quarta-feira, 1 de abril de 2015

O dom de línguas sob uma perspectiva científica


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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Há vários dons espirituais, mas um dos mais fenomenais é o dom de línguas, que Paulo falou amplamente em 1ª Coríntios 14. É verdade que nem todas as denominações cristãs creem no dom de línguas da forma que os pentecostais creem, mas aqui irei abordar o dom à luz da ciência e não fazer um tratado teológico ou exegético. Para qualquer um que quiser ver uma análise teológica feita por mim sobre o mesmo, basta consultar um artigo do meu site[1].

Para quem não faz a mínima ideia do que se trata, irei resumir:

a)     Jesus, antes de sua ascensão, prometeu que dentro de poucos dias os discípulos seriam batizados com o Espírito Santo (At.1:5), distinguindo do batismo nas águas (o batismo de João Batista).

b)    Isso aconteceu no dia de Pentecoste (de onde vem o termo “pentecostais”), quando os discípulos foram batizados no Espírito Santo e começaram a falar em línguas estranhas (At.2:4).

c)     O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da igreja de Corinto dizendo-lhes que o dom de línguas serve para “edificação pessoal” (1Co.14:4). Quem fala em línguas “não fala aos homens, mas a Deus” (1Co.14:2), e “ninguém o entende, pois em espírito fala mistérios” (1Co.14:2). Ele também diz que, ao orarmos em línguas, nosso espírito ora, mas nossa mente fica infrutífera (1Co.14:14). Por fim, ele diz que falava em línguas mais do que todos os coríntios (1Co.4:18), e que gostaria que todos eles falassem em línguas (1Co.14:5), embora ele considerasse o dom de profecia mais importante (1Co.14:5) e impusesse certas limitações ao uso do dom de línguas durante o culto na igreja (1Co.14:27-28).

Em resumo, o dom de línguas é uma manifestação do Espírito Santo através da pessoa já batizada no Espírito, onde ela fala a “língua dos anjos” (1Co.13:1), isto é, uma linguagem sobrenatural de oração, em uma língua completamente desconhecida para os seres humanos. Ela fala mistérios, coisas que ninguém entende, senão Deus (1Co.14:2). O ponto fundamental aqui é: se a Bíblia mente, se é um conto de fadas ou uma ficção (como muitos creem), deveríamos crer que aquele fenômeno apostólico não existe mais, pois teria sido inventado por charlatões inescrupulosos, a quem chamamos de “apóstolos”. Mas basta entrar em uma igreja pentecostal para ver este dom em evidência em pleno século XXI.

Então os céticos vão para o outro caminho, o de dizer que estes pentecostais que são charlatões, isto é, que estão inventando estas palavras desconexas para fazer parecer que o dom espiritual da era apostólica continua existindo nos dias de hoje, o que seria uma prova inequívoca do agir do Espírito Santo e da veracidade da Bíblia. Foi para isso que fizeram um estudo científico na Universidade da Pensilvânia, onde o doutor Andrew Newberg procurou uma explicação para o que muitos julgam ser inexplicável.

Um pastor pentecostal chamado Gerry Stoltzfools foi chamado à Universidade para que tivesse seu cérebro avaliado enquanto falava em línguas. Primeiro pediram a ele que orasse em língua comum (o inglês). Depois, pediram que começasse a orar em línguas. O doutor Newberg estudou o que acontece no cérebro durante o falar em línguas e ficou espantado com o que constatou. Ao contrário do que os céticos pensavam, ele descobriu que “isso não é uma língua; ou melhor, não é uma língua regular que normalmente ativa o lóbulo frontal”[2]. Esta foi a forma mais cientificamente correta de dizer que “isto não é uma língua humana, mas espiritual” – exatamente como a Bíblia diz!

Ele publicou um estudo sobre os americanos que falam em línguas, onde fala da sua descoberta sobre o que acontece com os pentecostais neurologicamente, que se parece muito com o que eles dizem que acontece espiritualmente. Ao se comparar o exame de quando o pastor estava orando em inglês com o que ele orava em línguas, constatou-se que o lóbulo frontal (a parte do cérebro que controla a linguagem) estava ativa quando ele orava em inglês, mas sua maior parte ficou inativa quando ele orava em línguas. O doutor Newberg afirmou:

“Quando eles estão realmente engajados nesta intensa prática religiosa, seus lóbulos frontais tendem a diminuir sua atividade, e eu acredito que isso acontece pelo tipo de experiência que eles têm, porque eles dizem que não são responsáveis por aquilo. É a voz de Deus, é o Espírito de Deus que está movendo através deles”[3]

Isso não é apenas a confirmação de que os pentecostais não estão “inventando” humanamente línguas desconexas para enganar os descrentes, mas também é a confirmação exata daquilo que Paulo escreveu aos coríntios, quando disse que “se oro em línguas, meu espírito ora, mas a minha mente fica infrutífera (1Co.14:14). Paulo disse que a mente ficava inativa ao falar em línguas, e isso dois mil anos antes da ciência constatar este fato. Como é o Espírito Santo quem ora através da pessoa, o indivíduo praticamente não usa o lóbulo frontal para falar; sua mente fica inativa enquanto o Espírito Santo fica ativo!

Em outra ocasião, os participantes do estudo ficaram ouvindo música enquanto falavam em línguas, onde a pessoa falava em línguas sem um comando direto, como foi com o pastor Stoltzfools. Nas palavras do doutor Newbelg, os resultados foram “ainda mais evidentes”. Newberg também investigou o que acontece nos cérebros dos monges budistas enquanto estão meditando, e também o que ocorre nas orações dos franciscanos, mas o resultado foi notavelmente diferente do que acontece com os que falam em línguas:

“É bem evidente o contraste. Os budistas e os franciscanos quando meditam ficam inteiramente focados, e isso faz com que seus lóbulos frontais aumentem a atividade”[4]

A ciência não pode afirmar que foi Deus, porque esta é uma conclusão fora do seu alcance. Mas ela pode confirmar que, de fato, não é uma linguagem humana, e que a oração em línguas deixa a mente “livre” para as demais atividades, exatamente como a Bíblia dizia há dois mil anos! A conclusão de que isto faz uma ponte com o Deus cristão pode não ser estritamente científica, mas é absolutamente racional e lógica. Por que este “fenômeno” só ocorre entre os cristãos? Se tudo não passa de um fenômeno “inexplicável”, então por que não vemos ateus que falam em línguas?

Alguns respondem que é porque isto ocorre em função de um “êxtase religioso”, coisa que os ateus não sentem. Isso simplesmente não é verdade. Boa parte dos cristãos que falam em línguas não começaram a falar depois de um êxtase religioso. Conheço muitos que começaram a falar enquanto estavam em situações totalmente comuns, alguns enquanto esperavam na fila do banco, outros enquanto tomavam banho, outros ainda enquanto estavam dirigindo.

Os exemplos vãos aos montões, e a ciência desmentiu a hipótese de que os milhões de pentecostais que falam em línguas estão fazendo de enganação. Há uma mudança real e extremamente significativa no cérebro do que fala em línguas, em comparação com o cérebro dos que falam qualquer outra coisa. Claramente é algo não-natural, que não vêm da própria pessoa. Quem fala em línguas não precisa pensar nas palavras que vai dizer, nem soltar a língua e começar a repetir qualquer coisa, mas simplesmente permitir que o Espírito Santo fale através dela, na linguagem espiritual de oração.

Se fosse êxtase emocional, nada explicaria os inúmeros casos onde não havia qualquer êxtase, e muito menos por que os que têm este “êxtase” permanecem com o dom para poder usá-lo na hora que quiser e em qualquer situação cotidiana, mesmo sem estar em êxtase. Se a objeção dos “céticos” fosse levada a sério, na melhor das hipóteses os crentes só poderiam voltar a falar em línguas quando tivessem um novo êxtase emocional. Os cristãos têm uma resposta fácil para isto – “os dons de Deus são irrevogáveis (Rm.11:29) – mas os ateus são obrigados a manter a incredulidade de pé mesmo sem ter resposta convincente para nada.

Além disso, por que não há nenhum registro histórico deste dom haver ocorrido em algum momento antes do Pentecoste? Se não passa de um fenômeno qualquer, então seria totalmente provável que todos os outros povos em tempos mais antigos que 32 d.C falassem em línguas também. Mas não temos. E por que não vemos religiosos de outras religiões, como o budismo, o hinduísmo, o judaísmo ou o islamismo falando em línguas também? Se isso é somente êxtase religioso ou um fenômeno que pode vir a qualquer um – e eles são pessoas e são religiosos – seria totalmente lógico que este “fenômeno” alcançasse cristãos e não-cristãos por igual, estatisticamente falando. Mas isto está longe de ser verdade.

No máximo o que vemos são pessoas de outras religiões que convivem muito próximas dos pentecostais e tentam imitar o dom de uma forma humana e natural (como o padre Jonas Abib que ensina os fieis a soltarem a língua e o imitarem[5]), mas não há sequer um único relato de algum indiano, judeu ou árabe que convive naquelas regiões e que fale em línguas estranhas. Não há nem um único para servir de exemplo, nem mesmo como exceção à regra. Os cristãos não-pentecostais podem identificar isso como sendo coisa do “demônio”, mas os ateus nem isso podem fazer, pois não acreditam no demônio tanto quanto não acreditam em Deus – eles simplesmente negam o sobrenatural.

Assim sendo, a permanência do dom de línguas nos dias atuais, passando pelo teste de fogo da ciência e contradizendo toda e qualquer objeção lógica dos ateus serve como a terceira linha de evidência em favor da intervenção divina na natureza – junto à oração e à profecia.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


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[1] Disponível em: http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1087411888. Também sugiro a leitura do livro: “O Falar em Línguas – A Linguagem Sobrenatural da Oração”, de autoria do Pr. Luciano Subirá. Este é o livro mais completo sobre o tema e está disponível online no site da igreja: http://www.orvalho.com/loja/home/o-falar-em-linguas/
[3] ibid.
[4] ibid.

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