quinta-feira, 2 de abril de 2015

E se a teoria da evolução estiver errada?


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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Já observamos que, se a teoria da evolução estiver certa, ela nada prova contra a fé em Deus ou o Cristianismo em especial. Mas... e se ela estiver errada? Os evolucionistas dizem não trabalhar com esta hipótese, pois eles fazem questão de afirmar e reafirmar sempre que podem que “a evolução é um fato! é um fato! é um fato! é um fato (...)!”. A ideia básica é de que o evolucionismo é aceito por todos os cientistas e que quem discorda disso pratica pseudociência. Contudo, isso não é totalmente verdade.

Há cientistas respeitáveis que não creem na teoria da evolução. Um deles é o Ph.D Richard Smalley, ganhador do prêmio Nobel em Química em 1996 pela descoberta de uma nova forma de carbono. Smalley foi professor de física e astronomia na Universidade de Rice, em Houston, Texas. Ele disse que depois de ler “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, com sua formação em química e física, ficou mais claro que a evolução não poderia ter ocorrido.

Outro cientista não-evolucionista é o Dr. Dominique Tassot, físico e químico, líder do CEP (Centro de Estudos e Prospectivas da Ciência), na França, criado em 1997 e que é composto por 700 pesquisadores de vários países do mundo. O Centro de Ciência tem publicado materiais científicos refutando os postulados da teoria evolucionista, e o doutor Dominique declara que o evolucionismo não é nada científico.

O patologista e professor da Universidade de Gadalajara, Raul Leguizamon, abandonou o evolucionismo após estudar mais profundamente o tema e descobrir uma verdadeira falta de evidências que comprovem a teoria darwinista. Ele disse: "Eu assinei a declaração de Dissidência Científica do Darwinismo por estar totalmente convencido da falta de verdadeira evidência científica em favor do dogma darwiniano”[1].

Há até um site que mostra aqueles que assinaram a lista dos dissidentes do darwinismo, com nomes e instituições as quais estão afiliados, entrevistando alguns deles[2]. O prof. Adauto Lourenço informa que “um número crescente de cientistas têm abandonado a posição naturalista darwiniana”[3]. Ele mesmo é um exemplo de ex-evolucionista, que passou de crente no darwinismo para defensor do criacionismo científico[4] após perceber que as evidências apontavam para o lado contrário[5]. O mesmo ocorreu com Michelson Borges, outro proeminente criacionista brasileiro, que escreveu em seu site sobre sua mudança de evolucionista para criacionista[6].

O Dr. John Bergman foi além e entrevistou mais de cem cientistas com doutorado, alguns com prêmio Nobel, que afirmaram ser criacionistas e também disseram sofrer intolerância e ameaça por parte daqueles que pensam diferente e que querem lutar pelo evolucionismo como a única opção aceitável de mundo. No site “Creation wiki” há uma lista com centenas de defensores modernos do criacionismo que têm um ou mais graus de pós-graduação em uma disciplina da ciência[7]. Colocarei em exposição aqui somente os Ph.D:

Earl M.J. Aagaard Ph.D. Biologia.
Gary L. Achtemeier Ph.D. Meteorologia.
E. Theo Agard Ph.D. Física.
Jim Allan Ph.D. Genética.
Steven Austin Ph.D. Geologia.
Don Batten Ph.D. Agronomia e Ciência Horticultural.
John Baumgardner Ph.D. Geofísica e Física Espacial.
Michael Behe Ph.D. Bioquímica.
Jerry Bergman Ph.D. Biologia.
Kimberly Berrine Ph.D. Microbiologia e Imunologia.
Raymond Bohlin Ph.D. Biologia.
Edward Boudreaux Ph.D. Química.
Gerardus Bouw Ph.D. Astronomia.
Walter Bradley Ph.D. Ciência dos Materiais.
Patrick Briney Ph.D. Microbiologia.
Michael E. Brown Ph.D. Biologia.
Walt Brown Ph.D. Engenharia Mecânica.
Nancy Bryson Ph.D. Química.
John Byl Ph.D. Astronomia.
Robert Carter Ph.D. Biologia Marinha.
David Catchpoole Ph.D. Fisiologia das Plantas.
Art Chadwick Ph.D. Biologia.
Eugene Chaffin Ph.D. Física Teórica.
Donald Chittick Ph.D. Química.
Kenneth Cumming Ph.D. Biologia.
Bob Compton Ph.D. Fisiologia.
Daniel Criswell Ph.D. Biologia Molecular.
Nancy Darrall Ph.D. Botânica.
Bolton Davidheiser Ph.D. Zoologia (genética).
Bryan Dawson Ph.D. Matemática.
William Dembski Ph.D. Matemática.
David DeWitt Ph.D. Neurociência.
Donald DeYoung Ph.D. Física.
Ted Driggers Ph.D. Pesquisa Operacional.
André Eggen Ph.D. Genética Animal e Molecular.
Martin Ehde Ph.D. Matemática.
Danny Faulkner Ph.D. Astronomia.
Carl Fliermans Ph.D. Biologia.
Dwain Ford Ph.D. Química.
Wayne Frair Ph.D. Biologia.
Alan Galbraith Ph.D. Ciência de Transporte de Águas.
Robert Gentry Ph.D. Nuclear Física.
Maciej Giertych Ph.D. Genética.
Duane Gish Ph.D. Bioquímica.
Guillermo Gonzales Ph.D. Astronomia.
D.B. Gower Ph.D. Bioquímica.
Stephen Grocott Ph.D. Química Organometálica.
John Hartnett Ph.D. Física.
George Hawke Ph.D. Metereologia.
Margaret Helder Ph.D. Botânica.
Robert Herrmann Ph.D. Matemática.
Sean Ho Ph.D. Ciência da Computação.
Kelly Hollowell Ph.D. Farmacologia Molecular e Celular.
Ed Holroyd Ph.D. Ciência Atmosférica.
Bob Hosken Ph.D. Bioquímica.
George Howe Ph.D. Botânica.
James Huggins Ph.D. Biologia.
Russell Humphreys Ph.D. Física.
Cornelius G. Hunter Ph.D. Biofísica.
Andrey A. Ivanov Ph.D. Física.
Evan Jamieson Ph.D. Hidrometalurgia.
George Javor Ph.D. Bioquímica.
Karen E. Jensen Ph.D. Biologia.
Pierre Gunnar Jerlström Ph.D. Biologia Molecular.
John Johnson Ph.D. Matemática Aplicada.
Don Johnson Ph.D. Ciências da Informação e em Química.
Arthur Jones Ph.D. Biologia.
Taylor B. Jones Ph.D. Química.
Pierre Y. Julien Ph.D Engenharia Geológica.
Dean Kenyon Ph.D. Biofísica.
John Klotz Ph.D. Biologia.
John K.G. Kramer Ph.D. Bioquímica.
Johan Kruger Ph.D. Zoologia (nematologia).
Walter Lammerts Ph.D. Genética.
John Leslie Ph.D. Patologia Experimental.
Lane Lester Ph.D. Genética.
Jason Lisle Ph.D. Astrofísica.
Heinz Lycklama Ph.D. Nuclear Física.
John Marcus Ph.D. Bioquímica.
Ronald Curtis Marks Ph.D. Química (Orgânica).
George Marshall Ph.D. Ciência Oftalmica.
Joseph Mastropaolo Ph.D. Kinesiologia.
Ralph Matthews Ph.D. Química da Radiação.
Andy McIntosh Ph.D. Aerodinâmica.
David Menton Ph.D. Biologia.
Angela Meyer Ph.D. Ciência Horticultural.
John Meyer Ph.D. Zoologia.
Stephen Meyer Ph.D. História e Filosofia da Ciência.
Colin Mitchell Ph.D. Geografia dos Terrenos Desérticos.
John Morris Ph.D. Engenharia Geológica.
Chris Osborne Ph.D. Biologia.
Johnson C. Philip Ph.D. Física Quantum-Nuclear.
Georgia Purdom Ph.D. Genética Molecular.
Fazale Rana Ph.D. Química.
John Rankin Ph.D. Física Matemática.
Ray Rempt Ph.D. Física.
David Rogstad Ph.D. Física.
Hugh Ross Ph.D. Astronomia.
Ariel Roth Ph.D. Biologia.
Robert Russell Ph.D. Física.
John Sanford Ph.D. Cruzamento de Plantas e Genética.
Siegfried Scherer Ph.D. Biologia.
Emil Silvestru Ph.D. Geologia.
Andrew Snelling Ph.D. Geologia.
Lee Spencer Ph.D. Biologia.
Lee Spetner Ph.D. Física.
Timothy Standish Ph.D. Biologia.
Esther Su Ph.D. Bioquímica.
Barry Tapp Ph.D. Geologia.
Charles Thaxton Ph.D. Química.
Michael Todhunter Ph.D. Genética Florestal.
Jeff Tomkins Ph.D. Genética.
Larry Vardiman Ph.D. Ciência Atmosférica.
Walter Veith Ph.D. Zoologia.
Charles Voss Ph.D. Engenharia Elétrica.
Linda Walkup Ph.D. Molecular Genética.
Keith Wanser Ph.D. Física.
Jonathan Wells Ph.D. Biologia.
Monty White Ph.D. Cinética dos Gases.
Jay Wile Ph.D. Química Nuclear.
Kurt Wise Ph.D. Geologia.
Todd Wood Ph.D. Bioquímica/Genômica.
Henry Zuill Ph.D. Biologia.
Jeffrey Zweerink Ph.D. Astrofísica.

Uma outra pesquisa recente feita pelo Instituto Finkelstein também ajudou a desbancar de vez a ideia de que a teoria da evolução é um “fato” e uma “unanimidade” entre os cientistas. Ela mostrou que, embora seja a crença adotada pela maioria, está muito longe de ser colocada no patamar desejado pelos darwinistas. A pesquisa descobriu que 37% dos médicos dos EUA preferem o design inteligente que a teoria da evolução, e para não dizerem que isso é uma conspiração de cristãos fundamentalistas eles também questionaram a religião de cada um deles, e chegou-se às seguintes conclusões[8]:

14% dos médicos judeus rejeitam[9] o darwinismo.
57% dos médicos evangélicos rejeitam o darwinismo.
40% dos médicos católicos rejeitam o darwinismo.
59% dos médicos ortodoxos rejeitam o darwinismo.
32% dos médicos hindus rejeitam o darwinismo.
28% dos médicos budistas rejeitam o darwinismo.
81% dos médicos muçulmanos rejeitam o darwinismo.
43% dos médicos com outra religião rejeitam o darwinismo.
5% dos médicos ateus rejeitam o darwinismo.

No quadro geral, apenas 63% dos médicos norte-americanos preferem a teoria da evolução. Eu digo “apenas” porque, para alguém que afirma com tanta convicção que a evolução é “unanimidade” e “fato”, este dado não é nada animador. Apenas os médicos ateus creem no evolucionismo de forma mais arrasadora, e por uma razão óbvia: eles quase não têm opção. Enquanto todos os religiosos de diferentes religiões se mantém abertos à discussão entre evolução e design inteligente, os ateus são forçados a adotarem o evolucionismo, pois excluem de antemão a possibilidade de haver um criador.

Mesmo assim, impressiona o fato de que nem a totalidade dos ateus preferem a teoria da evolução. Isso é no mínimo suspeito, e coloca em xeque as afirmações tão categóricas de que “a evolução é um fato”. Deve haver um motivo muito bom para que até médicos ateus aceitem o design inteligente[10]. Provavelmente as evidências em contrário não são tão fortes assim, como os evolucionistas dizem que é.

O mesmo estudo realizou outras pesquisas interessantes, como, por exemplo, se o design inteligente deveria ser ensinado ao lado da evolução nas escolas públicas, e o resultado foi[11]:

41% dos médicos judeus acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

81% dos médicos evangélicos acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

76% dos médicos católicos acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

76% dos médicos ortodoxos acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

73% dos médicos hindus acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

71% dos médicos budistas acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

91% dos médicos muçulmanos acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

61% dos médicos com outra religião acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

26% dos médicos ateus acham que o ensino do design inteligente deve ser necessário ou permitido.

Mais uma vez, vemos que os médicos das mais diferentes religiões são em geral favoráveis ao ensino optativo ou obrigatório do design inteligente nas escolas, ganhando oposição significativa somente da maioria dos médicos ateus, por razões óbvias já mencionadas. Estranho para quem costuma vociferar a todos os cantos que o design inteligente é “pseudociência” e que adotá-lo é ferir o Estado laico. Alguém precisa urgentemente avisá-los que Estado laico não é o mesmo que Estado ateu.

Há até ateus que são favoráveis ao ensino do design inteligente nas escolas. Um deles é Bradley Monton, professor de filosofia pela Universidade do Colorado, onde trabalha nas áreas de filosofia da ciência, epistemologia probabilística, filosofia do tempo e filosofia da religião. Embora seja ateu, ele escreveu um livro onde defende o design inteligente, afirmando que é legítimo ver o design inteligente como ciência e que ele deve ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas. Ele disse:

"A doutrina do design inteligente foi marginalizada pelos ateus, mas mesmo eu sendo ateu, sou da opinião de que os argumentos a favor do design inteligente são mais fortes do que a maioria percebe. O objetivo do meu livro é o de tentar fazer com que as pessoas levem a sério o design inteligente. Defendo que é legítimo ver o design inteligente como ciência, que há alguns argumentos plausíveis para a existência de um criador cósmico e que o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas”[12]

E Bradley não está sozinho entre aqueles que defendem o ensino do design inteligente nas escolas públicas (mesmo entre aqueles que não concordam com a tese). A mesma pesquisa feita entre os médicos dos Estados Unidos, citada anteriormente, perguntou também: “Você acredita que o design inteligente tem legitimidade como ciência ou você acha que é apenas uma forma encoberta de conseguir o criacionismo nas escolas?”. E o que os médicos responderam foi[13]:

Religião ou crença
Design Inteligente é ciência legítima
Design Inteligente é pseudociência
Judeus
18%
82%
Evangélicos
63%
37%
Católicos
49%
51%
Ortodoxos
54%
46%
Hindus
48%
52%
Budistas
46%
54%
Muçulmanos
60%
40%
Outra religião
46%
54%
Ateus
2%
98%
Mais uma vez, a opção que diz que o design inteligente é pseudociência só ganha de forma esmagadora e consensual entre os médicos ateus – e mais uma vez não precisamos explicar o porquê. A maioria deles, diferente de Bradley, traz seus pressupostos (de que não há Deus) para a ciência, e, consequentemente, eliminam de antemão a possibilidade de qualquer forma de criação, por pensar que isto favoreceria a tese da existência de Deus, e consequentemente prejudicaria seu ateísmo.

Por fim, a pergunta mais interessante foi: “Qual são seus pontos de vista sobre a origem e desenvolvimento do ser humano?”. E as respostas foram[14]:

Religião
Deus criou como vemos agora
Deus iniciou e guiou o processo evolutivo
Os homens evoluíram sem envolvimento sobrenatural
Judeus
3%
29%
65%
Evangélicos
35%
46%
19%
Católicos
11%
67%
21%
Ortodoxos
37%
35%
28%
Hindus
11%
43%
38%
Budistas
0%
43%
36%
Muçulmanos
43%
43%
15%
Outra religião
29%
25%
45%
Ateus
0%
2%
94%
Como vemos, a coluna na extrema-direita só prevalece entre ateus e judeus, e perde da crença em alguma forma de intervenção divina em todos os outros casos. Esses dados são interessantes por três razões. Primeiro porque mostra que o evolucionismo (em especial o não-intervencionista, que tira Deus da jogada) está longe de ser considerado unanimidade. Se há certa unanimidade, é entre os ateus, e somente entre eles. Em contraste a isso, verdadeiros fatos científicos são cridos por todos. Você não vai ver, por exemplo, uma pesquisa que diga que 37% dos médicos rejeitam que a Terra é esférica – porque isto é um fato – mas vê que 37% rejeitam o darwinismo – porque isto não é um fato.

Segundo, porque mostra que os judeus (que estão mais à direita do quadro depois dos ateus) não estão apegados a uma interpretação literal do Gênesis (como os ateus acusam), como vimos no tópico anterior. É perfeitamente plausível crer no Gênesis e também crer na teoria da evolução.

Terceiro, porque mostra que, de forma consensual, somente os ateus continuam crendo que “a evolução é um fato”. O design inteligente e o criacionismo científico têm até boa aceitação entre os médicos, se comparado ao espantalho que os darwinistas fazem em torno de uma adesão “unânime” ao evolucionismo. A verdade é que o debate ainda existe, e a teoria evolucionista ainda não chegou ao patamar de “fato”, pois ainda faltam evidências mais conclusivas.

Um bom exemplo são as “cinco provas da evolução”[15], que é a principal referência em português na internet quando se busca sobre o tema. Se essas cinco provas são tão conhecidas, presume-se que são as cinco provas mais fortes, as mais “irrefutáveis”, as mais conclusivas, contra as quais não se há contra-argumentação, pois não se contra-argumenta fatos, muito menos com evidências. Mas Michelson Borges, notório criacionista aqui no Brasil, refutou as “cinco provas” com até certa facilidade, e com mais argumentos, em seu artigo: “Cinco provas que nada provam”[16].

Diferentemente de teorias que chegaram ao patamar de “fato”, o darwinismo ainda é alvo de debates. Por exemplo, ninguém debate sobre se a Terra é o centro do Universo, porque é um fato que a Terra não é. Mas há muitos debates acirrados entre criacionistas e evolucionistas, porque nenhum dos dois chegou ao patamar de “fato”. Há pouco tempo o criacionista Ken Ham (do Answers in Genesis) debateu com o evolucionista Bill Nye. Em poucos meses o debate já conta com mais de quatro milhões de visualizações no YouTube[17].

Aqui no Brasil, o professor criacionista Nahor Neves de Souza travou em 2012 um debate com o evolucionista Mário César Cardoso[18]. O que impressiona nestes debates é que não há uma vitória clara e evidente para nenhum dos dois lados. O que vemos é que os dois times têm bons argumentos e boas formas de refutar os bons argumentos do outro lado. Embora o evolucionista fanático que veja os debates irá dizer que o evolucionista ganhou de forma esmagadora, e o criacionista fanático que assista os debates irá dizer que o criacionista que ganhou, um observador imparcial dificilmente concluiria que um dos dois é um “fato” e o outro um “conto de fadas”, pois não há uma diferença notável em termos argumentacionais.

Embora Dawkins considere um crime contestar o evolucionismo, eu acho extremamente interessante incentivar o debate de ideias. As pessoas precisam pelo menos ter acesso a alguns argumentos do lado criacionista também, já que proíbem o design inteligente de ser ensinado nas escolas públicas ao lado da evolução (e não no lugar da evolução), o que faz com que os alunos aprendam somente um lado da moeda e, obviamente, se tornem evolucionistas acríticos. O certo seria ensinar ambos e deixar o aluno pensar por si mesmo – que é a opinião da maioria (65%) dos médicos, inclusive de alguns (26%) ateus.

Se o darwinismo é tão mais forte e poderoso (como os evolucionistas dizem que é), eles não deveriam ter medo de debater o assunto nas escolas. Afinal, os alunos inteligentes e interessados no assunto iriam aceitar o darwinismo do mesmo jeito, se o darwinismo é mesmo um “fato”, como eles dizem. Por exemplo, se a dança da chuva fosse ensinada lado a lado com os estudos das ciências atmosféricas, não haveria dúvida de que os alunos iriam rejeitar a dança da chuva e ficar com a explicação racional. Os “defensores da ciência” não teriam nada a temer.

Mas a razão pela qual não se debate sobre o design inteligente nas escolas é porque temem que um diálogo honesto e aberto sobre o tema abra os olhos de pelo menos parte dos estudantes. Se ensinando apenas um lado da moeda mesmo assim há pessoas que abandonam o evolucionismo, quanto mais se ensinassem os dois lados!

Infelizmente, os alunos em geral estão acostumados a comprarem como verdade absoluta qualquer coisa que os professores ensinam. Eles são educados assim desde criancinhas. Se o professor de matemática diz que o Teorema de Pitágoras é c²= a² + b², os alunos entendem que esta é a verdade. Eles não contestam isso. Se um professor de geografia diz que o Brasil fica na América do Sul, os alunos também assumem isso como a verdade. E é assim que eles constroem suas visões de mundo – com base naquilo que os professores ensinam. De fato, muita coisa que os professores ensinam é verdade, mas é exatamente por isso que os alunos aprendem a aceitar as coisas acriticamente, e por causa disso acabam crendo em qualquer coisa que os professores dizem que é verdade – mesmo quando pode não ser verdade.

Aqui no Brasil, por exemplo, o mais comum é ver jovens universitários comunistas. A razão pela qual ainda existe comunistas no planeta, mesmo após este sistema ter fracassado miseravelmente em cada canto do planeta onde foi implantado, é porque professores ainda ensinam isso nas escolas públicas, fazendo um monstro do capitalismo e pintando o comunismo como o oposto ao que ele é de fato.

Mas se formos aos Estados Unidos, por exemplo, não encontraremos um único estudante universitário comunista, porque lá não se ensina esse lixo. Consequentemente, os estudantes de lá compram outro discurso, proferido por outros professores. Note que a diferença não está no gene do brasileiro ou do norte-americano, mas no que foi ensinado a eles. Os alunos, em geral, apenas repetem o que os professores ensinam e tomam isso como verdade acriticamente – e ainda pensam que creem em x porque chegaram a esta conclusão sozinhos, quando apenas foram induzidos a isso, como em uma lavagem cerebral.

É exatamente a mesma coisa que acontece com a teoria da evolução. Quase todos os alunos de biologia creem nisso, não porque estudaram exaustivamente as evidências de ambos os lados e chegaram à conclusão mais razoável e racional de que a evolução é verdadeira, mas porque ensinam isso a eles como sendo a verdade, como sendo a “ciência”, como sendo o que os cientistas defendem, então eles aceitam, muitas vezes a despeito das evidências. E é difícil que isso se mude mais tarde, pois a tendência é sempre alguém defender o que aprendeu, ao invés de avaliar criticamente o que aprendeu.

Um exemplo muito claro disso está presente no polêmico documentário Evolution vs God[19], onde o evangelista Ray Comfort entrevista e debate com dezenas de jovens universitários (e alguns professores também) sobre a teoria da evolução. Ele começa perguntando se os alunos creem no evolucionismo, e, após receber sinal verde, passa a perguntar por que. As respostas sempre são os jargões de sempre: “porque a evolução é um fato”; ou: “porque eu acredito na ciência”, ou então algum argumento raso.

Ray então começa a discutir com o entrevistado sobre a resposta dada, e o coloca contra a parede, refutando cada argumento dado pelos estudantes e professores para a validade da macroevolução, até deixar os entrevistados sem resposta, sem conseguirem oferecer uma única evidência de mudança de espécie, para finalmente chegar ao ponto em que os entrevistados admitem: “eu apenas acredito no que aprendi nas aulas”. Ray então conclui: “Sabe como isso se chama? Fé cega”.

A verdade é que a grande maioria dos que creem na teoria da evolução (especialmente entre os mais jovens) a aceitam unicamente porque foi o que ouviram dos professores. Eles podem até pensar que creem por causa deste ou daquele argumento, mas, por fim, são obrigados a aceitar que creem desprovidos de evidência, ou, melhor dizendo, creem por uma fé cega. Eles simplesmente repetem o que os professores ensinam, e, consequentemente, creriam em qualquer coisa que lhes fosse ensinada – que, neste caso, foi o evolucionismo.

É por essa razão que os evolucionistas não querem ver uma alternativa à evolução sendo ensinada nas escolas como uma segunda opção, pois isso forçaria os alunos a estudarem as evidências por si mesmos ao invés de aceitarem passivamente a única opção que lhes é dada, crendo que não há nada que possa ser verdade além daquilo. Curiosamente, uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha, que ouviu 923 docentes naquele país, concluiu que 73% dos professores eram favoráveis que o tema (criacionismo e evolucionismo) fosse debatido em sala de aula ao se falar sobre evolução[20].

Neste livro eu não tenho o objetivo de derrubar a teoria da evolução, até porque não sou a pessoa mais adequada para isso. Meu conhecimento em biologia é compatível ao conhecimento de Dawkins em teologia – ou seja, é melhor deixar com os especialistas[21]. Tanto que no meu livro sobre “As Provas da Existência de Deus” quem escreveu o capítulo sobre a teoria da evolução foi Emmanuel Dijon (co-autor), e não eu. Mas como já há muito material evolucionista na internet e em livros, eu penso ser importante a divulgação dos argumentos contrários também.

O que eu quero é incentivar o debate aberto sobre o tema, coisa que Dawkins se opõe, pois, para ele, quem discorda do evolucionismo está destruindo a ciência. O darwinismo está acima da crítica e da análise das evidências. Ele é infalível e Todo-Poderoso, e qualquer um que duvidar dele será condenado ao fogo eterno. É esta a visão que Dawkins tem daqueles que ousam questionar o evolucionismo à luz das evidências.

Curiosamente, o próprio Dawkins tem uma imensa dificuldade em responder perguntas simples, que teoricamente deveriam estar na boca de todo e qualquer bom evolucionista. Um vídeo que chega a ser muito engraçado mostra Dawkins ficando sem resposta para uma entrevistadora que pergunta: “Pode me dar o exemplo de uma mutação genética ou um processo evolutivo que possa ser visto e que aumente a informação do genoma?”[22].

Dawkins ficou estático, pensativo, pensando, pensando... pensando... zZzZzZz... e depois desta cena patética mandou desligarem a câmera e ligarem só depois que ele encontrasse a resposta. Depois ele voltou e inventou uma resposta que não tinha absolutamente nada a ver com a pergunta. Isso mostra que mesmo os maiores biólogos evolucionistas também tem problemas com perguntas teoricamente simples, que colocam em dúvida a plausibilidade da teoria evolucionista. Mesmo assim, ao invés de admitirem humildemente que o debate existe, preferem continuar dizendo que “a evolução é um fato” e que os criacionistas estão na era da pedra. Eles mantêm a pose, para não perder o argumento.

O carro-forte geralmente dado por eles é de que esta é a posição majoritária dos cientistas, e, portanto, calem a boca e aceitem o que os cientistas têm a dizer. O problema com esta lógica de pensamento é que muitas vezes os cientistas já estiveram errados. Alguém que dissesse que a Terra não é plana seria ridicularizado pela “comunidade científica” anterior ao período helenista. Alguém que se opusesse ao geocentrismo antes de Copérnico seria rechaçado pela maioria dos cientistas da época. Como Ruisdael Marques certa vez disse, “a ciência que nunca errou que atire a primeira teoria”.

Mas não precisamos ir muito longe para ver a ciência revendo seus conceitos e admitindo seus erros. Um exemplo fácil é verificar o histórico ao longo dos últimos 100 anos sobre a idade da Terra, e você verá que ela muda de milhares para milhões, e de milhões para bilhões de anos. Há não muito tempo achava-se que a idade da Terra era 100 mil anos; hoje, os cientistas estimam que a Terra tenha 4,5 bilhões de anos – e não sabemos o que dirão amanhã. Muitos destes ajustes são feitos para alinhar a idade da Terra à teoria evolucionista, para dar mais credibilidade e probabilidade à tese. Cientistas, de ontem e de hoje, estiveram (e presumivelmente estão) errados sobre muita coisa. A ciência não é um ringue onde se ganha quem tem maioria de votos.

O design inteligente é um movimento recente, que ganhou destaque em 1997, com a publicação de “A Caixa-Preta de Darwin”, de Michael Behe. Não dá para se comparar uma teoria de Darwin, popular desde a publicação de “A Origem das Espécies”, em 1859, com milhões de adeptos ao longo de todo este tempo e com milhares de cientistas buscando validar a teoria a cada dia que passa. É muito provável que a teoria do design inteligente de Behe cresça com o tempo e ganhe a adesão de ainda mais cientistas, e, talvez, se torne a visão majoritária da comunidade científica de amanhã. Se em menos de duas décadas de existência o design inteligente já causou tanto, este prognóstico estaria mais para realista do que para otimista.

O fato é que, independentemente de o design inteligente se provar verdadeiro no futuro ou não, a ciência não é um conjunto fechado de ideias onde o darwinismo ganha status de “fato”. Os ateus precisam pelo menos pensar na hipótese de a teoria da evolução estar errada, o que é uma possibilidade. Os cristãos não veem problema nisso, porque a fé em Deus não é abalada pela teoria da evolução. Para os cristãos, se a evolução é verdadeira tudo o que provaria é que Deus criou o mundo progressivamente, ao invés de fazê-lo de uma vez só, em uma semana literal. Para os ateus, por outro lado, se a evolução não é verdadeira, é o fim. A evolução tem que ser verdadeira, pois a outra visão anula o ateísmo, ou o torna mais exorbitantemente improvável.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


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[1] Citado em “Como Tudo Começou” (Adauto Lourenço), p. 155.
[3] Adauto Lourenço, Como Tudo Começou, p. 155.
[4] A designação de “criacionismo científico” serve para desvincular essa visão do “criacionismo religioso”. A diferença entre um e outro é que o criacionismo “científico” parte da ciência e toma conclusões científicas a partir dela, sem consultar nenhum livro religioso, enquanto o criacionismo “religioso” parte da interpretação literal do Gênesis e condiciona a ciência à Bíblia, ao invés de condicionar a Bíblia à ciência. Embora ambos cheguem praticamente às mesmas conclusões finais, o primeiro parte da ciência e termina na Bíblia, enquanto o segundo parte da Bíblia e termina na ciência. Para o primeiro, a conclusão pode ter implicações religiosas, mas não depende de pressuposições religiosas. Para o segundo, a conclusão depende essencialmente de pressupostos religiosos, pois é a partir deles que se chega às conclusões.
[5] Ele fala sobre isso em uma entrevista para o programa “Vejam Só”, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=236e12hHGvA
[9] “Rejeitar” no sentido de não preferir o darwinismo.
[10] É óbvio que estes ateus que preferem crer no design inteligente creem que este design é algum extraterrestre, e não Deus (senão não seriam ateus). Já tratamos sobre isso no tópico anterior.
[17] Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=z6kgvhG3AkI. É bem possível que já tenha passado disso na data em que o leitor estiver lendo.
[19] Disponível em português em: http://www.youtube.com/watch?v=vqxycnoE1IM
[21] Há várias fontes para quem quiser se aprofundar no debate. Um dos melhores sites sobre isso é o “Answers in Genesis” (https://answersingenesis.org). Para quem quiser uma fonte em português, recomendo o livro: “Como Tudo Começou”, do professor Adauto Lourenço, que era evolucionista e passou a criacionista após a análise das evidências. Os já mencionados artigos de Michelson Borges também são valiosos (http://www.criacionismo.com.br), e para quem quiser se aprofundar na questão do design inteligente eu recomendo a leitura do livro mais conhecido sobre o tema, “A Caixa-Preta de Darwin”, do bioquímico Michael Behe, que causou muita polêmica na comunidade científica. Há várias outras fontes e trabalhos proveitosos dos teóricos do design inteligente, e Emmanuel Dijon faz um resumo das obras mais importantes no livro “As Provas da Existência de Deus”, do qual sou co-autor.

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