quinta-feira, 2 de abril de 2015

O sentido da vida sem Deus


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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O Cristianismo não é apenas moralmente e racionalmente superior ao ateísmo: ele também traz um sentido objetivo à vida, que o ateísmo não traz. C. S. Lewis certa vez disse que “se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado”[1]. No fundo, todos nós cremos que estamos aqui por alguma razão, e que temos alguma missão ou objetivo maior nesta terra do que simplesmente sobreviver até morrer.

Mas, se Deus não existe, esta vida não tem nenhum propósito objetivo. Todos nós estamos fadados ao inevitável e doloroso processo de morte, que alcançará a uns mais cedo, e a outros mais tarde. Chegará um dia em que não existiremos para sempre, seremos como a poeira espacial, perderemos toda a racionalidade, personalidade e consciência, e nada do que fizemos na terra levaremos conosco para um “além”. Quando este dia chegar, tendo nós sido bons ou maus enquanto em vida, terminaremos todos da mesma forma: como comida para os vermes. Não haverá recompensa alguma para os bons, nem castigo algum para os maus. A nossa existência particular, simplesmente, não faz sentido.

Alguns ateus tentam contornar esta dura e cruel realidade. Para eles, a vida teria um sentido pelo legado que damos às gerações posteriores, através de nossas atitudes e ensinos que podem mudar a vida de pessoas no mundo de amanhã. Mas há três problemas com isso. Primeiro, porque a esmagadora maioria das pessoas não consegue viver de forma a dar uma mudança significativa ou “legado” para o futuro, e muitas delas fazem mais mal do que bem. Segundo, porque se vamos morrer e não voltaremos a viver jamais, nunca ficaríamos sabendo se o que fizemos em vida contribuiu de alguma forma, seja para o bem ou para o mal. Para a nossa perspectiva, qualquer coisa que acontecesse depois da nossa morte seria insignificante, sem nenhum modo de avaliar objetivamente, ou de se satisfazer por isso após virar cinzas.

Mas há um problema maior: a própria humanidade está fadada à aniquilação. Ela, querendo ou não, gostando ou não, não vai viver para sempre. Essa destruição pode acontecer de diversas formas: aquecimento global, falta de água e de recursos naturais, bombas nucleares, colisão com meteoros ou quando o sol finalmente engolir a Terra. Seja lá como este processo se der, é consenso na comunidade científica que a humanidade não viverá para sempre – ela é tão passageira e temporária quanto seus indivíduos em particular. No fim das contas, qualquer coisa feita, seja boa ou má, terminará no assombroso e inconsolável nada. Pela perspectiva ateísta, a vida não tem sentido.

Se há uma coisa que incomoda muita gente, é quando empenhamos todo o nosso esforço em alguma coisa, e esta coisa é desfeita logo em seguida, tornando inútil o esforço. Um escritor que escreve páginas e páginas, se esquece de salvar o arquivo, o computador quebra e ele perde tudo; um jogador de vídeo-game que avança de fase até o chefão e, quando chega lá, a energia acaba e ele tem que recomeçar tudo do zero outra vez; uma criança que constrói um castelo na areia da praia que pouco depois é destruído pelas ondas do mar; um time de futebol que, depois de vencer todos os outros adversários, chega à final e perde, tendo que esperar o campeonato do próximo ano para tentar tudo de novo. Há uma forte sensação de que o esforço empreendido foi inútil, porque ele foi temporário e logo em seguida foi desfeito.

A nossa vida, por uma perspectiva ateísta, é exatamente isso. Nós estudamos na escola por todo o ensino fundamental tendo que fazer todas as tediosas tarefas de casa sonhando com o ensino médio; ao chegarmos ao ensino médio temos que estudar mais ainda para passar no vestibular, sonhando em entrar numa faculdade; ao ingressarmos em uma universidade temos que estudar mais ainda para passar nas matérias cada vez mais difíceis e fazer um TCC, mas sonhamos com o ingresso no mercado de trabalho; quando finalmente saímos da faculdade temos que trabalhar arduamente para ganharmos o pão de cada dia em nosso serviço, sonhando com a aposentaria; quando finalmente nos aposentamos já estamos velhos demais para as coisas que poderíamos desfrutar quando mais jovens, e não temos mais muito tempo de vida.

A vida nos desgasta, exige tudo de nós, faz com que concorramos com outras pessoas que atravessam os mesmos desafios, nos leva a sonhar com um futuro onde as dificuldades só tendem a aumentar, e depois de tirar tudo de nós ela acaba antes que possamos desfrutar de um pouco do que lutamos tanto por conquistar. Nós nascemos, crescemos e morremos pensando apenas em sobreviver, e depois que finalmente terminamos de escrever o livro, depois que finalmente avançamos até o chefão, depois que finalmente terminamos de construir o castelo na areia, depois que finalmente chegamos à grande final... tudo acaba. E não há recomeço. A “busca pela felicidade”, inevitavelmente, termina em fracasso. A sensação é de que essa vida é realmente inútil, sem sentido – se Deus não existir.

Podemos dar sentidos subjetivos à nossa vida, mas nenhum sentido objetivo sem Deus. Podemos, por exemplo, fazer de conta que essa vida tem sentido, ao lutarmos por algo que queremos muito, e às vezes até conseguimos essas coisas. Um jovem apaixonado por uma mulher pode colocar como “sentido da vida” conquistá-la, um jogador de futebol pode colocar como “sentido da vida” ganhar uma Copa do Mundo, um cientista pode colocar como “sentido da vida” fazer uma grande descoberta que revolucione a ciência, um cubano pode colocar como “sentido da vida” chegar a Miami, e assim por diante. Mas todas essas coisas têm um término, e, ao serem alcançadas, novamente passam a sensação de um vazio: nós corremos por toda a vida para alcançar isso, e, agora que já alcançamos, parece que não há mais sentido em continuar vivendo.

Você então começa a se dar conta de que esse “sentido” era subjetivo e ilusório, ao invés de objetivo e real. É por isso que a taxa de suicídio, por mais irônico que pareça, é maior nos países mais ricos e menor nos países mais pobres. É como se aquelas pessoas vivessem a vida delas sonhando em conquistar grandes fortunas, e, uma vez que as conquista, se sente temporariamente realizado, mas logo vem uma sensação de desânimo, pois conquistou o que tudo queria, e mesmo assim não conseguiu preencher aquele enorme vazio existencial no mais íntimo do coração. Você pensava que era assim que conseguiria ser feliz; então conseguiu isso, mas ainda não é feliz como gostaria de ser.

Você começa a compreender que estava lutando pela coisa errada, que estava correndo atrás do vento. Você percebe que o sentido da vida não era aquilo que você pensava que era, e que ainda precisa correr atrás de algo maior. E você não encontra este algo maior em nada do que procurar, a não ser em Deus. É só em Cristo que este vazio se preenche e a vida faz sentido. É só em Jesus que vale a pena continuar vivendo, por algo maior. O homem tem uma necessidade de dar sentido à sua vida e de justificar sua existência no mundo, e é por isso que existem tantas militâncias políticas e tantas formas diferentes de entretenimento. Ele quer fazer a parte dele para “mudar o mundo e ser feliz”. No fundo, todos nós sabemos que esta vida tem sentido: só que muitos correm atrás do sentido errado, tentando se preencher com coisas que não preenchem.

E a situação fica ainda pior quando não conseguimos conquistar aquilo que tanto queríamos – e admita, na maioria das vezes você não consegue tudo aquilo que quer! A sensação de fracasso, de depressão e de ruína em um casamento ou namoro que não dá certo é muito maior naquele que fez da outra pessoa o seu “objetivo de vida” do que naquele que tinha um objetivo maior. Pense nisso: você vive por meses, anos e às vezes uma vida inteira por algo, e este algo fracassa miseravelmente. Você faz com que uma outra pessoa seja o seu sentido na vida, e quando esta pessoa falha, ou te trai, ou deixa de amá-lo(a), é o seu mundo que cai, e não o dela.

É isso o que sempre acontece quando pessoas transferem seu objetivo na vida para algo que não seja Deus. Deus nunca vai nos decepcionar, mas as pessoas são falhas, e, se você fizer delas o seu objetivo de vida, irá terminar na depressão ou no suicídio quando elas falham ou quando tudo dá errado. O sentido precisa ser maior do que isso. O sentido tem que ser mais do que pessoas ou coisas. Tem que ser algo eterno, imutável, onipotente, onibenevolente, cheio de amor e de compaixão: precisa ser Deus. Fora de Deus, qualquer outro objetivo principal que você tente pautar sua vida será instável como uma casa construída na areia da praia: ela desaba se aquilo não der certo, e perde sua razão de ser caso dê certo. Você estará sempre buscando objetivos novos, porque descobriu que os anteriores eram ilusões com as quais você se enganou pensando que valiam a pena.

É como C. S. Lewis disse:

“O que Satanás colocou na cabeça dos nossos remotos ancestrais foi a idéia de que poderiam ‘ser como deuses’ – poderiam bastar-se a si mesmos como se fossem seus próprios criadores; poderiam ser senhores de si mesmos e inventar um tipo de felicidade fora e à parte de Deus. Dessa tentativa, que não pode dar certo, vem quase tudo o que chamamos de história humana: o dinheiro, a miséria, a ambição, a guerra, a prostituição, as classes, os impérios, a escravidão - a longa e terrível história da tentativa do homem de descobrir a felicidade em outra coisa que não Deus”[2]

Um cristão verdadeiro certamente tem sonhos e objetivos nesta vida que vão além de Deus. Ele pode amar alguém, ele pode querer o melhor na área profissional, ele pode querer passar naquela universidade pública, ele pode almejar aquela vaga de emprego importante, ele pode querer tirar férias de vez em quando, mas ele estará perfeitamente consciente de que o seu objetivo maior de vida não são essas coisas, mas Deus. Se o namoro acabar, se não passar no vestibular, se não conseguir o emprego, se as férias forem péssimas ou se qualquer outro objetivo terreno fracassar, ele saberá que existe um lar eterno preparado para ele por um Deus eterno, que o ama, que o quer e que está acima de qualquer coisa que possa falhar nesta vida. E ele também saberá que todas essas coisas juntas não se comparam a nada do que nos aguarda na eternidade. O seu mundo não desabará, porque há um Deus que o sustenta. Há uma esperança maior, um objetivo maior, um sentido maior na vida do que aquelas coisas.

O apóstolo Paulo, após falar sobre a necessidade de enfrentarmos sofrimentos e tribulações terrenas, ressaltou que “os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm.8:18), e que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem mente alguma imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co.2:9). Há uma esperança, há um sentido, há uma vida eterna alcançada por meio de uma ressurreição dos mortos para aqueles que colocaram Deus como o sentido maior que justifica sua existência. E vale a pena viver por uma alegria que não perece, por uma vida que não acaba, por uma paz que não cessa.

É como Jesus disse:

“Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” (Mateus 16:25-26)

Eu não nego que possa haver uma felicidade passageira e temporária no mundo depravado e caído. A questão não é essa. A questão é se vale a pena ganhar essa vida, para perder a próxima. Ou, para colocar de outra forma, se uma felicidade passageira, que já vem com prazo de validade definido, deve ser prioridade sobre uma felicidade eterna. Uma alegria temporária, no fim das contas, resulta em nada. Eu não me lembro se nesta mesma data, há dez anos atrás, eu vivi um dia feliz ou triste. E não me importo, porque já ficou para trás. O que importa é o que está por vir. As pessoas que realmente desejam ser felizes devem pautar suas vidas por uma felicidade maior do que um momento, do que alguns anos ou do que algo que um dia fique apenas nas lembranças do passado. Há uma só alegria que é levada em consideração no fim das contas: aquela que permanece.

Nada do que possamos desfrutar nestes poucos anos em que estamos vivos na Terra pode se comparar com a eternidade que nos está preparada nos céus. Nenhum prazer daqui pode se comparar com um de lá. Se há um mínimo de possibilidade de existir outra vida no futuro, ela seria a única coisa que faria a nossa vida ter algum sentido, que vá além de qualquer sentido subjetivo e ilusório que possamos dar para nós mesmos. Se eu estivesse afogando em um rio, fadado à morte, e soubesse que se tentasse nadar até a margem eu teria 1% de chances de sobreviver, eu não me importaria com a chance ser pequena: eu nadaria com todas as forças. Se eu vejo alguma possibilidade de existir um Deus que julga as ações humanas e que pode recompensar com uma vida eterna as pessoas que de outra maneira estariam fadadas à morte irreversível, eu viveria, com todo o meu ser, por este alvo, sem me importar se a chance desta outra vida existir é pequena ou grande: o que importa é que é a única chance que eu tenho de que essa vida tenha algum sentido e valha a pena.

O mais impressionante é que Deus não deixa com que fiquemos somente neste 1% de esperança, que já bastaria para tentar algo melhor do que o nada. Ele se revela para aqueles que realmente o buscam de todo o coração por encontrá-lo, tornando esta possibilidade uma certeza. Ele não se revela da mesma forma a todos, mas de uma forma especial àqueles que desejam honestamente conhecê-lo. O salmista disse: “Provai e vede que o Senhor é bom” (Sl.34:8), e Jesus disse que “todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (Mt.7:8). É preciso buscar para encontrar, se aproximar para conhecer, bater à porta para ser atendido. C. S. Lewis disse:

“A verdade é que Ele revela muito mais sobre si mesmo a determinadas pessoas do que a outras, não porque tenha os seus ‘favoritos’, mas porque lhe é impossível mostrar-se a alguém cuja mente e caráter lhe sejam inteiramente adversos. É como a luz do sol que, embora não tenha seus favoritos, não pode refletir-se num espelho coberto de pó com a mesma luminosidade com que se reflete num espelho limpo”[3]

Adauto Lourenço contou uma experiência que descreveu nestas palavras:

“Certa vez uma pessoa me disse: ‘Eu consigo provar que Deus não existe’. Eu disse: ‘Você vai ganhar o Prêmio Nobel, mas vamos tentar’. Ele disse: ‘É simples. Eu vou falar um monte de palavrão para Deus e vamos ver se ele vai jogar um raio em cima de mim!’. Eu achei impressionante, mas ele fez. Foi lá, xingou e não aconteceu nada. Depois chegou a mim e disse: ‘Está vendo? Deus não existe!’. Eu falei: ‘Pelo contrário. Você acha que você é tão importante para Deus gastar um raio dele com você?’. Deus usa a sua demonstração de quem ele é para aqueles que o buscam”[4]

Deus não está se escondendo, mas ele respeita a liberdade de escolha de cada ser humano em decidir reconhecê-lo ou não. Ele não impõe nada pela força. Ele se revela a quem o procura, mas não força ninguém a procurá-lo.  

Philip Yancey certa vez contou uma parábola onde pede que imaginemos um homem que tem um aquário enorme. Ele cuida desse aquário, e esse aquário é de água salgada. Mas aquele homem era frustrado, porque todas as vezes que ele chegava para cuidar dos peixes, os peixes fugiam. Ele ia trocar a água e era um desespero. Ele falava do lado de cá: “Peixes, eu amo vocês, calma, não tenham medo!”. Mas os peixes fugiam. E aquele homem se viu numa problemática: “Como eu posso dizer para os meus peixes o quanto eu os amo? Não tem como. Eles têm medo de mim. Só há uma maneira: se eu me tornar um peixe. E se eu me tornar um peixe eles não vão fugir de mim, mas podem também me rejeitar”.

É isso o que a Bíblia fala que aconteceu com Cristo. Ele nos ama, mas ele não impõe este amor à força bruta. Amor forçado é contradição de termos. O verdadeiro amor só existe onde há a possibilidade de não amar. Se alguém obriga uma outra pessoa a amá-lo, isso tem outro nome, que sabemos bem o que é. Deus também nos dá a possibilidade de não amá-lo, da mesma forma que um príncipe não força uma princesa a montar em seu cavalo e ir ao seu castelo: ele a deixa livre para escolher. Mas a partir do momento em que a princesa escolhe se casar com o príncipe, ela passa a conhecer o príncipe melhor, e a ter uma comunhão mais íntima e profunda com ele do que o relacionamento deste príncipe para com o povo em geral.

De igual maneira, a partir do momento em que decidimos pela razão escolher buscar a Deus, independentemente da possibilidade matemática que temos em nossa cabeça sobre ele existir ou não, ele se revela e passamos a experimentar em nosso dia-a-dia essa comunhão que só seria possível se Deus existisse, e que só se faz presente naqueles que creem. A partir do momento em que há uma conversão sincera e um desejo honesto em seguir adiante nos caminhos dEle, Deus nos concede dons espirituais conforme previsto há dois mil anos na Bíblia, ele fala em nossos corações, nos dá conforto e direção para as nossas vidas, responde orações, revela profecias, nos dá novas línguas, opera através de nós para curar e nos dá todas as evidências necessárias para fazer com que prossigamos neste caminho com uma certeza da veracidade do mesmo, e não mais como uma mera possibilidade.

É como Craig disse em seu debate com Atkins, citando a experiência pessoal logo após expor os argumentos racionais:

“Eu sou racional em crer em Deus com base na minha experiência imediata de Deus”[5]

Deus não é somente uma ideia excêntrica cuja existência ou inexistência se encontra apenas no campo teórico sem nenhuma implicação prática. Muito pelo contrário: se Deus existe, esta existência vai se fazer presente naqueles que nele creem e o buscam de todo o coração. Quando você chegar a este nível de relacionamento com Ele e alguém disser: “prove que Deus existe”, será tão sem noção quanto se esta mesma pessoa dissesse: “prove que você ama a sua mulher”. Você não pode provar que você ama a sua mulher, mas você sabe que ama a sua mulher. Da mesma forma, ainda que você seja um zero à esquerda na compreensão dos argumentos racionais para a existência de Deus, você não precisa provar nada: você sabe.  Você sabe que Deus existe da mesma forma que você sabe que ama a sua mulher, e nenhuma evidência será necessária ou suficiente para provar isso.

Quando você chegar a este estágio, poderá entender Ravi Zacharias, o indiano que conheceu Jesus, quando disse:

“Agora posso gozar do benefício da passagem do tempo. Encontrei o Jesus que conheço e amo aos dezessete anos de idade. No entanto, seu nome e seu poder de atração significam infinitamente mais para mim agora do que quando entreguei a ele minha vida. Eu o busquei porque não sabia mais para onde ir. Continuo com ele porque não quero ir para outro lugar. Fui a ele almejando algo que não tinha. Continuo com ele porque possuo algo de que não abro mão. Fui a ele como um estranho. Continuo com ele na mais íntima amizade. Fui a ele incerto quanto ao futuro. Continuo com ele certo quanto ao meu destino. Eu o busquei em meio aos ensurdecedores gritos de uma cultura que possui 330 milhões de divindades. Continuo com ele sabendo que a verdade é, por definição, exclusiva”[6]

Uma das frases mais marcantes de C. S. Lewis – e particularmente a minha preferida – é a referida no início deste capítulo final:

“O Cristianismo, se for falso, não tem valor; se for verdadeiro, tem valor infinito. A única coisa que lhe é impossível é ser ‘mais ou menos’ importante"

Pense um momento sobre isso. Se o Cristianismo não for verdadeiro, então não passa de um embuste ou uma filosofia de vida qualquer, como tantas outras. Mas, se for verdadeiro, como as evidências indicam, ele é mais importante do que qualquer outra coisa na vida. Ele te dá um sentido objetivo na vida, ele te coloca sobre os olhares de um Deus que é ao mesmo tempo amor e justiça, que recompensa os bons e que julga os maus, para quem você terá que prestar contas de cada ação, boa ou má, praticada em vida – e que resultam em destinos eternos, a vida ou a morte para sempre. Isso é muito mais importante do que qualquer prova de vestibular, qualquer entrevista de emprego, qualquer concurso na televisão ou qualquer outra coisa que possa levá-lo a lutar muito e a viver por isso.

As pessoas vivem, batalham e dão a vida por aquilo que é terreno e passageiro, mas ignoram aquilo que há de maior, de mais sublime e de maior importância nesta vida: Deus. É interessante notar que as pessoas fazem loucuras para conseguirem aquilo que elas desejam nesta terra. Um dos meus programas de televisão favoritos é O Aprendiz, e me admiro quando vejo tantas pessoas dando a vida ali dentro, se sacrificando para aquele fim, e inevitavelmente chorando amargamente quando são demitidas, como se a vida delas tivesse acabado ali.

Se isso ocorre com um simples Reality Show que serve para conquistar durante alguns anos aqui na terra um emprego de alto nível, quanto mais as pessoas deveriam dar o máximo delas para algo que importa para todo o sempre, para algo do qual depende toda uma eternidade com Deus, para um Juízo sem volta, para um veredicto final, para o julgamento das nossas vidas, quando nos veremos face a face com Ele e quando toda a nossa vida passará diante dos nossos olhos.

Mas, ironicamente, as pessoas dão muito valor e se esforçam muito pelo pouco, e não se esforçam quase nada por aquilo que há de mais importante, quando aquilo que está em jogo não são alguns anos, é a eternidade, e não é uma sala de reunião com Justus, mas o julgamento final com Deus. Quando os mortos ressuscitarem e os livros forem abertos, as pessoas finalmente abrirão os olhos, tardiamente, para aquilo que realmente importava, e para o qual davam pouca ou nenhuma atenção. Ali não será julgada a sua prova, nem o seu currículo, nem a sua beleza, nem as suas posses, mas a sua vida. É para este momento que os nossos olhos deveriam estar focados desde o presente momento. Se o Cristianismo for verdadeiro, não há nada mais importante que isso.

O que as pessoas costumam fazer com suas vidas me parece muito com a história da “toupeira humana”. Para quem não conhece a história, trata-se de um homem chamado William Henry Schmidt, que passou 32 anos da vida escavando um túnel no meio do nada, que levava a lugar nenhum, no meio do deserto de Mojave (EUA)[7]. Ele não tinha nenhum treinamento profissional e escavava usando picaretas, martelos, brocas de mão e explosivos. Ele várias vezes se feriu ao escavar o túnel, mas não desistia.

Algumas pessoas diziam que ele estava escondendo ouro ali, mas ele sempre viveu pobre. Outras diziam que ele era simplesmente louco, por empregar todos os seus esforços em toda a vida por algo sem sentido. Quando ele terminou de construir o túnel, em 1938, ele simplesmente fez as malas e foi embora da cidade, passando a morar o resto da vida em uma cidade vizinha. Ele morreu em 1954, deixando morrer consigo o grande mistério – por que alguém iria querer construir um túnel para lugar nenhum?

Os “Schmidts” dos nossos tempos são muito mais comuns do que se parece. Eles estabelecem para si mesmos sentidos subjetivos na vida, que no final não chegam a lugar nenhum. Depois de terminar todo o trabalho pelo qual eles dedicaram toda a vida, eles não ganham nada com isso, a não ser a morte. Eles vivem a vida inteira por algo sem sentido, e por fim nos deixam um grande mistério – por que alguém iria querer viver por algo que não leva a lugar nenhum? O sentido da vida sem Deus é semelhante ao túnel de Schmidt, que existe sem razão nenhuma, e que leva a lugar nenhum. Se eu posso fazer essa vida valer a pena, quero conhecer os pensamentos de Deus. O resto são detalhes.

Por Cristo e por Seu Reino,

(Trecho extraído do meu livro: "Deus é um Delírio?")


        




[1] C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples.
[2] C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples.
[3] C. S. Lewis, Cristianismo Puro e Simples.
[6] Ravi Zacharias, Por que Jesus é diferente?

6 comentários:

  1. A paz de Cristo irmão Lucas..

    Tive que comentar sobre esse texto..
    Esses dias conversando com uns amigos sobre religião, existência de Deus etc, paramos para analisar a visão ateísta a esse respeito.. É curioso tentar entender a cabeça dos ateístas. Como não acreditar em um Deus, em uma esperança, em uma força positiva nos auxiliando nas mais variadas dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia... Por exemplo, uma pessoa muito enferma, no leito de morte (sendo ateísta) como ela consegue lidar com essa situação tendo sua esperança depositada nela mesma?
    Cheguei a conclusão que para ser ateísta é necessário ter uma auto confiança sublime,, um fé em si que supere qualquer objeção, e confesso que eu não possuo. Sem Deus não consigo imaginar a minha vida, meus dias, meu futuro.. Ele pra mim é base de todas as outras coisas.
    Enfim.. Você foi feliz em tudo o que disse, e penso exatamente como você, em todos os pontos que ressaltou..

    Parabéns pelo trabalho que faz, não pare nunca, pois Deus vai te abençoar grandemente por isso.

    A paz de Cristo...

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    1. Muito bem colocado, irmã Lígiah. Deus lhe abençoe!

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  2. Completando se energia nunca acaba ,então. É sinal que somos eternos,talvez vai para uma dimensáo,paralela em que vivemos canarmente,onde não haverá pranto nem clamor nem dor,e por ultimo não haverà mais a morte,é como o povo clipolítico,num Simples pum atravessavam,o espaço.

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  3. Muito Obrigado irmão pelo magnífico texto.

    De fato, Deus é a única alternativa.

    Continue com esse trabalho maravilhoso, pode ter certeza que estás a salvar muitas vidas.

    Forte Abraço.

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    1. Eu que agradeço, forte abraço pra você!

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  4. Sou ateu, mas concordo plenamente com o artigo. A vida é triste e sem sentido, infelizmente.

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