quinta-feira, 2 de abril de 2015

Devemos dar ao ateísmo o mérito pelo fim do racismo e da escravidão?


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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A outra jogada criminosa de Dawkins e da esquerda neo-ateísta é atribuir ao Cristianismo a escravidão que perdurou por milênios no mundo (embora infelizmente ainda seja realidade em alguns países), e aos ateus-iluministas-esquerdistas-salvadores-da-pátria o feito de acabar com o racismo e com a escravidão no planeta, contra toda a oposição dos cristãos-fascistas-fundamentalistas-elitistas-opressores.

Esta técnica neo-ateísta se baseia primeiramente no engano já refutado, de que o Antigo Testamento supostamente apoia a escravidão no sentido em que conhecemos hoje. Isso, como vimos, é totalmente falso. A “escravidão” da época se resumia a trabalhadores endividados que trabalhavam para quitar suas dívidas e a prisioneiros de guerra que eram mantidos vivos por misericórdia, mas com liberdade restrita, tal como em uma prisão norte-americana atual. Nem um nem o outro tipo de escravidão presente na lei de Moisés se assemelhava ao tipo de escravidão mantido em outros povos da época e muito menos à escravidão clássica, que se fundamentava em preconceito racial e que agredia fisicamente os escravos.

Mas os neo-ateus dão um passo a mais em questão de desinformação e querem ainda atribuir ao Cristianismo a escravidão no mundo, e a si mesmos a libertação dos escravos. Seria de se esperar, então, que os ateus mais “iluminados” dos séculos passados tivessem se posicionado fortemente contra a escravidão e o racismo, e que estes ateus salvadores da pátria fossem os responsáveis pelas leis de abolição da escravatura em cada país, mesmo contra a rigorosa oposição religiosa. Um livro de história é assassinado a cada vez que um neo-ateu afirma uma idiotisse dessas, sem nenhuma base histórica.

Comecemos com o grande nome da esquerda, do socialismo e do ateísmo no século XIX: Karl Heinrich Marx. Ele viveu na época em que o mundo transitava da escravidão para a abolição, do racismo para a igualdade, mas foi um dos mais racistas de sua época, além de um explícito e aberto defensor da escravidão clássica. O livro “O Marxismo e a Questão Racial”, escrito por Carlos Moore, é um golpe de morte nos advogados da moralidade socialista-ateísta. Friedrich Engels, o maior parceiro de Marx, deixava claro que os alemães eram “uma tribo ariana muito favorecida pela natureza”[1], e ainda defendia a superioridade ariana tal como Hitler o faria mais tarde:

“Talvez a evolução superior dos arianos e dos semitas se deva à abundância de carne e leite em sua alimentação...”[2]

Em carta a seu amigo alemão Eduard Bernstein, Engels escreveu:

“Em todas as questões de política internacional, os jornais da facção romântica dos franceses e dos italianos devem ser usados com bastante ponderação, e nós, alemães, devemos preservar a nossa superioridade teórica[3]

Engels não apenas defendeu a superioridade da raça alemã, como também foi explicitamente a favor do holocausto das “raças inferiores”, que mais tarde resultou no massacre de milhões de judeus:

“Entre todos os povos da Áustria, há apenas três que foram portadores do progresso, que desempenharam um papel ativo na história, e que ainda conservam sua vitalidade: os alemães, os poloneses e os húngaros. Por essa razão, eles agora são revolucionários. A vocação principal de todas as outras raças e povos, grandes e pequenos, é de perecer no holocausto revolucionário[4]

Engels apoiava o holocausto (genocídio em favor de uma “revolução”) baseando-se na tese de superioridade da raça ariana sobre as demais raças, que teriam ficado para trás na escala evolucionista e por isso deveriam ser exterminadas pelas raças mais desenvolvidas. Este ponto de vista horroroso, que mais tarde serviu bem à Hitler (a quem coube apenas colocar isso em prática), foi reiterado por ele diversas vezes. Engels sustentou que os alemães possuíam “o poder físico e intelectual para subjugar, absorver e assimilar seus velhos vizinhos orientais”[5], e que “o destino natural e inevitável dessas nações decadentes era submeter-se à assimilação, em vez de se opor à tendência histórica e senhor que a história retrocederia mil anos para agradar alguns poucos corpos humanos tísicos”[6].

Um dos casos mais flagrantes de racismo é quando Engels enalteceu os kabyles brancos como “uma raça trabalhadora”, mas escreveu o seguinte sobre os negros daquele mesmo país:

“Os mouros são provavelmente os habitantes menos respeitáveis. Vivem em cidades e muito melhor do que os árabes ou os kabyles e são, devido à opressão constante dos seus dominadores turcos, uma raça tímida, que é no entanto cruel e vingativa, sendo o seu caráter moral bastante baixo”[7]

A coisa piora ainda mais quando Engels apoia o massacre dos franceses contra os árabes da Argélia. O que em tese seria uma conquista do imperialismo burguês que deveria ser repudiado com todas as forças, ganhou o apoio de Marx e Engels em função de que consideravam os franceses superiores aos árabes, a quem Engels despreza nas seguintes palavras:

“De maneira geral, em nossa opinião, é muito bom que o líder árabe tenha sido capturado... a conquista da Argélia é um fato importante e auspicioso para o progresso da civilização... o burguês moderno, com a civilização, a indústria, a ordem e pelo menos relativo esclarecimento o acompanhando, é preferível ao senhor feudal ou ao ladrão saqueador [referindo-se aos árabes], com o estado de barbárie da sociedade a que pertencem”[8]

Comentando este texto, Moore diz que “os fundadores do marxismo não oferecem mais apoio aos árabes brancos que lutavam contra a dominação colonial francesa do que estavam dispostos a oferecer aos eslavos brancos que se opunham ao imperialismo alemão. O ‘anticolonialismo’ e o ‘internacionalismo’ de Marx e Engels eram, de fato, bastante seletivos!”[9]. O preconceito de Marx e Engels para com as raças que eles consideravam “inferiores” era tão grande que eles chegaram até mesmo a apoiar o imperialismo estadunidense no massacre contra os mexicanos, ocasião na qual os Estados Unidos tomaram posse de muitas terras do México. Engels, nesta ocasião, exultou:

“Fomos espectadores da conquista do México e nos regozijamos com ela. É um progresso que um país que até agora estava preocupado exclusivamente consigo mesmo, dilacerado por guerras civis eternas e alheias a qualquer forma de desenvolvimento, tenha sido impulsionado, por meio de violência, ao desenvolvimento histórico. É do interesse de seu próprio desenvolvimento que ele seja, no futuro, colocado sob a tutela dos Estados Unidos. É do interesse de toda a América que os Estados Unidos, graças à conquista da Califórnia, assumisse o domínio sobre o Oceano Pacífico”[10]

Marx e Engels exultavam o imperialismo estadunidense na conquista dos territórios mexicanos, consideravam isso um progresso e até gostaram do fato de isso ter ocorrido “por meio de violência”. Tudo porque, para Marx, os mexicanos eram “os últimos dos homens”[11]. Puro preconceito racial. Engels reforça o preconceito aos mexicanos ao chamá-los de “preguiçosos”:

“É lamentável que a maravilhosa Califórnia tenha sido arrancada dos preguiçosos mexicanos, que não sabiam o que fazer com ela? Todas as nações impotentes devem, em última análise, ser gratos àqueles que, cumprindo necessidades históricas, as anexam a um grande império, permitindo, assim, sua participação em um desenvolvimento histórico que, de outra maneira, seria ignorado a eles. É evidente que tal resultado não poderia ser obtido sem esmagar algumas belas florzinhas. Sem violência, nada pode ser realizado na história[12]

As “belas florzinhas esmagadas”, infelizmente, se tratavam dos mesmos “mexicanos preguiçosos”, contra quem Marx e Engels despejavam sua fúria. Mas valia a pena, já que tudo tem que ser realizado com violência, segundo Engels.

 Encausse e Schram também observaram:

“A grande contradição no pensamento de Marx a respeito dos países não-europeus é aquela que opõe seu eurocentrismo muito limitado no plano cultural e sua visão mundial no plano estratégico. Em seus célebres artigos sobre as consequencias do domínio britânico na Índia, Marx desenvolve uma concepção da civilização indiana e da asiática em geral como não apenas diferente daquela da Europa, mas claramente inferior”[13]

Marx alimenta ainda mais o preconceito aos asiáticos ao defender a aniquilação da sociedade asiática e a conquista da Índia pelos “conquistadores superiores”, i.e, o homem branco europeu:

“A Inglaterra tem que cumprir uma dupla missão na Índia: uma destruidora, outra reguladora – a aniquilação da velha sociedade asiática e o lançamento das bases materiais da sociedade ocidental na Ásia. Árabes, turcos, tártaros, mongóis que invadiram sucessivamente a Índia, depressa ficaram ‘hinduizados’, sendo os conquistadores bárbaros, por uma lei eterna da história, conquistados pela civilização superior dos seus súditos. Os britânicos eram os primeiros conquistadores superiores e, portanto, inacessíveis para a civilização hindu”[14]

Como Moore bem destaca, “não é difícil prever qual seria a postura de Marx e Engels em relação à raça negra em geral – incluindo os negros da Índia – considerando que menosprezavam tão facilmente eslavos, latinos, árabes e asiáticos”[15]. Ele também salienta que “na obra O Capital, Marx refere-se a ‘características raciais inatas’ e ‘peculiaridades raciais’ como agentes de desenvolvimento social que podem ser verificados por meio de ‘análise cuidadosa’[16]. Tais declarações, nos dias de hoje, provocariam alaridos de ‘fascismo!’ da parte dos militantes marxistas!”[17].

Isso ficou nítido no tratamento deles contra Ferdinand Lassalle, que tinha fisionomia que aparentava antepassados africanos. Marx e Engels constantemente o desprezavam por causa disso. Marx o chamou de “nigger”[18] e disse que ele “estava sempre escondendo seu cabelo encaracolado com todo o tipo de óleo para cabelo e maquiagem”[19]. Ele também dizia que “é absolutamente óbvio, pelo formato de sua cabeça e pelo modo como seu cabelo cresce, que ele descende de negros”[20].

É claro que alguém que tratava os negros de maneira tão racista não poderia se posicionar contra a escravidão. Marx e Engels a apoiaram incondicionalmente, inclusive como um fenômeno “revolucionário”. Marx explicitamente disse que “a escravidão dissimulada dos assalariados na Europa precisava fundamentar-se na escravatura, sem rebuços, no Novo Mundo”[21]. Moore observa que “o preço pago pelo homem negro nunca foi calculado; apenas uma equação importava: escravidão é igual a progresso econômico, igual a classe de trabalhadores assalariados, igual a revolução, igual a socialismo. A partir de tais ‘necessidades históricas’, Marx e Engels construíram sua teoria a respeito da natureza ‘revolucionária’ da escravização e expansão coloniais do Ocidente”[22].

Nesta carta de Marx a Pavel podemos ver como Marx amava os escravos:

“A única coisa que requer explanação é o lado bom da escravidão. Eu não me refiro à escravidão indireta, a escravidão do proletariado; eu refiro-me à escravidão direta, à escravidão dos pretos no Suriname, no Brasil, nas regiões do sul da América do Norte. A escravidão direta é tanto quanto o pivô em cima do qual nosso industrialismo dos dias de hoje faz girar a maquinaria, o crédito, etc. Sem escravidão não haveria nenhum algodão, sem algodão não haveria nenhuma indústria moderna.
É a escravidão que tem dado valor às colônias, foram as colônias que criaram o comércio mundial, e o comércio mundial é a condição necessária para a indústria de máquina em grande escala. Consequentemente, antes do comércio de escravos, as colônias emitiram muito poucos produtos ao mundo velho, e não mudaram visivelmente a cara do mundo. A escravidão é consequentemente uma categoria econômica de suprema importância.
Sem escravidão, a América do Norte, a nação a mais progressista, ter-se-ia transformado em um país patriarcal. Apenas apague a América do Norte do mapa e você conseguirá anarquia, a deterioração completa do comércio e da civilização moderna. Mas abolir com a escravidão seria varrer a América para fora do mapa. Sendo uma categoria econômica, a escravidão existiu em todas as nações desde o começo do mundo. Tudo que as nações modernas conseguiram foi disfarçar a escravidão em casa e importá-la abertamente no Novo Mundo”[23]

Em consonância com o pensamento escravocrata e racista de Marx, Engels afirmou:

“Jamais deveríamos nos esquecer de que todo o nosso desenvolvimento econômico, político e intelectual pressupõe um estado de coisas em que a escravidão era tão necessária quanto era universalmente reconhecida. Nesse sentido, estamos autorizados a afirmar: sem a escravidão da antiguidade, não haveria socialismo moderno”[24]

Não satisfeito com isso, ele ainda dizia que sem a escravidão não existiria o estado grego, nem o império romano, nem a Europa moderna:

“Foi a escravidão que, pela primeira vez, tornou possível a divisão entre agricultura e indústria em uma escala mais ampla, e assim também o helenismo, a expansão do mundo antigo. Sem escravidão não haveria Estado grego, nem a arte e a ciência gregas; sem escravidão, não haveria Império Romano. Mas, sem a base estabelecida pela cultura grega e pelo Império Romano, também não haveria Europa moderna”[25]

A escravidão não apenas era vista por Engels como boa e necessária, mas também como um passo adiante na história, um avanço:

“É muito fácil protestar contra a escravidão e coisas semelhantes em termos gerais, e dar vazão à elevada indignação moral a tais infâmias. Infelizmente, tudo que isso transmite é apenas o que todos sabem, isto é, que essas instituições da antiguidade não mais estão em consonância com nossas condições atuais e nossos sentimentos, que essas condições determinam. Mas isso não nos diz uma só palavra sobre como essas instituições surgiram, por que existiram e que papel desempenharam na história. Quando examinamos essas questões, somos obrigados a dizer – tão contraditório e herético quanto possa parecer – que a introdução da escravidão, sob as condições ainda prevalentes àquela época, foi um grande passo adiante, foi um avanço[26]

Algumas observações devem ser feitas antes de prosseguirmos. Em primeiro lugar, deve ser observado que Marx e Engels não estavam se referindo à escravidão veterotestamentária, onde os escravos não podiam ser agredidos, onde o trabalho era recompensado em forma de salário (descontando-se da dívida contraída) e onde existiam diversos tipos de benefícios (ex: ano do jubileu; limite de trabalho de seis anos; quitação total e automática da dívida após este período; recursos que o senhor tinha que dar ao escravo para provê-lo após libertá-lo, etc).

Como os textos acima deixam claro, não era desta escravidão que eles se referiam, e sim à forma cruel de escravidão clássica, à escravidão na antiga Grécia e em Roma, à escravidão nas colônias do Novo Mundo, e assim por diante. Ou seja: eles eram a favor da forma mais cruel de escravidão que já existiu, onde o escravo era tratado como lixo e seus sentimentos em nada importavam, mas somente a economia alavancada ao custo de sangue humano e brutalidade. Mesmo assim, os neo-ateus (cuja suma maioria adora Marx) condenam a “escravidão” bíblica e idolatram os livros marxistas realmente escravocratas, no sentido pleno e popular da palavra.

Em outras palavras, se um livro antigo (Bíblia), escrito há 3500 anos, fala de um tipo de escravidão leve que nem se compara com a escravidão clássica, e que ainda apresenta uma evolução moral gigantesca em relação à sua própria época e cultura, os neo-ateus vociferam, espumam pelos dentes e partem com tudo para cima do livro sagrado. Mas se os maiores ídolos deles (Marx e Engels), que representavam na época perfeitamente bem o espírito do neo-ateísmo, eram a favor da forma mais cruel e desumana de escravidão (a escravidão clássica), e ainda por cima numa época em que o mundo já se libertava de todos os tipos de escravidão, isso não tem problema, e eles continuam com toda a moral e idolatria dos ateus militantes. Se você acha que isso é estúpido demais, você está certo.

Em segundo lugar, Marx e Engels não eram dois nomes aleatórios entre os vários ateus do século XIX, como se eu estivesse elegendo arbitrariamente dois maus elementos entre eles para disputar com os bons nomes do outro lado. O fato é que Marx era o ateu mais famoso de sua época, e ele pode ser considerado o precursor do neo-ateísmo, pois é com ele que começa a ideia de que a religião é um mal em si mesmo, que tem que ser eliminado por todos os meios. Foi Marx quem disse que “a religião é o ópio do povo”[27], foi Marx quem popularizou a ideia de que a religião é feita “para oprimir as massas”, foi Marx quem desenvolveu a tese de que a religião é um mecanismo de dominação, alienação e opressão social.

Portanto, Marx deve sim ser reconhecido não apenas como o ateu mais famoso do século XIX, mas também como o principal precursor das ideias antirreligiosas com a violência típica do neo-ateísmo. Depois dele surgiu Friedrich Nietzsche, outro grande combatente antirreligioso, e a partir de então foram surgindo outros vários nomes que viam na religião a raiz de todos os males, cada qual desenvolvendo a ideia aos poucos. Dawkins, assim como Harris e Hitchens, é somente o produto final do desenvolvimento das ideias antirreligiosas que começaram principalmente com Marx.

É impossível falar de Dawkins e do neo-ateísmo sem falar de Marx e do marxismo, dada a estreita ligação entre ambos. O neo-ateísmo é somente uma extensão das ideias marxistas, e Dawkins é somente um fanático propagandista antirreligioso com as mesmas ideias básicas que já eram disseminadas no mundo desde meados do século XIX com Marx e Engels. A diferença é que Marx e Engels ainda faziam um apelo mais social, para fazer as coisas parecerem mais belas, enquanto Dawkins dispensa as máscaras e mostra as garras de uma vez. Em Dawkins já não há um ódio velado aos religiosos, mas um ódio declarado. A religião já não é um efeito colateral do mal, mas o próprio mal. Dawkins é a versão menos dissimulada de Marx.

Em terceiro lugar, cabe ressaltar que Marx viveu numa época de transição, quando a escravidão já havia sido abolida em vários lugares do mundo, e ainda haveria de ser abolida em outros. A carta a Pavel, mencionada anteriormente, onde ele defende com unhas e dentes a escravidão, foi escrita em 1846. A Inglaterra já havia abolido a escravidão treze anos antes, em 1833. Portanto, Marx fazia parte de um mundo que já via uma luz brilhando, mas ele fazia parte das trevas. Ele, ali representando o neo-ateísmo em fase embrionária, era uma força de resistência à abolição da escravatura. Não é à toa que os neo-ateus jamais são capazes de citar um único ateu do século XIX que tenha lutado contra a escravidão.

Este fato é assustador para quem tem a ideia ultrapassada de que eram os religiosos que lutavam pela permanência da escravidão, em contraste com os ateus “iluminados” do outro lado. Com frequencia eu vejo comentários populares na internet, desde gente importante até comentaristas de YouTube, sustentando a aberração histórica de que os avanços morais no mundo, como o fim da escravidão e do racismo, devem ser atribuídos aos ateus e demais não-religiosos e até antirreligiosos, enquanto os religiosos por sua vez são vistos como a oposição das trevas, o obscurantismo que lutava para barrar todos os avanços morais. É difícil achar alguma afirmação tão mentirosa na história da mediocridade quanto essa.

Quem não leu, leia o livro de Dawkins. Tente achar um único nome de um humanista ateu citado em seu livro que tenha sido contra a escravidão no século XIX. Faça um esforço. Leia e releia quantas vezes quiser. Procure no Google, se precisar. Pesquise sobre a vida de cada personagem importante na superação da escravidão, e você descobrirá que praticamente todos eles eram cristãos. Os humanistas vão descobrir a Fonte da Juventude antes de encontrarem um único ateu antirreligioso que tenha lutado contra a escravidão na época em que este debate estava vivo. E agora querem tomar para si o mérito daquilo que foi conquistado com suor e ousadia pelos cristãos da época.

Sim, Dawkins cita alguns nomes daqueles que lutaram pela igualdade racial e pelo fim da discriminação, e só cita crentes. Eu devo imaginar como ele estava se debruçando para encontrar algum ateu e exaltá-lo na lista dos grandes nomes, ou o quanto que ele se empenhou em pelo menos atenuar o fato de que eles eram todos cristãos. Chega a ser constrangedor e totalmente risível vê-lo dizer que Martin Luther King não se apoiou em Jesus em sua luta contra o racismo, mas sim em Gandhi.

Martin Luther King, para quem não sabe, era pastor (reverendo) evangélico, e o maior líder pela causa da igualdade racial em sua época. Até o seu nome fala por si mesmo: Martin Luther (que em português é Martino Lutero) era uma homenagem que seus pais deram ao grande reformador protestante do século XVI. Hoje a sua imagem é roubada pelos esquerdistas e inapropriadamente usada pelos ateus, como se fosse Martin Luther King fosse uma espécie de líder revolucionário da esquerda neo-ateísta.

Como bem se sabe, Martin era do Partido Republicano, que é o partido da direita nos Estados Unidos. Ele defendia ideias economicamente liberais, o oposto do socialismo, que detesta o livre mercado. Ele também ficou eternizado por frases como:

“O nosso mundo depende de uma fundação moral. Deus o fez assim. Deus fez o Universo para ser baseado em uma lei moral. Se o homem desobedecê-la, está se revoltando contra Deus”

“Eu tive muitas coisas que guardei em minhas mãos, e as perdi. Mas tudo o que eu guardei nas mãos de Deus, eu ainda possuo”

“Automóveis e metrôs, TVs e rádios, dólares e centavos, nunca podem ser substitutos de Deus. Porque muito antes da existência delas, nós necessitamos de Deus. E por muito tempo depois que elas tiverem passado, nós ainda necessitaremos de Deus”

“Nós apenas ficamos envolvidos em conseguir nossas contas bancárias graúdas que nós inconscientemente nos esquecemos de Deus. Nós não pretendíamos fazer isto”

“Eu não vou colocar minha a base de minha fé em bugigangas e invenções. Com um jovem com grande parte de minha vida ainda pela frente, eu decidi bem cedo dar minha vida por algo absoluto e eterno. Não para estes pequenos deuses que estão por aí hoje, e amanhã se vão, mas para Deus que é o mesmo ontem, hoje e para sempre”

“E sempre há um perigo em que nós deixamos transparecer externamente que nós cremos em Deus, quando internamente não. Nós dizemos com nossas bocas que nós cremos nele, mas vivemos nossas vidas como se Ele nunca tivesse existido. Isto é o perigo sempre presente confrontando a religião. Isto é um tipo perigoso de ateísmo”

Isso tudo fazia parte da ideologia e crenças pessoais deste grande pastor evangélico, que hoje tem suas ideias violentamente arrebatadas por aqueles “salvadores da pátria” que tudo o que conseguiram fazer no século XIX e até meados do século XX foi colecionar assassinos, genocidas, déspotas e psicopatas por todo o mundo. É por isso que eles agora precisam tirar do nosso meio os nomes importantes para jogar para o lado deles – porque no deles não há nada que preste[28].

Além do pastor evangélico Martin Luther King, Dawkins cita também:

“Não podemos negligenciar o papel impulsionador de líderes individuais que, à frente de seu tempo, se posicionam e convencem o restante de nós a avançar com eles. Nos Estados Unidos, os ideais de igualdade racial foram alimentados por líderes políticos do calibre de Martin Luther King e por artistas, esportistas e outras personalidades públicas e exemplos como Paul Robeson, Sidney Poitier, Jesse Owens e Jackie Robinson”

Ele cita Paul Robeson, Sidney Poitier, Jesse Owens e Jackie Robinson, que de fato foram nomes marcantes na luta contra o racismo. Comecemos com o primeiro. Qual era a crença de Paul Robeson? Em seu diário ele escreveu que tudo faz parte de um “plano superior” e que “Deus cuida de mim e me guia. Ele está comigo e me permite lutar minhas próprias batalhas e as esperanças que vou ganhar”[29]. E quanto a Sidney Poitier? Em sua autobiografia intitulada “The Measure of Man – A Spiritual Autobiography”, ele se diz cristão, que já frequentou a Igreja Anglicana, a Católica e a Pentecostal.

E quanto a Jesse Owens? Este foi o homem que fez com que Hitler voltasse para casa mais cedo. Ele bateu os recordes mundiais dos 100, 200 e 220 metros com obstáculos. No salto em distância, o alemão Fritz Long era um rival muito duro, e ficou quase toda a prova na frente dele. Antes do último salto, Fritz se aproximou de Jesse e lhe disse: “Eu também sou cristão, sei que Deus está com você e vai ajudá-lo!”. Jesse fez um salto de 8,13 m (recorde mundial) e ganhou a prova[30].

Mas ainda sobrou Jackie Robinson. Será ele o símbolo da luta ateísta pelo avanço moral contra a religião? Infelizmente (ou felizmente) não. Robinson nunca omitiu sua fé cristã. Ele era chamado até de “fundamentalista” por crer na Bíblia e segui-la, frequentava a Igreja Metodista e foi descrito como alguém que possuía uma fé cristã apaixonada. Em sua luta pelos direitos civis na América, ele se baseou no princípio da não-retaliação e da não-violência, de acordo com os preceitos bíblicos pregados por Jesus no sermão do monte, em Mateus 5-7.

Como vemos, todos os grandes nomes importantes no avanço moral nos últimos séculos, citados pelo próprio Dawkins, eram cristãos, e muitos deles usaram a Bíblia ou foram motivados por sua fé para fazerem o bem. Ironicamente, existiram sim muitos ateus que ficaram bem famosos por esta mesma época, nomes como Hitler, Stalin, Che Guevara, Lenin, Fidel Castro, Pol Pot e Mao Tsé-Tung, que juntos assassinaram mais de 100 milhões de pessoas. Isso não significa que todo cristão é um bom mocinho e todo ateu é um tirano. Significa apenas que Dawkins está profundamente equivocado em suas conclusões, tanto quanto alguém que olha a tabela do campeonato de ponta-cabeça e acha que o 20º colocado está em 1º.

Assim como na luta contra o racismo, os principais combatentes na batalha contra a escravidão eram cristãos confessos e praticantes. O maior líder político britânico que ajudou a abolir a escravidão na Inglaterra chamava-se William Wilberforce. Ele foi um Abraham Lincoln britânico, embora menos famoso que este. Wilberforce nem sempre foi cristão. Ele se converteu à fé evangélica quando tinha 24 anos, após ler The Rise and Progress of Religion in the Soul, escrito por Philip Doddridge, autor do famoso hino "Oh! Happy Day". Ele o leu durante uma viagem à França, acompanhado das Escrituras, e mais tarde disse:

“Assim que me compenetrei com seriedade, a profunda culpa e tenebrosa ingratidão de minha vida pregressa vieram sobre mim com toda sua força, condenei-me por ter perdido tempo precioso, oportunidades e talentos (...) Não foi tanto o temor da punição que me afetou, mas um senso de minha grande pecaminosidade por ter negligenciado por tanto tempo as misericórdias indescritíveis de meu Deus e Senhor. Eu me encho de tristeza. Duvido que algum ser humano tenha sofrido tanto quanto eu sofri naqueles meses”

Depois desta genuína conversão, tomado pelo arrependimento e pela fé em Jesus Cristo, ele passou a empenhar todas as suas forças na pregação do Evangelho e em causas sociais cristãs, como a abolição da escravidão. Ele escreveu o livro “Cristianismo Verdadeiro” e seu nome consta até hoje nas listas dos maiores evangelistas que este mundo já viu. Sobre a área social, David Robertson falou sobre ele nas seguintes palavras:

“A sociedade, liderada principalmente por ativistas e intelectuais cristãos agindo com base em princípios bíblicos, chegaram à conclusão de que a escravidão era errada. William Wilberforce, o parlamentar britânico, fez sua primeira moção de abolição em 1789. Motivado pela sua compreensão bíblica cristã de que todos os seres humanos foram criados à imagem de Deus, apresentou nada menos do que 11 projetos de lei sobre abolição à Câmara dos Comuns até que, finalmente, em 1807, o tráfico de escravos foi abolido. Após campanha adicional, a escravidão mesma foi abolida em 1833.
Depois, a Grã-Bretanha procurou persuadir outras nações escravagistas a rejeitarem a escravidão – o governo comprou a abolição portuguesa e espanhola por mais de £1 milhão e a francesa em troca de ajuda militar. A marinha britânica impôs tal abolição durante um período de 50 anos, gastando £40 milhões capturando 1.600 navios para libertar 150.000 escravos. Vinte anos antes de Huxley, na década de 1840, minha própria igreja, a St. Peters, em Dundee, estava mantendo reuniões anti-escravistas e atuando como um foco para apoiar o movimento anti-escravista nos EEUU”[31]

O aspecto mais hilário e curioso de tudo isso é que um dos maiores oponentes de Wilberforce em sua luta contra a escravidão foi um homem chamado James Dawkins. Não, não é coincidência. Ele é antepassado direto de Richard Dawkins. Ele possuía uma fazenda de cana de açúcar na Jamaica, com mais de mil escravos trabalhando. Uma das propriedades da família Dawkins na Inglaterra tinha uma área de 400 acres, que foi herdada pelo pai de Richard Dawkins, comprada com dinheiro proveniente do trabalho escravo. É claro que Richard não é culpado pelos atos de seus antepassados, mas é interessante como a história se desenrola, de um senhor de escravos para um disseminador de ódio aos religiosos – um pior que o outro.

Mas aquele que é provavelmente o mais violentado pelos neo-ateus e marxistas em geral é Abraham Lincoln. Ele é um nome enormemente importante na disputa pelos “avanços morais do mundo”, pois foi nada a menos que o principal responsável pelo fim da escravidão nos Estados Unidos. Os esquerdistas costumam frequentemente associar o nome de Lincoln puxando-o para a sua turma, assim como alguns neo-ateus que já o colocaram nas suas listas de “ateus famosos” (nas quais sempre a maioria não é ateu!).

Mas quem era Lincoln? Em primeiro lugar, Lincoln era um cristão devoto. Ele dizia que “minha preocupação não é se Deus está ao nosso lado; minha maior preocupação é estar ao lado de Deus, porque Deus é sempre certo”. Sobre a Bíblia, ele disse: “Creio que a Bíblia é o melhor presente que Deus já deu ao homem. Todo o bem, da parte do Salvador do mundo, nos é transmitido mediante este livro”.

Sobre o sentido da vida, ele assim afirmou: “Deus certamente não teria criado um ser como o homem para existir somente por um dia! Não, não... o homem foi feito para a imortalidade”. E ele até chegou a mandar um recado indireto aos ateus, ao dizer: “Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador”.

Mais interessante é que Lincoln, assim como Martin Luther King, era do Partido Republicano, um partido estadunidense de direita, com princípios cristãos conservadores, cujos políticos são sempre quase todos cristãos, ao passo em que os humanistas seculares geralmente acomodam-se no Partido Democrata. Isso é histórico. Também é histórico que foi a bancada deste mesmo partido conservador de direita que aprovou a lei da abolição da escravidão nos Estados Unidos, mesmo com uma forte oposição dos Democratas na época.

Ou seja: temos aqui um político cristão, conservador, capitalista e de direita, lutando contra a escravidão contra tudo aquilo que havia de oposição a isso, e hoje em dia os neo-ateus querem tomar Lincoln para o lado deles, como se fosse um advogado do ateísmo, liberal e de esquerda. Mais uma vez a apropriação indevida, típica de pessoas que não creem em moralidade objetiva e que não veem problema nenhum em mentir, mesmo que seja uma mentira descarada, como a que toma para si todo o crédito da luta dos cristãos contra a escravidão como se fosse a luta deles contra os cristãos conservadores e “reacionários”.

Infelizmente, o único “avanço” moral que realmente cabe ao humanismo é o assassinato de milhões de fetos humanos (aborto) – se é que você tem estômago para considerar isso um “avanço”. Quando o assassinato é a única coisa “boa” que você vê o seu oponente sustentar para o lado dele do debate, é porque a coisa está feia mesmo para ele.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


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[1] ENGELS, F. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, 3ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977. p. 218.
[2] ENGELS, F. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, 3ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977, p. 26.
[3] MARX, L.; ENGELS, F. Gesamtausgabe. Berlim: Dietz Verlag, p. 171.
[4] Citado por Carlos Moore em “O Marxismo e a Questão Racial”, p. 66.
[5] ENGELS, F. Revolution and counter-revolution, or Germany in 1848 (1907). Whitefish: Kessinger Publishing, 2008. p. 192.
[6] ibid.
[7] MARX, K.; ENGELS, F. Argélia. In: MARX, K.; ENGELS, F. Sobre o colonialism. Vol. I. Lisboa: Editorial Estampa, 1978. p. 191.
[8] ENGELS, F. French rule in Algeria. In: AVINERI, S. (Ed.). Karl Marx on colonialism and modernization. Nova York: Doubleday Co., 1969. p. 496.
[9] Carlos Moore, O Marxismo e a Questão Racial, p. 72.
[10] MARX, K.; ENGELS, F. Gesamtausgabe. Berlim: Dietz Verlag, 1976. p. 171 (citado em: Gustavo Beyhaut, Raices de America Latina. Buenos Aires: Eudeba Editorial Universitaria de Buenos Aires, 1964. Capítulo II, p. 74).
[11] MARX, K.; ENGELS, F. Historisch-kritische Gesamtausgabe, edited by D. Rjazanov, Berlin, 1927-1932, Part III, Vol. III, p. 111 (citado em: BOBER, M. M., Karl Marx’s interpretation of history, op. cit., p. 69).
[12] MARX, K.; ENGELS, F. Gesamtausgabe. Berlim: Dietz Verlag, 1976. p. 171 (citado em: Gustavo Beyhaut, Raices de America Latina. Buenos Aires: Eudeba Editorial Universitaria de Buenos Aires, 1964. Capítulo II, p. 74.
[13] D1ENCAUSSE, H. C.; SCHRAM, S. Le marxisme et I’Asie, p. 13.
[14] Karl Marx, Os resultados prováveis do domínio britânico na Índia. In: MARX, K.; ENGELS, F. Sobre o colonialismo. Vol. I, op. Cit., pp. 97-99.
[15] Carlos Moore, O Marxismo e a Questão Racial, p. 77.
[16] Karl Marx, O Capital, III, pp. 919-992; I, p. 562.
[17] Carlos Moore, O Marxismo e a Questão Racial, p. 66.
[18] O termo nigger, cunhado nos Estados Unidos pelos segregacionistas do sul, é o mais ofensivo do vocabulário racista, não tendo tradução literal para o português.
[19] In: ROGERS, J. A. Nature knows no color line. 3a edição. Nova York: Helga M. Rogers, 1980, p. 242.
[20] In: SCHWARTZCHILD, L. The red prussian. Nova York: Charles Scribner’s Sons, 1947. p. 422.
[21] Karl Marx, O Capital, Vol. II, Parte Sétima, Capítulo XXIV. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975. p. 30.
[22] Carlos Moore, O Marxismo e a Questão Racial, p. 81.
[23] Carta de Karl Marx a Pavel Vasilyevich Annenkov, Paris. Escrita em 28 de dezembro de 1846 Rue dOrleans, 42, Faubourg Namur. Fonte: Marx Engels Collected Works, vol. 38, p. 95. Editor: International Publishers (1975). Primeira publicação: completa no original em francês em M.M. Stasyulevich i yego sovremenniki v ikh perepiske, Vol III, 1912..
[24] Friedrich Engels, Anti-Duhring. Nova York: International Publishers, 1966. p. 165.
[25] ibid, pp. 216-217.
[26] ibid.
[27] Crítica da filosofia do direito de Hegel, publicada em 1844 no jornal Deutsch-Französischen Jahrbücher.
[28] É óbvio que eu não estou falando que nenhum ateu do século XIX e meados do XX prestava, mas sim que não houve nenhum grande líder ateu à semelhança do pastor protestante Martin Luther King que se levantasse e lutasse pela igualdade racial. No lugar disso, os ateus que ficaram famosos na história foram aqueles que mais assassinaram pessoas e empregaram o terror: Hitler, Stalin, Che Guevara, Fidel Castro, Pol Pot, Mao Tsé-Tung, Mussolini e assim por diante. Sem mencionar o próprio Marx e seu amigo Engels, que são indiretamente responsáveis por tudo isso, por terem construído esta ideologia pautada pelo ateísmo e socialismo.
[29] Boyle e Bunie: 205-207; cf. Robeson 2001: 153-156, Gilliam: 52, Duberman: 226-227.
[31] David Robertson, Cartas para Dawkins, Carta 9.

1 comentários:

  1. Que texto foda. Acho que só peca porque eu esperava que ele falasse mais sobre a era iluminista. Eu ouvi dizer que foi o iluminismo humanista e antirreligioso quem trouxe a escravidão de volta e achei muita pouca coisa sobre isso.

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