quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cristianismo e Desenvolvimento


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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No capítulo anterior, vimos também que em todos os lugares do mundo onde o ateísmo se tornou oficial no país e a filosofia humanista foi colocada em prática pelo Estado o que resultou foi genocídio, perseguição, intolerância, ódio, censura, cerceamento e restrição da liberdade de pensamento. A filosofia humanista, quando colocada em prática, nunca resultou em verdadeira liberdade. Nunca deu a luz a uma democracia.

Os únicos dois países do mundo onde o ateísmo ainda é a “religião” oficial, Coreia do Norte e Cuba (socialistas), não tem um pingo de liberdade. A “liberdade” ali é concordar subservientemente com os ditadores facínoras que comandam estes países. Se você não for uma vaquinha de presépio e balançar a cabeça o tempo todo dizendo que “sim”, é acusado de “golpista” e é perseguido, calado à força, preso ou morto. Isso é a filosofia humanista colocada em prática.

Os países mais cristãos do mundo (ex: Estados Unidos, Reino Unido) são o berço da democracia, onde há liberdade até para escrever um livro dizendo que a crença em Deus é um delírio e que a religião é um vírus. Tente fazer isso em Meca, ou o oposto a isso na Coreia do Norte. Só tente. Nos países mais cristãos do mundo, os não-cristãos podem, à vontade, zombar e debochar dos cristãos, ridicularizar a fé alheia, escrever livros dizendo que os crentes estão todos delirando, invadir pelado a catedral Notre Dame e danificá-la em “protesto”, e nada é feito[1]. Os cristãos são tolerantes, e às vezes até demais!

Enquanto isso, nos países menos cristãos do mundo, o simples fato de ser cristão já é motivo suficiente para ser preso ou condenado à morte. As igrejas na Coreia do Norte (Estado oficialmente socialista e ateu) são subterrâneas, escondidas, porque se eles descobrem que você é cristão há um campo de concentração com dezenas de milhares deles te esperando ali. Isso é ainda modesto em comparação com aquilo que os regimes socialistas-ateus fizeram no século passado, seguindo uma ideologia humanista e materialista (já abordamos isso no capítulo anterior, e não é necessário relembrarmos aqui).

Ou, então, tente abrir uma igreja cristã em um país de tradição islâmica, que segue um livro sagrado que manda exterminar os “infieis” (dentre os quais os cristãos estão incluídos), dizendo: “Matai-os onde quer se os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição é mais grave do que o homicídio (...) E combatei-os até terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus” (Alcorão 2:191,193). Certa vez um líder cristão inqueriu um líder muçulmano sobre a razão pela qual os cristãos permitem que eles abram suas mesquistas em nossos países, mas eles não permitem que nós abramos nossas igrejas nos países deles. Ele não soube responder. Mas eu respondo: liberdade. Essa é a diferença fundamental entre o Cristianismo e as demais visões de mundo. Uma liberdade que flui da tolerância.

O Cristianismo trouxe ao mundo o conceito de tolerância, algo que até hoje inexiste no dicionário dos humanistas. Tente ser contra o kit gay ou o casamento homossexual, e você é taxado de homofóbico. Tente ser contra o comunismo, e você é taxado de fascista. Tente ser contra o aborto, e você é taxado de fundamentalista. Tente ser contra as cotas, e você é taxado de racista. Tente ser cristão, e você será taxado de tudo isso e de muito mais. Estamos falando do que eles fazem em países majoritariamente cristãos, debaixo do nosso nariz. Imagine o que eles não fariam onde eles dominassem. Nós não precisamos sequer fazer um exercício de imaginação, porque já vimos o que eles fizeram no século passado, com todas as revoluções ateístas que terminaram em genocídio. A intolerância é o que eles fazem quando estão “fora de casa”. O genocídio é o que eles fazem quando estão “dentro de casa”.

Existem humanistas seculares mais tolerantes e respeitosos, que se diferem de Dawkins e do espírito do neo-ateísmo? Com certeza. Mas este é o ponto mais interessante do jogo. Esses humanistas seculares de respeito estão assentados sob uma montanha cristã e não percebem. Eles se aproveitam, se beneficiam e fazem uso da moral elevada do Cristianismo que se extendeu em todo o ocidente, e muitos deles depois ousam despejar sua fúria contra o próprio Cristianismo.

De onde vem os valores que eles tanto defendem? Ser você ler os livros ateístas que estão no mercado, você verá quais valores são importantes para eles: compaixão, altruísmo, soliedariedade, piedade, bondade, etc. Eles dizem que creem nisso tanto quanto qualquer cristão, e que, portanto, não é preciso ser cristão para ser “bom”. O que eles não vão dizer a você é que todos esses valores que eles dizem crer vieram para o ocidente (e muitas vezes para o mundo) por causa do Cristianismo. A compaixão, por exemplo, não é um valor universal. Ela é um valor cristão trazido para o ocidente pela moral cristã.

O apologista cristão Dinesh D’Souza (nascido na Índia), citando um exemplo, explicou:

“Se amanhã houvesse uma grande falta de alimentos em Ruanda ou no Haiti, essa seria a reação: todos os países do ocidente agiriam. Haveriam manifestações de soliedariedade, Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, igrejas enviando alimentos, trabalho voluntário, etc. E há vários países ricos no mundo oriental (China, Índia, os países islâmicos cheios de petróleo), mas qual seria a reação deles? Eles não dariam a mínima. Eles seguiriam suas vidas. Por quê? Porque esta ideia de obrigação para com o próximo é um conceito do ocidente.
Quando criança, na Índia, aprendi um provérbio: ‘As lágrimas dos que não conhecemos são apenas água’. Este pode parecer um jeito insensível de se pensar, mas na verdade não é. É o jeito que todos pensam. A ideia aceita por todo o mundo é a de que temos obrigações com nossa família. É por isso que trabalhamos e provemos. Para quem? Não para os outros, mas para a nossa família. Suas obrigações são para com sua família, depois para seus parentes, seus vizinhos, seus amigos, sua ‘tribo’, e é isso. Então, se alguém que não é seu conhecido aparece com um problema, você deseja que ele fique bem, mas não é seu problema. Portanto, a ideia de compaixão é exclusiva do ocidente”[2]

Ele prossegue então mostrando de que forma que o ocidente veio a ter enraizado o conceito de compaixão:

“Você pode pensar que veio do ocidente do passado, com a Grécia antiga ou com Roma, mas se você olhar para a era pré-cristã, no ocidente pré-cristão, compaixão não era tida como virtude. Aristóteles, por exemplo, faz uma lista das virtudes, e compaixão não aparece na lista. O mais próximo que Aristóteles chega disso é a pena, mas a pena para Aristóteles não é uma virtude, é um vício! Portanto, compaixão vem ao mundo como um valor universal somente com o Cristianismo”[3]

E a mesma coisa ele diz se aplicar ao conceito de dignidade humana:

“Na era pré-cristã de Grécia e Roma, na era Clássica antiga, a vida humana não era nem um pouco dignificada. Os espartanos pegavam seu sexto filho e o deixavam nas colinas, para achá-lo morto na manhã seguinte. No inverno. E esse nem era um grande escândalo. Os grandes filósofos da Grécia antiga, Platão, Aristóteles, Sócrates, sabiam disso mas não davam importância. Para eles não era relevante. Por quê? Porque a ideia de que a vida humana é especial, preciosa ou ‘sagrada’ veio com Jesus, com o Cristianismo”[4]

Isso foi trazido à tona em um debate entre Dinesh e Hitchens, em que alguém da plateia dirigiu uma pergunta ao debatedor neo-ateu:

“Professor Hitchens, eu venho de Tonga. Antes do Cristianismo chegar em Tonga e Fiji, em Fiji as pessoas se alimentavam uma das outras. Em Tonga era o caos. Minha pergunta é a seguinte: digamos que o Cristianismo nunca tivesse chegado ao Pacífico. O que você teria a nos oferecer como ateu?”[5]

É difícil compreender bem o que veio em seguida, porque foi qualquer coisa, menos uma resposta. Hitchens se enrolou todo e, ao invés de responder diretamente a pergunta, passou a divagar sobre o velho e conhecido “problema dos povos não-alcançados” (que será tratado no apêndice 1 deste livro), que é sobre o destino espiritual daqueles que nunca ouviram falar de Jesus. Mas ele não respondeu a pergunta que lhe foi dita, porque sabia que teria que ser honesto o suficiente para admitir que o Cristianismo mudou a vida em Tonga e em Fiji, assim como mudou nos outros lugares do mundo. Isso jamais sairia da boca de um neo-ateu. O neo-ateu é alguém treinado a cuspir só ataques ao Cristianismo. A verdade para ele não importa.

A verdade é que Tonga e Fiji são somente dois exemplos específicos de um todo muito maior que coube ao Cristianismo revolucionar moralmente em toda a terra. Não era só em Tonga e em Fiji que as pessoas comiam umas às outras antes do Cristianismo chegar. E o canibalismo não era a única atrocidade cometida antes de o Cristianismo mudar essa realidade. Os cristãos tiveram que evangelizar os povos bárbaros com a moral cristã, pois eles tinham a vingança como sinônimo de justiça.

De fato, o mundo todo tem algo a agradecer ao Cristianismo – algo que não teríamos se Jesus nunca tivesse nascido, ou se os cristãos negligenciassem essa mensagem e não a passassem adiante a “todo o mundo, pregando o evangelho a toda a criatura” (Mc.16:15).

Dinesh percebeu a fuga pela tangente do debatedor neo-ateu e afirmou:

“Eu acho que Christopher não percebeu a força do argumento aqui. Quando o Cristianismo chegou ao resto do mundo, ele trouxe novos valores para essas culturas. Quando o Cristianismo chegou à Índia, logo você observa que um grande número de indianos correu para o Cristianismo. Por quê? Conforme eu fui examinando esse assunto, descobri que no sistema de castas da Índia você tem quatro castas com os párias por baixo de todos. Se você nasceu pária, você está acabado, não há para onde ir, você não consegue se safar. Muitas pessoas da classe pária foram muito atraídas para o Cristianismo, pois eles o viam como afirmação da ideia de igualdade espiritual entre as pessoas. Significou que havia algo a dizer a eles: ‘Você não é um nada, você não é um cão, você é um ser humano e isso conta muito’.
A maior parte do mundo não tem isso. Nós não o tínhamos na civilização ocidental tampouco. O Cristianismo o trouxe. Ele importou um pouco disso do Judaísmo, mas o Judaísmo era para a tribo: Deus instruiu seu povo escolhido. O Cristianismo toma a ideia e a universaliza. Se você olhar para os direitos divulgados pela ONU, a Declaração dos Direitos Humanos, notará algo muito interessante: eles não são universais. Praticamente todos esses direitos são uma herança específica do Cristianismo. É bom que eles sejam universalizados, como o Cristianismo queria desde o início, mas eles não eram direitos compartilhados e reconhecidos em todas as culturas e práticas, sejam elas religiosas ou não, nas outras culturas”[6]

E não é só na moralidade que o Cristianismo transformou o mundo. Até mesmo a própria ciência avançou singularmente no ocidente, por influência cristã. Dinesh afirma:

“O filósofo islâmico Al-Ghazali diz que a ideia de que o Universo funciona sob certas leis é maluquice. De acordo com ele, o Universo opera sob a vontade de Deus. Tudo funciona de acordo com Alá, o soberano, pois ele decidiu que assim deveria ser naquele exato momento, e não existe outra maneira das coisas acontecerem. No Islã há a negação do cosmos racional, mas o Cristianismo acredita, e é este o motivo pelo qual a ciência se desenvolveu somente nas civilizações ocidentais. Ela não se desenvolveu simultaneamente em todos os lugares”[7]

Até mesmo na Idade Média, que os humanistas adoram chamar de “Idade das Trevas”, houve um considerável progresso científico. A historinha de que a religião emperrou o avanço científico é lenda. A historiadora francesa Régine Pernoud, especialista em estudos medievais, refutou a ideia de que a Idade Média tenha sido uma “era das trevas”, cuja responsabilidade recaia sobre a religião. O seu livro “Luz sobre a Idade Média” lhe conferiu o prêmio “Fémina-Vacaresco” de crítica de história. Ela também é autora do livro “A Idade Média: O que não nos ensinaram”.

Régine Pernound afirma que o Direito Romano contribuiu poderosamente para desfazer as instituições e os costumes da Idade Média Ascendente, e o renascimento do Direito Romano fundamentou o menosprezo da mulher e outros males que foram superados pela cristandade. Na verdade, os mil anos da Idade Média foi uma fase valiosa e rica da história da humanidade, bem diferente da ideia sombria que os humanistas querem nos passar. A era moderna não surgiu a partir do nada, mas os seus valores foram cultivados na Idade Média, e da Idade Média ao mundo moderno.

Até mesmo o historiador agnóstico Will Durant (1950) afirmou:

“A causa básica da regressão cultural não foi o Cristianismo, mas o barbarismo, não a religião. O empobrecimento e ruína das cidades, mosteiros, bibliotecas, escolas, tornaram impossível a vida escolar e científica. Talvez a destruição tivesse sido pior se a Igreja não tivesse mantido alguma ordem na civilização decadente”[8]

Nós não tínhamos celular, televisão, energia nuclear e viagens espaciais na Idade Média porque estávamos ocupados em inventá-las e descobri-las para que as tivéssemos hoje. A Idade Média ocidental ocupa um lugar muito importante na história do desenvolvimento tecnológico, onde há registros de uma série de invenções e descobertas como as lentes de óculos, a bússola, a roda com aros, o relógio mecânico com pesos e rodas, a caravela, a imprensa, a ferradura de cavalo, os moinhos de água, de maré, de vento, etc.

Guido d’Arezzo (992-1050) foi o criador das sete notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) e apresentou também a Pauta Musical de quatro linhas (ambos os sistemas são usados até hoje). O filósofo e frade Roger Bacon (1214-1294) é considerado até hoje o precursor da revolução científica. Ele deu uma enorme contribuição à medicina, à filosofia, à geografia e à óptica. Jordanus Nemorarius (séc.XIII) foi um monge matemático que introduziu os sinais de “mais” e “menos”, foi o fundador da escola medieval de mecânica e da “lei do plano inclinado”.

No século seguinte, o filósofo e clérigo Jean Buridan (1300-1358) criou a “teoria do ímpeto”, que explicava o movimento de projéteis e objetos em queda livre, preparando o caminho para a dinâmica de Galileu e a inércia de Newton. Nicole d’Oresme (1323-1382) propôs, duzentos anos antes de Copérnico, a teoria de que a Terra está em movimento. O monge Luca Bartolomeo de Pacioli (1445-1517), que foi professor de Leonardo da Vinci, é considerado o pai da contabilidade moderna.

O historiador francês Reginald Gregoire declarou:

“De fato, seja na extração de sal, chumbo, ferro, alume ou gipsita, ou na metalurgia, extração de mármore, condução de cutelarias e vidrarias, ou forja de placas de metal, também conhecidas como rotábulos, não há nenhuma atividade em que os monges não mostrassem criatividade e um fértil espírito de pesquisa. Utilizando sua força de trabalho, eles instruíram e treinaram à perfeição. O conhecimento técnico monástico se espalharia pela Europa”

O século XIII foi também o das grandes universidades, como a de Paris, Bolonha e Sorbone, que, por sinal, foram todas fundadas pelos cristãos. A primeira Universidade foi a de Oxford (1096), na Inglaterra, a mesma onde Dawkins estudou e se formou, depois Bolonha, na Itália, fundada em 1111, que tinha dez mil estudantes das mais diversas nacionalidades, depois veio a Sorbone de Paris (1157), depois Cambridge (1209), em seguida na Espanha, Compostela (1346), Valadolid, Salamanca, dentre outras.

Até 1440 foram criadas na Europa 55 universidades e mais 12 institutos de ensino superior, onde se estudava Direito, Filosofia, Medicina, Teologia, Ciências, Artes e Línguas. Em 1608 já existiam mais de cem universidades na Europa. Dessas universidades, mais de oitenta tiveram origem na Idade Média. A ideia de que a religião emperrou o avanço científico na Idade Média, tornando-a uma “idade das trevas”, é uma visão distorcida criada pelos secularistas e já superada historicamente. Um site conhecido de pesquisas na internet assim se refere sobre a Idade Média:

“A expressão Idade das Trevas para se referir à Idade Média foi muito utilizada no passado. Alguns historiadores usaram esta expressão, pois tinham como referências a cultura greco-romana e da época do Renascimento. De acordo com estes historiadores, a Idade Média foi uma época com pouco desenvolvimento cultural, pois a cultura foi controlada pela Igreja Católica. Afirmavam também que praticamente não ocorreu desenvolvimento científico e técnico, pois a Igreja impedia estes avanços ao colocar a fé como único caminho a seguir.
Porém, a partir da segunda metade do século XX, com novos estudos históricos sobre a cultura e ciência da idade Média, houve uma nova visão sobre este período e o termo foi sendo abandonado. Alguns historiadores chegaram à conclusão que o desenvolvimento cultural e científico foi muito rico durante a época medieval. Ocorreram avanços científicos e técnicos (exemplo da arquitetura). As universidades medievais foram ricos centros de produção de conhecimentos e debates. Atualmente, o uso do termo ‘Idade das Trevas’ é considerado preconceituoso e também incorreto, pois desqualifica a cultura, a ciência e a arte da Idade Média”[9]

Embora essa visão tola de que a religião tenha emperrado o avanço científico já tenha sido superada pelos historiadores decentes e por qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento histórico e vontade de estudar, os neo-ateus do nosso século trataram de tentar ressuscitar os termos “obscurantismo” e “era das trevas” unicamente para poder usar estes frames contra os cristãos. Em uma roda de conversa com duas horas de duração, que contava com Dawkins, Dennett, Harris e Hitchens, este último propôs aos outros três que voltassem a utilizar estes termos contra a religião[10].

Eles querem ressuscitar uma mentira, porque o neo-ateísmo vive de mentira. Sem as calúnias, as distorções históricas, os falsos frames e os espantalhos não há neo-ateísmo. Obscurantismo não é a Idade Média. Obscurantismo é, em pleno século XXI e com todo o conhecimento que possuímos sobre a Idade Média, chamarmos a Idade Média de “obscurantismo”. Isso sim é realmente viver em trevas, deconectado da realidade histórica.

Ao final da Idade Média, a situação melhorou ainda mais com a Reforma Protestante, a partir de 1517. Os protestantes fundaram a maior universidade do mundo, a famosa Universidade de Harvard, fundada em 1636 pelos reformados. O próprio John Harvard era um pastor congregacional. Harvard tirou dinheiro do próprio bolso para fundar a universidade “para a glória de Deus”, que leva seu nome até hoje. A declaração de missão da universidade era:

“Cada estudante deve ser simplesmente instruído e intensamente impelido a considerar corretamente que o propósito principal de sua vida e de seus estudos é conhecer a Deus e a Jesus Cristo, que é a vida eterna (João 17:3). Consequentemente, colocar a Cristo na base é o único alicerce do conhecimento sadio e do aprendizado”.

Robertson acrescenta sobre a Universidade de Cambridge:

“Acima da porta dos ‘velhos’ Laboratórios Cavendish em Cambridge – onde J. J. Thompson descobriu o elétron e Crick e Watson definiram a estrutura do DNA – há uma inscrição: Magna opera Domini exquisita in omnes voluntates ejus (Grandes são as obras do Senhor, e para serem estudadas por todos os que nelas se comprazem, Salmo 111.2). Tal teologia não parece ter entravado as ciências em Cambridge, a qual ainda consegue produzir mais ganhadores do prêmio Nobel do que qualquer outra instituição, Oxford incluída: 29 prêmios Nobel em Física, 22 em Medicina e 19 em Química!”[11]

A Universidade de Princeton, também considerada uma das melhores do mundo, também foi fundada por evangélicos, em 1746. O governador Jonathan Belcher fundou a universidade originalmente como uma instituição presbiteriana. O interessante é que estas universidades, originalmente cristãs, se tornaram seculares com o passar do tempo e, coincidentemente ou não, o nível educacional também caiu. Robertson aponta para a sua própria terra, a Escócia, e diz:

“A minha própria terra, a Escócia, era famosa por seu sistema educacional, um sistema que provia oportunidade, educação e progresso a todos os que estavam dispostos para o aproveitarem. Era um sistema que estava fundamentado em princípios cristãos e que operava com a concepção de que, onde houvesse uma igreja, deveria haver uma escola. Todas as nossas maiores universidades eram baseadas em princípios cristãos e, de modo geral, tal sistema nos serviu bem. Não por coincidência, assim que os princípios básicos de Cristianismo foram expulsos da escola e da cultura, a Escócia tornou-se uma cultura significativamente emburrecida e nós estamos rapidamente caindo na tabela internacional de educação”[12]

O historiador Marco Antonio Villa compara o Cristianismo ao islamismo e acentua o papel importante da Reforma Protestante no avanço do Cristianismo, dizendo:

“O Cristianismo teve um papel muito importante da Reforma Protestante. O século XVI muda a história do Cristianismo, e aquilo tem um reflexo direto na vida política. Nós não teríamos os Estados Unidos, da forma que se formaram, se não tivesse a Reforma Protestante do século XVI. Mas o Islamismo nunca teve uma espécie de Reforma Protestante”[13]

Olavo de Carvalho, embora seja abertamente católico, admitiu que o modelo de governo das igrejas protestantes criou a sociedade que gerou os avanços na liberdade e lançou as bases para o desenvolvimento econômico das nações:

"Desprovidos de uma autoridade central como a do papado, os grupos religiosos independentes encontraram na convivência igualitária, no livre comércio e na fidelidade aos mandamentos evangélicos, interpretados segundo a consciência de cada qual, os princípios de uma nova ordem social e econômica que floresceu no capitalismo moderno. Nos países católicos, inversa e complementarmente, a causa da paralisia econômica não foi a moral da Igreja, mas a centralização burocrática.
(...)
Três elementos foram decisivos para o bom resultado econômico do capitalismo: (a) a liberdade de auto-organização; (b) a homogeneidade moral, resultado da fidelidade geral ao Evangelho (tanto mais estrita porque, não havendo autoridade formal superior, a Bíblia se tornava, diretamente, o critério comum para a arbitragem de todas as disputas); (c) o ambiente de confiança, honradez e seriedade criado pelos dois fatores anteriores. Em contrapartida, o autoritarismo papal e monárquico criou sociedades anêmicas, desfibradas, intimidadas e corrompidas pela subserviência à burocracia onipotente”[14]

Há uma inegável correlação entre o protestantismo e o capitalismo, pois aquele serviu de impulso para este, e foi essencial no desenvolvimento do comércio e da indústria. Ninguém escreveu melhor sobre isso do que o alemão Max Weber (1864-1920), em sua clássica obra A ética protestante e o "espírito" do capitalismo. O trabalho de Weber foi tão extraordinário que até um historiador ateu e esquerdista admitiu que “as análises de Weber sobre o tema continuam não apenas atuais e insuperadas, como também não houve críticas capazes de mostrar qualquer falsidade nelas”[15]. Weber demonstrou que o protestantismo contribuiu fortemente para formar o moderno “homem de negócios”, tendo suas raízes na moral religiosa puritana.

Como também vimos no capítulo 1 deste livro, a esmagadora maioria dos mais renomados cientistas que viveram nos últimos cinco séculos eram teístas cristãos. Foram os cientistas cristãos, como Newton, Galileu, Copérnico, Pascal, Descartes, Pasteur, Da Vinci, Faraday e Collins que realizaram as grandes descobertas científicas que nos colocaram no patamar em que nos encontramos hoje. Se o Cristianismo barrasse o avanço científico, nada teria sido feito, e tudo o que teríamos seriam as realizações dos humanistas seculares – uma minoria.

Os ataques histéricos dos neo-ateus, tentando impor seu humanismo secular e esmagar a moral cristã, não apenas têm demonstrado argumentos falaciosos e inverídicos, mas também têm ignorado que todo o avanço no mundo, desde a moral até a ciência, tem se desenvolvido principalmente em áreas judaico-cristãs, e não fora delas. Em qual continente o Cristianismo, seja ele o católico ou o reformado, mais cresceu e se desenvolveu? Na Ásia predomina até hoje o budismo e o hinduísmo. Na África o Islamismo e as religiões afro. No Oriente Médio não precisamos nem dizer o que é.

A verdade é que o único continente do mundo que foi moldado por mais de um milênio pela religião cristã é a Europa. Qual é o continente mais rico, desenvolvido e poderoso do mundo? Você já sabe a resposta. Os neo-ateus têm que quebrar a cabeça para tentar explicar por que as regiões onde o Cristianismo mais se desenvolveu são também as regiões mais desenvolvidas do globo terrestre, já que para eles o Cristianismo é sinônimo de atraso e regresso. Os fatos lutam contra eles, ou melhor, são eles que lutam contra os fatos.

É lógico que não é somente a religião que conta. A política também exerce forte influência, mas ela não atua sozinha. A religião de um povo desempenha um fortíssimo papel na construção da moralidade deste povo, enquanto a política deste povo desempenha o papel fundamental na economia da nação. O problema é que uma moral atrasada pesa negativamente na economia, e uma moral evoluída pesa positivamente. Elas não são coisas que não se cruzam. Um exerce poder sobre o outro.

A moral cristã, por exemplo, ensina o tempo todo a importância e o dever de todos os cristãos em fazer caridade e boas obras. Isso ajuda os mais necessitados e abaixa a desigualdade social. Uma religião que não ensina a compaixão ou não coloca tanta ênfase nisso deixará um peso maior para o governo. E uma religião onde há extremistas suicidas, que explodem prédios, hospitais e escolas, deixará um peso maior ainda. A verdade é que as religiões, boas ou más, exercem um forte poder de influência (positivo ou negativo) sob as nações.

Já vimos que isso é verdade até mesmo sob o prisma da ciência. Os maiores cientistas do mundo foram cristãos, ou, no mínimo, viviam em áreas cristãs. Isso não ocorre por coincidência ou acaso. Isso ocorre porque o Cristianismo, diferente de outras religiões, propicia condições favoráveis para o estudo científico e estimula a busca pelo conhecimento. A palavra ciência literalmente significa “conhecimento”, e origina-se do verbo latinoscio (saber). Daniel diz que nos últimos tempos a procura pelo conhecimento aumentaria (Dn.12:4), o Salmo 111:2 diz que as obras do Senhor (Universo) são para serem estudadas por todos os que nelas se comprazem, Provérbios 18:15 diz que “o coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria”, Provérbios 1:29 repreende aqueles que “desprezaram o conhecimento” e Provérbios 14:18 diz que “o conhecimento é a coroa dos prudentes”.

Pedro pede para “acrescentar à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência” (2Pe.1:5). Paulo incentiva a “conhecer todos os mistérios e toda a ciência” (1Co.13:2), a “abundar na fé e na ciência” (2Co.8:7) e diz também que “Deus deseja que todos cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). A Bíblia diz também que “Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios” (At.7:22), o que o tornou “poderoso em suas palavras e obras” (At.7:22), e também declara que Deus tornou Hananias, Misael e Azarias “dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores de todo o seu reino” (Dn.1:20), de modo que “o rei lhes fazia perguntas sobre todos os assuntos nos quais se exigia sabedoria e conhecimento” (Dn.1:20).

A verdade é que toda a Bíblia nos incentiva a buscar, crescer e se aprofundar em conhecimento (ciência), o que levou o Cristianismo a produzir a maior quantidade de cientistas que este mundo já viu. Você pode pesquisar em qualquer lugar que seja, e descobrirá que um misto de boa religião com boa política é o que levou todo país desenvolvido a este nível de desenvolvimento. Qual é a nação de tradição mais evangélica do mundo? Estados Unidos. A maioria dos pais fundadores eram cristãos, mais da metade da população norte-americana é evangélica, os Estados Unidos é o país mais protestante do mundo e um enorme celeiro de missionários a toda a terra. E, apenas por curiosidade, qual é o país mais poderoso do mundo? Você já sabe a resposta.

Os Estados Unidos é um país tão avançado que isso tem se tornado um problema para eles. Sim, pois legiões de imigrantes ilegais acabam fugindo de seus países para tentar uma vida melhor nos Estados Unidos, e eles não fariam isso se não vissem nos Estados Unidos um exemplo de país avançado, desenvolvido, próspero e poderoso, ainda que tenha suas dificuldades, como qualquer outro país tem também. O problema é que essas legiões de imigrantes fugitivos – e extremamente pobres – que entram ilegalmente no país acabam se tornando um peso para o governo, que não pode deixá-los morrendo de fome, então tira dos cidadãos norte-americanos para dar aos imigrantes pobres, que acabam empobrecendo o país.

Eu não estou dizendo que isso está errado, ou que o governo norte-americano devesse mandar embora todos os imigrantes ou deixá-los morrendo de fome. A questão não é essa. Os Estados Unidos fazem bem ao ajudar os imigrantes que não veem mais perspectiva de vida em seus países. A ironia recai exatamente nisso: um país que se torna tão poderoso e desenvolvido ao ponto disso se tornar um dos principais problemas socioeconômicos, pelos efeitos colaterais que se tem. Se esses imigrantes não vissem nos Estados Unidos uma esperança de vida, não sairiam de seus países. O problema dos Estados Unidos é causado pelo seu próprio desenvolvimento e supremacia![16]

O segredo dos Estados Unidos nada mais é senão a junção de boa religião + boa política, ou, para ser mais específico, de Cristianismo + Liberalismo Econômico. Todos os países do mundo que historicamente colocaram essa fórmula em ação tiveram sucesso. A Europa fez isso. Procure um país europeu que seja oficialmente comunista, e você não encontrará nada. Procure um país europeu que foi historicamente construído por não-cristãos, e você também não encontrará nada. Até mesmo os países europeus que hoje apresentam um número considerável de ateus vêm de tradição cristã. Os ateus que vivem hoje na Europa estão pisando seus pés em uma montanha cristã construída por séculos.

Se por um lado o país mais protestante e economicamente liberal do mundo é também a maior potência do planeta, por outro lado não podemos nos esquecer de Israel, que também foi moldado por milênios pela moral bíblica, embora o judaísmo aceite apenas o Antigo Testamento (ainda que exista uma quantidade significativa de judeus messiânicos, que aceitam o Novo Testamento também). Enquanto os Estados Unidos representa apropriadamente o lado cristão, Israel representa apropriadamente o lado judaico, e, juntos, representam aquilo que podemos chamar de moral judaico-cristã de nossos dias. “Coincidentemente”, Israel é também o país mais desenvolvido do Oriente Médio, ganhando disparado de todos os países muçulmanos que o rodeiam.

Israel é uma nação geograficamente pequena, com 20.700 km2. Para você ter uma noção de como isso é pouco, o menor de todos os 26 estados do Brasil, que é o Sergipe, é maior que Israel: tem 21.915 km2. Para piorar, esta pequena área geográfica em que Israel se encontra é um terreno extremamente hostil, com menos de 15% de terra arável e boa parte de deserto. E como se isso não bastasse, Israel vive ao lado de radicais islâmicos com ideologia anti-judaica enviando ondas de kamikazes suicidas a Israel, tem que constantemente lidar com as facções terroristas que comandam a Faixa de Gaza, tem que gastar bilhões com defesa de guerra para deter os milhares de foguetes que são lançados pelo Hamas e ainda por cima conviver com o ódio e animosidade de muita gente contaminada por uma ideologia esquerdopata anti-Israel e pró-terrorismo.

Mesmo assim, Israel ocupa hoje a 19º colocação no Índice de Desenvolvimento Humano numa lista com 187 países, no mesmo ranking em que o Brasil (terra tropical, de paz, com terrenos férteis, petróleo, livre de desertos e de desastres naturais como terremotos e tsunamis que varrem cidades inteiras da Ásia), mesmo com todas as condições naturais em seu favor, ocupa a vergonhosa 79ª posição[17]. Israel é rico nos padrões europeus, e de fato ocupa melhor posição no IDH do que muitos países de primeiro mundo, incluindo França, Itália e Espanha. Israel parece um país europeu deslocado do continente, como se estivesse no Oriente Médio por acidente geográfico.

A renda per capita em Israel está acima de US$ 35 mil, enquanto no Brasil é de US$ 12 mil. Não há miséria, não há pobreza. Para ser considerado “em risco de pobreza” em Israel você tem que ganhar menos que R$ 2.126,00 por mês, o que no Brasil já é considerado “classe média alta” pelo governo do PT. E não é só em Israel que os judeus demonstram seu desenvolvimento elevado. Em qualquer lugar do mundo os judeus são reconhecidos como os mais ricos (Sílvio Santos que o diga), os maiores empresários (Roberto Justus que o diga), os melhores negociadores e, em muitos casos, os mais inteligentes (Albert Einstein que o diga). É difícil encontrar um judeu pobre e fracassado em qualquer lugar do mundo, o que atrai a inveja de seus inimigos. A cultura que eles têm os leva quase irremediavelmente sempre ao sucesso, mesmo sendo o povo mais perseguido do mundo em toda a história.

Isso fica ainda mais claro e espantoso quando observamos os ganhadores do Prêmio Nobel, que premia anualmente, em várias categorias, os que mais contribuíram em cada área, em reconhecimento aos avanços culturais e científicos. Os judeus ganharam 22% dos prêmios Nobel. Os muçulmanos, por outro lado, ganharam apenas 1,2% do total. Dessa vez tenho que concordar com Dawkins, quando ele diz que “a comparação fica mais gritante quando se considera que os muçulmanos representam 23% da população mundial, e os judeus apenas 0,2%”[18]. É inegável que a cultura judaica, extraída de uma moral proveniente das Escrituras, é uma cultura superior e elevada. Não se trata de raça, trata-se de cultura. É como disse Rodrigo Constantino:

“Não tem nada a ver com se julgar um povo ou uma nação superior, como os arianos nazistas, e sim abraçar uma crença, um código moral e um comportamento vistos como moralmente superiores, e ter o respaldo dos fatos depois. Não é algo inato, genético, pois qualquer um pode endossar as mesmas leis morais. E não se trata de um privilégio arrogante, e sim de um fardo imposto. Muito mais fácil é repetir, com os relativistas, que todos são iguais independentemente dos seus atos e que não existe nada melhor ou pior no mundo, uma defesa lamentável do que há de pior por aí”[19]

Comentei aqui sobre os Estados Unidos e Israel apenas para mostrar que os países que mais apropriadamente representam a moral judaico-cristã são também os países mais poderosos, desenvolvidos e bem-sucedidos do mundo, ou da sua região. Eles superam em larga escala aqueles que preferiram aderir a outra cultura política ou religiosa. Muito mais poderia ser dito aqui. Podemos fazer uma pesquisa sobre os países que aderiram à Reforma Protestante e comparar com o IDH dos mesmos.

Os principais países que aderiram à Reforma foram:

• Alemanha
• Suíça
• Noruega
• Dinamarca
• Suécia
• Reino Unido
• Finlândia

Quase todos estes países citados permanecem com o protestantismo sendo maioria em comparação com as demais religiões e com o ateísmo. Na Alemanha são 34%[20] (ainda assim maioria), na Suíça são 40%[21], na Noruega são 87%[22], na Dinamarca são 87%[23], na Suécia são 86%[24], no Reino Unido são 59%[25], na Finlândia são 85%[26]. Estes são os países que aderiram à Reforma Protestante e que foram moldados há séculos pelo protestantismo histórico, de tal forma que já podemos observar os resultados. E os resultados são esses:

• Alemanha: 6º Lugar no IDH.
• Suíça: 3º Lugar no IDH.
• Noruega: 1º Lugar no IDH.
• Dinamarca: 10º Lugar no IDH.
• Suécia: 12º Lugar no IDH.
• Reino Unido: 14º Lugar no IDH.
• Finlândia: 24º Lugar no IDH.

Todos os países de tradição protestante estão posicionados naquilo que é considerado “IDH Muito Alto”. O protestantismo está muito longe de ser a maior vertente religiosa do mundo. Dentre os 2,6 bilhões de cristãos no mundo, apenas 970 milhões são protestantes. Menos de 1 bilhão em um mundo com mais de 7 bilhões de pessoas. Mesmo assim, é impressionante notar que dos sete países com melhor IDH do planeta, cinco são de maioria protestante:

Noruega (87% protestante)[27].
Austrália (51% protestante)[28].
Suíça (46% católico)[29].
Holanda (33% católico)[30].
Estados Unidos (51% protestante)[31].
Alemanha (34% protestante)[32].
Nova Zelândia (41% protestante)[33].

Observe também que mesmo nas duas únicas exceções dentre os sete países mais desenvolvidos do mundo, a porcentagem de protestantes, embora não seja a maioria, é bem grande. Na Suíça é de 40%[34] (dados de 2002, é provável que tenha crescido desde então) e na Holanda é de 21%[35]. E nestes dois países houve forte influência da Reforma Protestante, que os moldou por séculos e que os levou à condição que estão hoje, mesmo que o protestantismo não seja mais a maioria nestes países.

O mais importante é que todos estes sete países mais desenvolvidos do mundo são majoritariamente cristãos. Juntando as três vertentes do Cristianismo (protestantismo, catolicismo romano e catolicismo ortodoxo) nós temos:

Noruega (91% cristão)[36].
Austrália (63% cristão)[37].
Suíça (87% cristão)[38].
Holanda (54% cristão)[39].
Estados Unidos (78% cristão)[40].
Alemanha (68% cristão)[41].
Nova Zelândia (56% cristão)[42].

E embora os cristãos sejam apenas 33% da população mundial, nós já ganhamos, de 1901 a 2000, 65,4% dos prêmios Nobel[43]:

• 78,3% da Paz.
• 72,5% em Química.
• 65,3% em Física.
• 62% em Medicina.
• 54% em Economia.
• 49,5% em Literatura.

O caso mais marcante é, provavelmente, o da Alemanha, pois foi o berço da Reforma Protestante. Martinho Lutero é até hoje considerado pelos alemães um dos fundadores do Estado Alemão Moderno. A Alemanha foi o primeiro país do mundo a assimilar bem a cultura cristã-protestante. Ela sofreu terrivelmente nas mãos de ditadores facínoras como Hitler, no passado, manchando o nome de todo o povo alemão, sendo que a maioria sequer sabia que judeus estavam morrendo em campos de concentração. Ela foi arrasada na Primeira Guerra Mundial, e depois mais arrasada ainda na Segunda Guerra Mundial.

Pense no que é perder uma guerra. Além das pessoas que morrem (o que por si só já é horrível), ainda há o enorme gasto com armas e recursos de guerra (que é descontado do pão da população), a destruição de boa parte das cidades que são bombardeadas pelo inimigo, a enorme dívida que fica como parte do tratado de paz que vem depois, a possível perda de territórios para o adversário, o desgaste da imagem da nação como um todo diante dos outros países, a desconfiança contínua das outras potências, a moral do próprio povo que vai lá para baixo pela vergonha de perder uma guerra, isso sem falar das consequencias emocionais decorrentes da perda de um familiar ou amigo querido.

Tudo isso, no fim, resulta sempre em fome, em dívida externa, em atraso econômico, em um enorme tempo perdido e na necessidade de recuperar tudo o que se perdeu, para tentar voltar ao patamar que estava antes e só depois pensar em dar passos maiores. Pois bem. A Alemanha não perdeu uma guerra qualquer, ela perdeu uma Guerra Mundial, com implicações muito maiores do que uma guerra comum. Todas estas consequencias negativas foram levadas a extremos. E ela não perdeu somente uma Guerra Mundial, mas duas. A Alemanha foi o único país do mundo a perder duas Guerras Mundiais e a sofrer tudo isso intensamente por duas vezes. Depois de perder a Segunda, ela estava arrasada. Todos os fatores socioeconômicos indicavam que ela se resumiria a ser um ponto negro em meio a uma Europa desenvolvida.

Mas o que aconteceu dali em diante foi surpreendente, de estremecer até os mais otimistas analistas. A Alemanha não apenas conseguiu se recuperar rapidamente de todos os efeitos colaterais causados pela perda da Segunda Guerra, mas também conseguiu voltar a ser uma grande potência europeia e mundial, estando hoje à frente dos países europeus que ganharam a Segunda Guerra! A Alemanha é hoje nada a menos que o 6º país com maior IDH do mundo[44] e é o 5º colocado no PIB mundial[45]. O que pode explicar tão espantosa reviravolta no quadro?

A resposta obviamente não é que a raça alemã seja uma “raça superior”, como se houvesse algo inato no gene do alemão (se houvesse, provavelmente teriam ganhado as guerras!). A resposta não está na questão de raça, mas na questão de cultura. A Alemanha tem uma cultura que propicia e favorece um desenvolvimento alto. Muitos outros países não têm. Simples assim. Na lógica alemã, “se alguém pode fazer isso, eu também posso”. Na lógica (ou “jeitinho”) brasileira, “se alguém pode fazer isso, por que tem que ser eu?”. Na lógica alemã, “se ninguém consegue fazer isso, eu posso ser o primeiro!”. Na lógica brasileira, “se ninguém consegue fazer isso, eu muito menos!”. Isso pode parecer irrelevante, mas é totalmente determinante quando colocado em prática por uma nação inteira. Os resultados são evidentes.

Se isso fosse uma corrida, não importa o quanto você desse de vantagem ao piloto brasileiro (que aqui chamaremos apenas alegoricamente de Rubinho), no final sempre o piloto alemão (que aqui chamaremos apenas alegoricamente de Schumacher) sempre terminaria na frente. Sempre. A não ser que eles mudem a cultura deles para pior, o que é muito difícil, pois não se muda uma cultura do dia pra noite. A cultura alemã foi moldada por séculos e mais séculos de protestantismo histórico. Foi o berço da Reforma Protestante. Foi onde Martinho Lutero nasceu, viveu e pregou. Essa cultura, transmitida adiante geração após geração (mesmo para os não-protestantes), foi lhes rendendo uma mentalidade de crescimento e desenvolvimento, bem acima dos outros países em geral.

Um crescimento tão grande que às vezes acaba sendo ruim, chegando a excessos como o de Hitler, que via o segredo do sucesso alemão na raça (através de raciocínios darwinistas), ao invés de ser pela cultura (através de raciocínios religiosos e políticos). Infelizmente nós vivemos na era do politicamente correto, em que o único pecado é falar mal de uma cultura, como se todas as culturas fossem igualmente boas e devessem ser “respeitadas”. Nessa era do politicamente correto, falar mal do Cristianismo é louvável, todo mundo faz isso e ninguém está nem aí, mas ai de você se criticar culturas perversas que causam atraso social e econômico.

Nem ouse falar mal do carnaval, por exemplo, porque carnaval no Brasil é “sagrado”, porque “faz parte da cultura”. É parte do pressuposto politicamente correto de que “se faz parte da cultura, então é bom”. Rachel Sheherazade fez um famoso comentário sobre o carnaval enquanto ainda trabalhava na TV Tambáu, na Paraíba. Dentre outras coisas, ela disse:

“Carnaval só dá lucro para dono de cervejaria, para proprietário de trio elétrico e para uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo. Alguém já parou pra calcular o quanto o Estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos depois por morte ou invalidez por causa desses acidentes? Quanto o poder público desembolsa com procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada? Isso sem falar na quantidade de DST’s que são transmitidas durante a festa em que tudo é permitido”[46]

Mas não importa quais argumentos você use, o que importa é que carnaval faz parte da cultura brasileira, então bora sambar e fingir que tudo é um mar de maravilhas. A cultura, pelo menos no Brasil, tem o status de intocável, de infalível e de inerrante – curiosamente, as mesmas coisas que os neo-ateus vociferam contra os cristãos em relação à Bíblia. É assim que culturas ruins, que influenciam negativamente, são perpetuadas de geração a geração, fazendo com que um país que tem de tudo para ser um dos maiores do mundo se conforme com as migalhas de “crescimento”.

É claro que o problema não é só o carnaval. O problema é toda uma mentalidade não-cristã que não vê problemas na imoralidade, na devassidão e no “jeitinho brasileiro”. Quando isso ganha status de “cultura”, passa a ser coberto por um manto de honra, e que ninguém ouse tocar no rei. Essa idolatria à cultura é geral: não importa se a cultura é boa ou se é ruim, o que importa é que é cultura, e portanto vamos preservá-la! Assim como existem religiões boas e ruins, existem culturas boas e ruins, mas as ruins são glorificadas pelo simples fato de serem culturas. O Brasil tem muito o que aprender com a Alemanha e com a Reforma Protestante. Eles não hesitaram em aniquilar cada resquício da cultura nazista ao saber que era uma cultura ruim. Não temos a mesma humildade.

Alguns neo-ateus tentam contestar estes fatos, que por si mesmo são incontestáveis, com refutações meia-boca, sendo a mais famosa delas uma que cita certos países da África (pobres, por sinal) que tem maioria evangélica. Seria essa a “prova” de que nem sempre o protestantismo é sinônimo de desenvolvimento? Não. Pelo contrário. Os países que citamos se tornaram protestantes há pelo menos cem anos (vários deles há muito mais tempo), enquanto os países africanos citados por eles tornaram-se protestantes há menos de um século, ou há algumas décadas. É óbvio que nenhum país se torna desenvolvido do dia pra noite, e também é óbvio que nenhuma cultura é totalmente transformada do dia pra noite. Este é um processo que leva tempo. Todas que tiveram tempo mostraram resultados extremamente positivos.

Curiosamente, a acusação dos neo-ateus volta-se contra eles mesmos quando observamos que estes países africanos que se tornaram protestantes nas últimas décadas também vêm tendo um crescimento econômico muito maior que a média dos outros países africanos. Os países mais protestantes da África são a África do Sul (66%) e a Nigéria (47%). Caso você queira saber, as duas maiores economias da África são... África do Sul e Nigéria[47]. Claro, tudo é “só por acaso”. O acaso é o deus dos ateus.

Outro país com muitos evangélicos é o Quênia, que desde 1961 até a década de 80 teve crescimento anual com média de 6,8%, muito acima da média do continente africano[48]. Na década de 90 sofreu inúmeros problemas, como as secas, o que reduziu este crescimento consideravelmente. A principal fonte de recursos do Quênia é a agricultura, mas só 4% da terra é arável[49], o que impede um crescimento maior. Mesmo assim, considerando todo o período que vai desde a década de 60 até hoje (2014), o Quênia mantém uma média de crescimento de 4,6%[50], maior que a média continental. Por comparação, o Brasil da Dona Dilma neste ano teve 0,2%... negativos[51].

Se a moral judaico-cristã não influencia positivamente (ou se influencia negativamente), por que então houve grande avanço nas áreas cristãs e judaicas? Por que este avanço não ocorreu simultaneamente em todas as partes do mundo, incluindo as não-cristãs? Por que, ainda hoje, nove dos dez países mais desenvolvidos do mundo são de tradição cristã?

Neo-ateus e humanistas seculares em geral não gostam de ouvir essas perguntas, e muito menos de respondê-las. Dawkins sequer escreve sobre isso em seu livro. Ele ignora totalmente a contribuição do Cristianismo para com a moral, a ética, os valores, a democracia, a liberdade e a ciência. Para Dawkins, apenas as contribuições seculares valem a pena ser mencionadas, e ele finge que não existem contribuições do outro lado – quando as contribuições deste outro lado é tão gigantescamente superior que está na proporção de um pai para com uma criança, como na analogia do início deste capítulo.

O mais importante é que as bases morais do ocidente, nas quais Dawkins e demais neo-ateus se apoiam consciente ou inconscientemente, são bases estabelecidas pelo Cristianismo, e se não fosse por Jesus e pelos cristãos estas bases jamais existiriam, e o ocidente provavelmente estaria tão atrasado quanto o oriente (na verdade seria ainda pior, já que boa parte do esforço em estabelecer uma moral elevada nos países orientais veio de missionários cristãos do ocidente!).

Milhões de cristãos, desde os tempos de Jesus, pagaram com a própria vida para poder propagar este evangelho transformador que gerou vida em cada lugar do mundo onde foi implantado. O resultado disso foi uma moral ocidental elevada, na qual até os seculares ocidentais se apoiam, mesmo ser dar o devido crédito ao Cristianismo. Mas o neo-ateísmo é o ápice da soberba e da insanidade, pois não apenas não dá o crédito ao Cristianismo, como ainda toma para si indevidamente estes créditos e como se não bastasse ainda luta contra o próprio Cristianismo, tentando extirpá-lo do mundo. Isso sim é um verdadeiro delírio. Não Deus.

Por Cristo e por Seu Reino,

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


        



[3] ibid.
[4] ibid.
[6] ibid.
[7] ibid.
[8] The age of faith, NY: MJF Books, 1950, p.519.
[11] David Robertson, Cartas para Dawkins, Sétima Carta.
[12] David Robertson, Cartas para Dawkins, Décima Carta.
[16] Em comparação, vemos que os países europeus não sofrem o mesmo problema, pois são cercados por outros países europeus tão desenvolvidos quanto eles, e um imigrante ilegal sequer tem dinheiro para pagar uma passagem aéria para a Europa. Os países europeus desenvolvidos têm que se preocupar somente com seu próprio povo, i.e, lidar com seus próprios problemas, enquanto os Estados Unidos vive em torno de países relativamente pobres ou sub-desenvolvidos, com um monte de gente fugindo todos os anos para tentar uma vida melhor na terra do Tio Sam. Isso sem mencionar o fato de que os Estados Unidos vê (corretamente, por sinal) uma missão na Terra que vai além de suas próprias fronteiras, o que inclui missões de paz em países estrangeiros que estão sendo dominados por loucos terroristas ou ditadores facínoras como Saddam Hussein, que assassinava centenas de milhares do seu próprio povo no Iraque. Se os Estados Unidos não agir em socorro destas pessoas, quem agirá? Isso é necessário, contudo é evidente que causa um rombo nos cofres públicos, que de uma forma ou de outra acaba revertendo negativamente contra o seu próprio povo. Todos estes fatores acabam emperrando o desenvolvimento estadunidense, cujo governo repetidamente tem que pensar na escolha das prioridades, em dilemas morais como “salvar o povo inocente das mãos do ISIS ou não arriscar a vida de soldados americanos?”; “ajudar os imigrantes ou enviá-los de volta para casa?”, etc.
[43] Fonte: Shalev, Baruch (2005), 100 Years of Nobel Prizes.
[47] A Nigéria inclusive ultrapassou a África do Sul neste ano como a maior economia do continente africano, embora em termos de infraestrutura a África do Sul continue na frente. Veja em: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1436757-nigeria-ultrapassa-africa-do-sul-como-maior-economia-africana.shtml

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