós. Não há ninguém acima de qualquer suspeita. Ninguém que esteja imune a atravessar a porta. Ninguém que possa garantir que, se beber, conseguirá se controlar perfeitamente e não cair na embriaguez. A solução não é começar e depois parar, é simplesmente não começar.

Assim como alguém que nunca consumiu drogas não sente desejo por elas até ser incentivado por alguém a consumi-las, ninguém tem desejo por bebida até experimentar uma e cair no vício. Mas você não precisa iniciar o processo. Se iniciou, a melhor opção é parar, antes que seja tarde demais. Os especialistas dizem que a bebida é quase tão ruim quanto as drogas, enquanto outros afirmam que a bebida é de fato uma droga. Vejamos alguns dados sobre a bebida alcoólica[17]:

• Algumas patologias são totalmente atribuídas ao uso de bebidas alcoólicas. Outras sofrem forte influência dessa substância, como cirrose hepática e pancreatite crônica. Em outros casos, como no câncer de mama, a origem da enfermidade é multifatorial, ou seja, o álcool faz parte de um conjunto de variáveis que atuam de maneira sistêmica.

• A ingestão abusiva de álcool está diretamente associada a um aumento no risco de acidentes de trânsito, quedas, queimaduras, lesões associadas a atividades esportivas e recreativas assim como lesões resultantes de violência interpessoal.

• Há evidências que indicam também que a presença de álcool no corpo está relacionada ao aumento na gravidade das lesões e acidentes com pior prognóstico de recuperação.

• Nos países desenvolvidos, 9,2% de todo o ônus de doenças é atribuído ao álcool, superado apenas pelo uso de tabaco e hipertensão arterial. Nos países em desenvolvimento com padrões de mortalidade relativamente baixos, tais como o Brasil, 6,2% de todo o ônus de doenças é responsabilidade das bebidas alcoólicas. Já nos países em desenvolvimento com elevados padrões de mortalidade, como a África e regiões do sudeste Asiático, 1,6% desse ônus é provocado pelo etanol. Presume-se que à medida que o desenvolvimento econômico aflorar nessas nações, o impacto causado pelo uso de álcool na saúde irá aumentar.

• De acordo com as pesquisas, o álcool provoca 60% dos acidentes de trânsito e é detectado em 70% dos laudos cadavéricos de mortes violentas. O álcool também é responsável por mais de 10% de todos os casos de adoecimento e morte no Brasil.

• As bebidas alcoólicas transformam 18 milhões de brasileiros em dependentes. Os impactos dos danos do álcool não deixam de afetar diretamente menores de idade. Um levantamento apontou que 65% dos estudantes de 1º e 2º grau são induzidos à ingestão precoce, sendo que a metade deles começa a beber entre 10 e 12 anos. Os menores são atingidos pelos efeitos do álcool também indiretamente, pois o seu consumo está ligado ao abandono de crianças, aos homicídios, delinquência, violência doméstica, abusos sexuais, acidentes e mortes prematuras, segundo o estudo da Unifesp.

Estes dados se tornam ainda mais assustadores quando observamos que a dependência do álcool está crescendo de forma acelerada na população brasileira. Estudos revelam que o número de dependentes cresceu 12,3% nos últimos anos. E, para piorar, há uma enorme conta pública deixada para nós em consequência do estrago feito por eles. O consumo de bebida alcoólica aumenta a necessidade de recursos públicos (como no SUS) para tratamento das consequências da bebida na vida dos usuários. O SUS gastou, entre 2002 e 2006, nada a menos que 37 milhões com tratamento de dependentes de álcool, e o prejuízo previsto pelos danos causados pelo álcool chega a 2,8 bilhões. Essa conta não é paga pelos beberrões; ela é paga por nós, nos impostos federais.

O consumo da bebida alcoólica, é claro, é muito incentivado pela nossa mídia humanista secular. Suas propagandas invadem os canais de televisão, tentando a todo e qualquer custo passar a ideia de que o seu consumo é “bom”. E para tentar se salvar das consequências desastrosas da bebida eles inventaram o lema “se beber não dirija”, que é provavelmente o lema mais inútil já inventado pelo homem, já que quem fica bêbado não está totalmente no controle de si, e por isso não pode realmente decidir se vai dirigir ou não depois de beber muito. Dizer para um bêbado que não é para ele dirigir é como colocar uma placa para cegos avisando para não atravessar a rua.

É por isso que essa jogada de marketing nunca abaixou o número de mortos em acidentes decorrentes do consumo de álcool, que aumenta cada vez mais. Será que esses motoristas bêbados nunca leram que “se beber, não dirija”? É claro que eles leram. E é claro que não adiantou nada. Se a mídia secular quisesse realmente solucionar o problema causado pela bebida, o lema certo deveria ser simplesmente “não beba”, ao invés de algum “se beber...”. Mas se eles fizessem isso estariam repetindo aquilo que os cristãos já dizem há séculos, e a intenção deles nunca foi de preservar o indivíduo e aprimorar a qualidade de vida da sociedade, mas sim de vender cervejas e ir para a farra.

Há algum tempo ficou muito conhecido o caso do zagueiro Breno, um jovem que saiu do São Paulo com 17 anos, indo jogar na Alemanha. Com alguns problemas pessoais e muita bebida, em certo dia ele voltou para a sua casa, totalmente bêbado, e a incendiou completamente. Por sorte, a sua família não estava em casa no momento. Ele ficou alguns anos preso e quando saiu disse que nunca mais voltaria a beber[18].

O interessante é que Breno não fazia o perfil de jogador baladeiro ou descontrolado psicologicamente. Ao contrário: era um jovem tímido, equilibrado, cujo único problema era a bebida. Mas este único problema foi exatamente o que o levou a extremos, ao ponto de quase arruinar completamente a sua vida. Outros chegaram a extremos maiores, como os que sabiam que não podiam dirigir embriagados, mas perdiam o controle de si quando bebiam e iam para o volante, resultando na morte de algum inocente.

Pessoas assim não são “do mal”. Elas não premeditaram o crime. Da mesma forma que não era a intenção de Breno queimar a própria casa, muitas vezes não era também a intenção das outras pessoas saírem dirigindo bêbadas e atropelar alguém. O problema é não é com elas, é com a bebida. Elas, assim como tantas outras pessoas, pensavam que conseguiriam se controlar e “beber só moderadamente”, mas não conseguiram. A maioria delas aprendeu com o erro cometido, mas há muitos que esperam se queimar para perceber que não se deve colocar a mão no fogo. O sábio aprende com o erro dos outros para não incorrer no mesmo erro, enquanto o tolo se acha melhor do que os outros e pensa que é imune ao mal, e só aprende depois que acontece com ele.

Por Cristo e por Seu Reino,

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


        




[2] ibid.
[6] ibid.
[7] ibid.
[11] ibid.
[13] ibid.
[16] ibid.

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